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CÂNCER DE PELE

Em nossa experiência médica, desde a residência médica e a pós-graduação em cirurgia plástica que fizemos no Instituto Nacional de Câncer e na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro respectivamente, observamos que o câncer de pele e mais precisamente o carcinoma basocelular era o câncer mais freqüente na rotina ambulatorial.



Atualmente em nosso consultório, pacientes portadores deste tipo de câncer vêem, em sua maioria, encaminhados da clínica dermatológica para a retirada cirúrgica e reparação quando necessária.

Quando se fala que este tipo de câncer é o que tem maior taxa de cura e que o cirurgião plástico é quem procede com a retirada da lesão, pode até parecer que é como simplesmente retirar-se uma "feridinha" e "tudo bem"; sem cicatrizes, como num passe de mágica. Mas não é bem assim. Trata-se de uma cirurgia que exige cuidados especiais e conhecimento por parte do cirurgião e apoio do patologista durante a intervenção. Este especialista é quem dirá se o tumor foi totalmente retirado pelo cirurgião, após exame microscópico da peça cirúrgica.

A retirada cirúrgica de um câncer de pele envolve vários graus de complexidade, dependendo do tipo de tumor, de sua extensão, profundidade e da sua localização. Na maioria das vezes acomete a face e preferencialmente o nariz, testa ou pálpebras, além do pescoço e dos membros. A técnica cirúrgica a ser aplicada pode variar desde a ressecção simples e sutura imediata, até técnicas mais elaboradas de ressecção e reparação com a utilização de enxertos, retalhos e expansores cutâneos. A anestesia local e sedação é empregada comumente. Em casos especiais o procedimento cirúrgico poderá exigir anestesia geral e até mais de uma etapa cirúrgica.

A cirurgia plástica da retirada de tumores de pele é considerada reparadora e como tal visa extirpar a lesão promovendo a cura do paciente em primeiro lugar. Reparar o defeito deixado após a retirada do tumor é outra questão, nem sempre é possível a perfeição estética do seu resultado.

O câncer de pele é um tumor formado por células da pele que sofreram transformação e depois multiplicam-se de maneira desordenada e anormal dando origem a um novo tecido. Este é o mecanismo de quase toda neoplasia. Os raios solares são os principais responsáveis pelo câncer de pele, mas existe também uma predisposição genética em algumas pessoas.
A luz solar que atinge a superfície da terra é composta de raios ultravioletas: UV-A e UV-B. O UV-A é o maior responsável pelo fotoenvelhecimento e faz bronzeamento pigmentar imediato, enquanto ao UV-B, atribui-se a queimadura solar e o bronzeamento pigmentar tardio, além da relação com o desenvolvimento do câncer de pele. Cerca de 95% dos raios ultravioletas que atingem a Terra são do tipo UV-A e apenas 5% são UV-B.

O câncer de pele acontece em qualquer pessoa, independente de sexo, idade e cor. Todavia, pessoas de pele clara com exposição excessiva e repetida aos raios solares apresentam maior incidência de aparecimento do câncer de pele.
O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais freqüente e com menor potencial de malignidade. Seu crescimento é lento e muito raramente se dissemina à distância segundo estudiosos. Pode se manifestar de várias formas. Feridas que não cicatrizam ou lesões que sangram com facilidade a pequenos traumatismos podem ser um carcinoma basocelular.

O carcinoma espinocelular é outro tipo de câncer de pele. Este apresenta crescimento mais rápido, com lesões maiores e podendo enviar metástases à distância. Acomete mais as áreas de mucosa aparente, cicatrizes de queimaduras antigas ou áreas que sofreram irradiação terapêutica. Pode ocorrer também a partir de lesões pré-cancerosas decorrentes de exposição prolongada e repetida da pele ao sol.

O melanoma maligno é um tumor muito grave que se origina das células que produzem o pigmento da pele, a melanina. Freqüentemente envia metástase para outros órgãos. Pode surgir em áreas da pele não exposta ao sol como a planta do pé, palma da mão, leito ungueal, etc, porém é mais freqüente a ocorrência em áreas expostas do corpo.

Câncer de Pele às vezes é como o hábito de fumar e a falta de atenção com a dengue. Apesar das campanhas educativas veiculadas pela mídia através dos órgãos competentes da saúde e médicos afins, no sentido da prevenção, as pessoas negligenciam as mais simples medidas de auto-proteção como parar de fumar, eliminar os focos de mosquitos e no caso do câncer de pele, evitar a exposição exagerada ao sol. É sabido que se não fumar não se tem câncer de pulmão, que combatendo o mosquito da dengue evitamos essa enfermidade e se nos protegermos da exposição excessiva ao sol evitaremos o câncer de pele.
Durante o verão as pessoas querem ficar bonitas, bronzeadas, sensuais, "saradas". Mas relaxam com a saúde da pele, pelo simples fato de não abrirem mão do astro-rei, o sol, e abusar de sua radiação. O sol não é o mal, é vida e saúde, desde que saibamos usá-lo com moderação.

Como medidas preventivas contra o câncer de pele não só no verão, mas durante todo o ano, já que vivemos em um país tropical, orientamos:
-que evite expor-se ao sol entre 10 às 16h (horário de verão);
-use sempre um protetor solar adequado à sua pele e às sua necessidades e não esqueça de repeti-lo quantas vezes for preciso;
-tenha consciência do o seu tipo de pele (temos a classificação na sessão "Perguntas e Resposta - Verão e Cirurgia Plástica"em nosso site);
-proteja seu rosto usando um chapéu e roupas confortáveis que cubram as áreas exposta ao sol;
-use óculos escuros par proteger seus olhos;
-lembre-se de que os raios solares são refletidos pela areia, concreto e por superfícies espelhadas.

As crianças merecem atenção especial na proteção solar; primeiro porque elas não sabem se cuidar sozinhas e segundo porque está comprovado que é na infância e adolescência que tomamos a maior parte do sol em toda a nossa vida e o câncer de pele tem efeito cumulativo dos raios solares tomados e geralmente começa aparecer anos depois.
Alertamos ainda que não é só na praia que ficamos sujeitos aos danos da radiação ultravioleta solar; profissionais que trabalham ao ar livre de modo geral, agricultores, pedreiros, jardineiros e outros, estão propensos ao desenvolvimento de câncer de pele da mesma forma.

Como se não bastasse a exposição inadequada ao sol, a prática do bronzeamento artificial está sendo muito difundida em nosso meio. Contudo, a população pouco sabe sobre as conseqüências desta prática a curto e longo prazo. Os fabricantes das câmaras de bronzeamento relatam que suas lâmpadas apenas emitem raios UV-A. Trabalhos recentes mostram que o UV-A e não o UV-B é o que está mais relacionado ao aparecimento do melanoma, o mais temível dos cânceres de pele, além do envelhecimento precoce da pele. Em condições normais de exposição ao sol ou nas sessões de bronzeamento artificial, a radiação UV-A pode ser tão mutagênica, carcinogênica e imunossupressora quanto à radiação UV-B.

Organizações de proteção ao meio ambiente e entidades de classe têm discutido na atualidade os males causados pelo progresso à natureza em todos os sentidos. Para o nosso maior conforto temos hoje a geladeira, o ar condicionado, o automóvel, o avião, as queimadas de áreas de floresta para serem transformadas em pastos, etc, lançando gases na atmosfera, que irão interagir físico-quimicamente com a camada de ozônio enfraquecendo este escudo invisível que filtra grande parte dos raios que passam a serem nocivos à nossa saúde. Além do câncer de pele em pauta, trata-se de uma questão de consciência política de cada um de nós.
Procure um médico no caso de aparecimento de alguma feridinha que nunca cura e que se encontra em área de exposição ao sol, mancha escura ou avermelhada na pele e também no caso de crescimento repentino ou mudança de forma brusca em qualquer mancha ou sinal antigo. É comum as pessoas chegarem ao consultório médico protegendo "uma feridinha" no rosto com cremes, pomadas e curativos.

A BG faz o seu alerta, agora é com VOCÊ. Prevenir é a melhor maneira para remediar esse GRANDE PROBLEMA. Valorize a sua SAÚDE. Sol é VIDA, mas com MODERAÇÃO.


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