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PAPO
CABEÇA IV: DISMORFISMO
Transtorno
dismórfico corporal tem sido descrito nas literaturas por uma variedade
de nomes, sendo o mais comum dismorfofobia, embora esse termo seja usado de
diferentes maneiras, é definido como um sentimento de feiúra ou
defeito físico que o paciente percebe a despeito de sua aparência
normal.
O termo dismorfia é uma palavra grega que significa feiúra, especialmente
na face. A primeira referência aparece na história de Herodutus,
no mito da garota feia de Esparta, que era levada por sua enfermeira, todos
os dias, ao templo para se livrar da sua falta de beleza e atrativos.
O transtorno dismórfico corporal é caracterizado pela preocupação
com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física
está presente, a preocupação do indivíduo é
acentuadamente excessiva. A preocupação causa sofrimento clinicamente
significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em
outras áreas importantes da vida do indivíduo.
As queixas envolvem, em geral, falhas imaginárias ou leves na face ou
na cabeça, como acne, cicatrizes, rugas, inchaço, assimetria ou
pêlos faciais excessivos. Outras preocupações comuns incluem
tamanho, forma ou algum outro aspecto do nariz, da boca, dos olhos, das pálpebras,
das sobrancelhas, das orelhas, da boca, dos dentes, da mandíbula, do
queixo, das bochechas ou da cabeça. Entretanto, qualquer outra parte
do corpo pode ser o foco de preocupação - por exemplo, genitais,
abdome, nádegas, quadris, ombros, etc. A preocupação pode
se concentrar simultaneamente em diversas partes do corpo. Embora a queixa seja
freqüentemente específica, pode ser por vezes, vaga, e alguns indivíduos
evitam descrever os seus defeitos em detalhes podendo se referir à sua
"feiúra" em geral.
Os indivíduos com esse transtorno freqüentemente pensam que os outros
estão observando o seu "defeito", o que pode levar a uma esquiva
das situações sociais que, levada ao extremo, chega até
ao isolamento social. Esses pacientes com freqüência buscam e recebem
tratamentos médicos gerais, dentários ou cirúrgicos para
a correção de seus defeitos imaginários, em uma peregrinação
por diversos profissionais, principalmente cirurgiões plásticos,
sem, no entanto, corrigir os supostos defeitos.
Alguns comportamentos são comuns aos pacientes com esse transtorno: olhar-se
no espelho ou outras superfícies refletoras para checar a aparência,
o que pode consumir muitas horas por dia e ser extremamente difícil de
resistir. Alguns pacientes esquivam-se de espelhos em uma tentativa não
bem sucedida de diminuir o desconforto e a preocupação. Por terem
a certeza de que os outros estão olhando, falando sobre os seus defeitos,
comumente tentam camuflá-los com maquiagem, chapéu, luvas, roupas,
etc. Freqüentemente, comparam a sua parte feia do corpo com a de outras
pessoas. Isolamento social, introversão, baixa auto-estima podem também
coexistir. Alguns relatos sugerem que sem tratamento o transtorno usualmente
persiste por anos e algumas vezes por toda a vida.
A literatura
consistentemente enfatiza o sofrimento que pode ser causado por esse transtorno.
Dificuldades sociais e conjugais podem ocorrer como resultado do transtorno
dismórfico corporal, a ponto da vida do paciente ficar profundamente
desestruturada. O prejuízo funcional pode ser resultado do tempo que
alguns pacientes despendem com suas preocupações, negligenciando
outros aspectos da sua vida. O desconforto pode ser tão intenso que pode
vir a causar ideação suicida. Uma complicação específica
é a busca por cirurgia plástica e outros procedimentos médicos
e raramente os pacientes ficam satisfeitos com o resultado.
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