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Apesar dos portadores desses transtornos serem bastante musculosos,
passam horas na academia malhando e ainda assim se consideram fracos,
magros e até esqueléticos. Uma das observações
psicológicas desses pacientes é que têm vergonha
do próprio corpo, recorrendo assim aos exercícios excessivos
e às fórmulas mágicas para acelerar o fortalecimento,
como por exemplo os esteróides anabolizantes.
Não se trata, simplesmente, de fazer exercícios para
receber o diagnóstico de Vigorexia. Os exercícios orientados,
com indicação médica ou terapêutica, recreativos
e/ou de condicionamento continuam sendo muito bem vindos na medicina
e na psiquiatria.
Entretanto, as pessoas que treinam exaustivamente, não apenas
para se sentirem bem, mas para ficarem estupendos e perfeitos, são
sérios candidatos ao diagnóstico de Vigorexia. Normalmente
essas pessoas estão dispostas a manter uma dieta rigorosa,
a tomar fármacos e a treinar duro para conseguir seu objetivo.
Elas perdem a noção de sua própria corporeidade
e nunca param ou ficam satisfeitas.
Os sintomas da Vigorexia se evidenciam pela obcessão
em tornar-se musculosos. Essas pessoas olham-se constantemente
no espelho e, apesar de musculosas, podem ver-se enfraquecidas
ou distantes de seus ideais. Sentirem-se assim "incompletas",
faz com que elas invistam todas as horas possíveis em
exercícios e ginásticas para aumentar sua musculatura.
É difícil estabelecer limites entre um exercício
saudável e um exercício obcessivo, mas é
bom lembrar que os vigoréxicos, além da musculação
continuada, comem de forma atípica e exagerada. Esses
pacientes se pesam várias vezes por dia e fazem continuadas
comparações com outros companheiros de academia.
A doença vai derivando num quadro obcessivo-compulsivo,
de tal forma que eles se sentem fracassados, abandonam suas
atividades e se isolam em academias dia e noite. |
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Podemos encontrar, entre portadores de Vigorexia, pessoas que só
buscam a figura perfeita, influenciadas por modelos culturais atuais,
ou esportistas que querem obsessivamente chegar a ser os melhores,
exigindo insensatamente de seu organismo até sua meta ser alcançada.
Recentemente temos visto também, entre os vigoréxicos,
pessoas portadoras de personalidade introvertida, cuja timidez ou
retraimento social favorece uma busca do corpo perfeito como compensação
dos sentimentos de inferioridade.
Estas pessoas possuem alguns traços característicos
de personalidade, costumam ter baixa auto-estima e muitas dificuldades
para integrar-se socialmente; costumam ser introvertidas e podem,
com freqüência, rejeitar ou aceitar com sofrimento a própria
imagem corporal. Em alguns casos, a obsessão com o próprio
corpo se parece muito com o mesmo fenômeno observado na anorexia
nervosa.
O fisiculturismo é um dos esportes que mais comumente se relaciona
com este tipo de transtorno, mas isso não significa que todos
fisiculturistas tenham Vigorexia. Os vigoréxicos praticam seus
esportes e ginásticas sem levar em conta ou sem se importarem
com as condições climáticas, condições
físicas limitadoras ou mesmo inadequações circunstanciais
do dia-a-dia, chegando a sentirem-se incomodados ou culpados quando
não podem realizar essas atividades. Estresse tais como: insônia,
falta de apetite, irritabilidade, desinteresse sexual, fraqueza, cansaço
constante, dificuldade de concentração entre outras.
Além da obcessão com o corpo perfeito, a Vigorexia também
produz uma importante mudança nos hábitos e atitudes
dos pacientes, notadamente na questão alimentar. Até
a mínima caloria ingerida será contabilizada e medida
com máxima atenção, pois a beleza corporal dependerá
disso. A vida do paciente de overtraining gira em torno dos cuidados
com seu corpo, sua dieta é minuciosamente regulada, eliminando-se
totalmente as gorduras e, ao contrário, consumindo-se excessivamente
as proteínas. Esse desequilíbrio alimentar acaba por
sobrecarregar o fígado, obrigando-o a desempenhar um trabalho
extra.
A Vigorexia causa problemas físicos e estéticos,
como por exemplo, a desproporção displásica,
também entre o corpo e cabeça, problemas ósseos
e articulares devido ao peso excessivo, falta de agilidade e
encurtamento de músculos e tendões.
A situação se agrava quando surge o consumo de
esteróides e anabolizantes com o fim de conseguir "melhores
resultados". O consumo destas sustâncias aumenta
o risco de doenças cardiovasculares, lesões hepáticas,
disfunções sexuais, diminuição do
tamanho dos testículos e maior propensão ao câncer
da próstata.
Emocionalmente, segundo estudos de Pope, a Vigorexia pode ter
como conseqüência um quadro de Transtorno Obcessivo-Compulsivo,
fazendo com que os pacientes se sintam fracassados e abandonem
suas atividades sociais, inclusive de trabalho, com o propósito
de treinar e exercitar-se sem descanso. |
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Costuma haver algum grau significativo de comprometimento social e/ou
ocupacional nos pacientes portadores de Vigorexia, e sua qualidade
de vida pode ser agravada ainda por procedimentos potencialmente iatrogênicos
e onerosos, como tratamentos cirúrgicos e dermatológicos
desnecessários. Uma das conseqüências da vigorexia
ou overtraining, dizem respeito ao excesso de treinamento e às
reações corporais que avisam, por assim dizer, que algo
está errado.
O termo Vigorexia, ou Síndrome de Adônis, foi primeiramente
assim denominado pelo psiquiatra americano Harrison G. Pope, da Faculdade
de Medicina de Harvard, Massachusetts. Os estudos de Pope foram publicados
na revista Psychosomatic Medicine com a observação de
que cerca de um milhão de norte-americanos entre os nove milhões
adeptos à musculação podem estar acometidos pela
patologia emocional. As duas rexias, Anorexia e Vigorexia foram consideradas
por Pope como doenças ligadas à perda de controle de
impulsos narcisistas.
O termo Dismorfia Corporal foi proposto em 1886 pelo italiano Morselli.
Freud descreveu o caso do "Homem Lobo", uma pessoa que,
apesar de ter um excesso de pelos no corpo, centrava sua excessiva
preocupação na forma e tamanho de seu nariz. Ele o via
horrível, proeminente e cheio de cicatrizes.
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