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PAPO
CABEÇA III: BULIMIA NERVOSA
As características essenciais da Bulimia Nervosa consistem de compulsões
periódicas e métodos compensatórios inadequados para evitar
ganho de peso. Além disso, a auto-avaliação dos pacientes
com Bulimia Nervosa é excessivamente influenciada pela forma e peso do
corpo, tal como ocorre na Anorexia Nervosa. Para qualificar o transtorno, a
compulsão periódica e os comportamentos compensatórios
inadequados devem ocorrer, em média, pelo menos duas vezes por semana
por 3 meses.
Uma compulsão periódica é definida pela ingestão,
num período limitado de tempo, de uma quantidade de alimento definitivamente
maior do que a maioria dos pacientes consumiria sob circunstâncias similares.
O médico deve considerar o contexto no qual a compulsão periódica
ocorreu; durante uma celebração ou uma ceia festiva, por exemplo,
o que seria considerado um consumo excessivo em uma refeição comum
é considerado normal.
Os pacientes com Bulimia Nervosa tipicamente se envergonham de seus problemas
alimentares e procuram ocultar seus sintomas. As compulsões periódicas
geralmente ocorrem em segredo, ou dissimuladas tanto quanto possível.
Um episódio pode, ou não, ser planejado de antemão e em
geral (mas nem sempre) é caracterizado por um consumo rápido.
A compulsão periódica freqüentemente prossegue até
que o paciente se sinta desconfortável, ou mesmo dolorosamente repleto.
A compulsão periódica é tipicamente desencadeada por estados
de humor disfóricos, estressores interpessoais, intensa fome após
restrição por dietas, ou sentimentos relacionados a peso, forma
do corpo e alimentos. A compulsão periódica pode reduzir temporariamente
a disforia, mas autocríticas e humor deprimido freqüentemente ocorrem
logo após.
Outra característica essencial da Bulimia Nervosa é o uso recorrente
de comportamentos compensatórios inadequados para prevenir o aumento
de peso. Muitos pacientes com Bulimia Nervosa empregam diversos métodos
em suas tentativas de compensarem a compulsão periódica. A técnica
compensatória mais comum é a indução de vômito
após um episódio de compulsão periódica. Este método
purgativo é empregado por 80 a 90% dos pacientes com Bulimia Nervosa
que se apresentam para tratamento em clínicas de transtornos alimentares.
Os efeitos imediatos do vômito incluem alívio do desconforto físico
e redução do medo de ganhar peso. Em alguns casos, o vômito
torna-se um objetivo em si mesmo, de modo que a pessoa come em excesso para
vomitar ou vomita após ingerir uma pequena quantidade de alimento.
Os pacientes com Bulimia Nervosa podem usar uma variedade de métodos
para a indução de vômitos, incluindo o uso dos dedos ou
instrumentos para estimular o reflexo de vômito.
Os pacientes em geral se tornam hábeis na indução de vômitos
e por fim são capazes de vomitar quando querem. Raramente, os pacientes
consomem xarope de ipeca para a indução do vômito. Outros
comportamentos purgativos incluem o uso indevido de laxantes e diuréticos.
Aproximadamente um terço dos pacientes com Bulimia Nervosa utiliza laxantes
após um ataque de hiperfagia. Raramente, os pacientes com este transtorno
utilizam enemas após os episódios compulsivos, mas este quase
nunca é o único método compensatório empregado.
Os pacientes com Bulimia Nervosa podem jejuar por um dia ou mais ou exercitar-se
excessivamente na tentativa de compensar o comer compulsivo. Exercícios
podem ser considerados excessivos quando interferem significativamente em atividades
importantes, quando ocorrem em momentos ou contextos inadequados ou quando o
paciente continua se exercitando apesar de lesionado ou de outras complicações
médicas. Raramente, os pacientes com este transtorno podem tomar hormônio
da tiróide na tentativa de prevenir o aumento de peso. Os pacientes com
diabete melito e Bulimia Nervosa podem omitir ou reduzir as doses de insulina,
para reduzir o metabolismo dos alimentos consumidos durante os ataques de hiperfagia.
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