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O termo dismorfia é uma palavra grega que significa feiúra,
especialmente na face. A primeira referência aparece na história
de Herodutus, no mito da garota feia de Esparta, que era levada por
sua enfermeira, todos os dias, ao templo para se livrar da sua falta
de beleza e atrativos.
O transtorno dismórfico corporal é caracterizado pela
preocupação com um imaginado defeito na aparência.
Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação
do indivíduo é acentuadamente excessiva. A preocupação
causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes
da vida do indivíduo.
As queixas envolvem, em geral, falhas imaginárias ou leves
na face ou na cabeça, como acne, cicatrizes, rugas, inchaço,
assimetria ou pêlos faciais excessivos. Outras preocupações
comuns incluem tamanho, forma ou algum outro aspecto do nariz, da
boca, dos olhos, das pálpebras, das sobrancelhas, das orelhas,
da boca, dos dentes, da mandíbula, do queixo, das bochechas
ou da cabeça. Entretanto, qualquer outra parte do corpo pode
ser o foco de preocupação - por exemplo, genitais, abdome,
nádegas, quadris, ombros, etc. A preocupação
pode se concentrar simultaneamente em diversas partes do corpo. Embora
a queixa seja freqüentemente específica, pode ser por
vezes, vaga, e alguns indivíduos evitam descrever os seus defeitos
em detalhes podendo se referir à sua "feiúra"
em geral.
Os indivíduos com esse transtorno freqüentemente pensam
que os outros estão observando o seu "defeito", o
que pode levar a uma esquiva das situações sociais que,
levada ao extremo, chega até ao isolamento social. Esses pacientes
com freqüência buscam e recebem tratamentos médicos
gerais, dentários ou cirúrgicos para a correção
de seus defeitos imaginários, em uma peregrinação
por diversos profissionais, principalmente cirurgiões plásticos,
sem, no entanto, corrigir os supostos defeitos.
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Alguns comportamentos são comuns aos pacientes com esse
transtorno: olhar-se no espelho ou outras superfícies
refletoras para checar a aparência, o que pode consumir
muitas horas por dia e ser extremamente difícil de resistir.
Alguns pacientes esquivam-se de espelhos em uma tentativa não
bem sucedida de diminuir o desconforto e a preocupação.
Por terem a certeza de que os outros estão olhando, falando
sobre os seus defeitos, comumente tentam camuflá-los
com maquiagem, chapéu, luvas, roupas, etc. Freqüentemente,
comparam a sua parte feia do corpo com a de outras pessoas.
Isolamento social, introversão, baixa auto-estima podem
também coexistir. Alguns relatos sugerem que sem tratamento
o transtorno usualmente persiste por anos e algumas vezes por
toda a vida.
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A literatura consistentemente enfatiza o sofrimento que pode ser causado
por esse transtorno. Dificuldades sociais e conjugais podem ocorrer
como resultado do transtorno dismórfico corporal, a ponto da
vida do paciente ficar profundamente desestruturada. O prejuízo
funcional pode ser resultado do tempo que alguns pacientes despendem
com suas preocupações, negligenciando outros aspectos
da sua vida. O desconforto pode ser tão intenso que pode vir
a causar ideação suicida. Uma complicação
específica é a busca por cirurgia plástica e
outros procedimentos médicos e raramente os pacientes ficam
satisfeitos com o resultado.
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