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Queimaduras


O trauma causado por uma queimadura em um indivíduo transcende o momento agudo da lesão, não importando qual foi o seu agente causal. Estamos falando de queimaduras de média a grande extensão, que mesmo recebendo os melhores cuidados de tratamento agudo e fisioterapia, muitas vezes deixam seqüelas, que comprometem a estética e principalmente a função de uma região ou membro do paciente.

 


A cirurgia plástica dispõe de inúmeros recursos técnicos, de grande valia, para a correção e reparação de tais alterações. Mas é preciso que o cirurgião e o paciente juntos avaliem e considerem as prioridades já que na maioria serão necessários mais do que dois procedimentos cirúrgicos para alcançar-se um resultado mais satisfatório.

O advento dos expansores cutâneos e seu uso na correção de diversas patologias que necessitem de substituição de uma área de pele ruim por pele adjacente de boa qualidade fizeram das seqüelas de queimadura um campo vasto na sua utilização. É importante saber que o uso de expansores constitui-se apenas numa pequena ferramenta, se comparada ao grande leque de técnicas e táticas cirúrgicas utilizadas pelo cirurgião hábil e conhecedor dos recursos que a especialidade oferece. Cada caso tem sua particularidade, prioridade e limitações, por isso são cruciais o bom entendimento médico-paciente, o preparo e vivência profissional do cirurgião.

Dentre os procedimentos mais realizados neste campo figuram as zeta-plastias e w-plastias (utilizadas para correção de bridas e retrações), enxertos cutâneos (para cobrir e/ou substituir áreas de ferimento exposto ou áreas de retração), retalhos cutâneos (também usados para substituição de áreas lesadas) e os expansores cutâneos com este mesmo fim. Há também as ressecções de áreas parciais ou totais com aproximação das bordas quando possível. O uso do expansor sempre implicará em dois procedimentos cirúrgicos separados por um intervalo de cerca de um mês, período este em que sucessivas infiltrações do expansor são necessárias para o seu crescimento, expandindo a região de pele sã adjacente à área de seqüela cicatricial. O segundo procedimento, o de retirada do expansor, será também o de avançamento da pele boa obtida para substituir a área ruim. Nem sempre se consegue a correção total logo da primeira vez; é comum o paciente ter que repetir este procedimento anualmente, intervalo necessário para uma melhor adaptação dos tecidos e melhor resultado final.

Os conceitos básicos da cirurgia reparadora estão muito ligados com a estética, de forma que a visão ampla no emprego das técnicas e a avaliação do custo/benefício de cada procedimento devem sempre ser pesadas. Não se deve queimar etapas ao longo do tratamento nem negligenciar na associação de recursos numa mesma intervenção, pois esta soma só traz benefícios ao paciente. A fisioterapia e os cuidados com a hidratação, massagens e compressão de cicatrizes são primordiais durante todo o tratamento e por vezes durante toda a vida do paciente com seqüela de queimadura. E para finalizar, o apoio familiar, psicológico, o carinho, os amigos e o trabalho são fatores importantíssimos para o bem-estar, melhora da auto-estima e retorno ao convívio normal e natural ao meio em que vive.


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