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E não raro é lermos ou ouvirmos na mídia, personalidades
relatarem que a parte do rosto que mais lhes chamam atenção
em uma pessoa ou nelas próprias serem os olhos.
Será porque são os olhos os primeiros a denunciarem
ou despirem as pessoas dos seus segredos, desejos, algum tipo de
modéstia ou vaidade e quem sabe esconderijos secretíssimos,
desviando para si a atenção, por serem mais simples
ou quem sabe mais românticos.
As pálpebras são estruturas em número de quatro,
sendo duas superiores e duas inferiores, que têm como principal
função a proteção dos olhos contra traumas,
corpo estranho, excesso de luz, suor, chuva, etc. Tem função
na distribuição das lágrimas e através
da secreção das várias glândulas ali existente,
lubrifica e umedece o globo ocular (córnea) ou remove partículas
de pó. É comum na nossa rotina clínica diária
ouvirmos o desejo de certos pacientes que insistem em tirar-se o máximo
de pele das pálpebras durante a cirurgia, pensando que assim
eliminarão qualquer tipo de ruga. Expressam-se geralmente,
puxando para cima com os seus dedos na região malar ou nos
cantos externos dos olhos, com a pretensão de através
de dois pontinhos nas pálpebras inferiores melhorarem
a face como um todo. Isto não é possível, já
que a estrutura palpebral não tem capacidade de sustentar tal
peso e o paciente deve conseguir fechar naturalmente os olhos ao dormir
além de não perder o desenho normal das pálpebras
inferiores após uma operação.
No todo da face estão envolvido um complexo maravilhoso
de estruturas que precisam umas das outras para demonstrar uma aparência
harmoniosa. É importante manter a integridade anatômica
e funcional das pálpebras durante a cirurgia, para que elas
possam continuar desempenhando bem as suas funções
e dar proteção ao globo ocular.
Blefaroplastia é o termo utilizado para a correção
cirúrgica do excesso de pele e bolsas de gordura das pálpebras
superiores e inferiores. É uma cirurgia freqüentemente
executada e embora as mudanças ao redor dos olhos estejam
geralmente associadas à idéia de envelhecimento, as
bolsas palpebrais e o excesso de pele muitas das vezes ocorrem em
pessoas mais jovens, devido à predisposição
familiar ou ao tipo de pele.
A cirurgia das pálpebras pode ser indicada na sua forma
completa, para a retirada de excesso de pele e de bolsas de gorduras,
ou seja, ao mesmo tempo nas pálpebras superiores e inferiores.
Mas pode ser de forma parcial, conforme o caso necessite. É
comum sua associação a outras cirurgias plásticas
como a face, nariz, etc.
O cirurgião plástico, dentro do seu conhecimento
e avaliação, indicará a melhor técnica
a ser utilizada em cada paciente. A boa indicação
e a habilidade evitarão problemas e estigmas indesejáveis
para quem se submete a esta cirurgia, além do bom entendimento
do paciente quanto às sua limitações.
Sabe-se que o excesso de pele detectado ao exame clínico
pré-operatório para blefaroplastia é comumente
mais aparente que real. As mulheres em particular, ao chegarem para
a consulta, sempre exageram na dose quando mostram esse excesso,
pinçando esta região com os seus dedos. A qualidade
da pele também influi na aparência e há casos
em que não há tanto excesso, mas a pele encontra-se
desidratada e apergaminhada.
Deve-se também observar o grau de queda da testa e das
sobrancelhas, que pode criar um falso excesso cutâneo nas
pálpebras, cuja correção exige outras abordagens.
Após a retirada das bolsas torna-se necessário uma
pequena quantidade de pele adicional calculada cirurgicamente, para
manter o contorno natural da pálpebra inferior e para permitir
o fechamento do olho. Isto também ocorre em relação
à cirurgia nas pálpebras superiores, principalmente
em pessoas com olho fundo, ou quando têm olhos saltados, ou
ainda em certos tipos de pele mais delicados que aparentam falsos
excessos, os quais se retirados em demasia, ocasionarão sérios
problemas para a visão. Os olhos precisam se fechar ao dormir,
caso contrário podem desenvolver ulcerações
na córnea com sérios danos à visão.
Outro caso que merece atenção durante o cálculo
de retirada da pele é nos pacientes que sofrem de olho seco
ou que têm hipertireoidismo, baseado naquele mesmo princípio
acima citado.
A técnica de blefaroplastia transcutânea é
indicada em pacientes com excesso de pele nas pálpebras superiores
e inferiores, principalmente em pessoas de meia-idade. Na pálpebra
superior é feito um desenho em forma elíptica contendo
o excesso calculado de pele, por manobra de pinçamento e
outros parâmetros. Após a retirada da pele e realizada
a sutura, resultará uma cicatriz posicionada no sulco natural
da pálpebra superior. Já na pálpebra inferior
a incisão é feita a 1 ou 2 mm do bordo ciliar e é
por aí que são retirados os excessos de bolsas de
gordura e de pele, sem retirar cílios. A cicatrizes resultantes
são imperceptíveis por serem estrategicamente bem
posicionadas.
A técnica da blefaroplastia transconjuntival, feita pela
conjuntiva da pálpebra inferior e sem incisão na pele,
é uma excelente abordagem quando existem bolsas salientes,
mas com pouco ou nenhum excesso de pele. Durante a blefaroplastia
transconjuntival a gordura palpebral é alcançada através
da incisão da conjuntiva, preservando o músculo orbicular
e septo orbital. Com isso o pós-operatório apresenta-se
com menos edema e equimose, além de evitar retrações,
ectrópio (pálpebra inferior evertida), contorno arredondado
da mesma, vermelhidão e mostrando a esclera ( o branco do
olho).
O peeling a laser de CO2 (técnica conhecida como Laser
Skin Resurfacing) não substitui a cirurgia convencional,
mas auxilia na retração de pequenos excessos de pele
e retirada de rugas finas e manchas. O pós-operatório
do laser necessita de cuidados especiais até a completa cicatrização
e é prolongado. Estes cuidados constam do uso de medicação
antiviral preventiva como o aciclovir, além de cremes despigmentantes,
hidratantes e bloqueador solar. Pode estar indicado em associação
à blefaroplastia transconjuntival em pessoas de preferência
com pele clara.
O encontro da satisfação do paciente com o resultado
de uma cirurgia das pálpebras está diretamente relacionado
à sua compreensão de que apenas a região palpebral
será beneficiada com a cirurgia e não esperar mudanças
no rosto como um todo. Muitos pensam assim e acabam se frustrando,
mesmo que a cirurgia tenha sido realizada perfeitamente e o resultado
tenha sido bom.
Fazer uma cirurgia plástica, seja o candidato de qualquer
sexo ou idade é uma atitude livre que denota uma vontade
própria de melhorar a auto-estima e querer ser bonito e feliz.
Nesta conclusão fazemos um parêntese para os homens
que, apesar de toda modernidade, ainda sofrem interferência
do velho machismo em conflito com o desejo de manter ou readquirir
uma aparência mais jovial. Mas, não importando o motivo,
a cada dia torna-se maior o número de homens que perdem o
medo de assumir uma cirurgia plástica e o ponto de partida
acaba quase sempre sendo a cirurgia das pálpebras. Percebe-se
que no íntimo o desejo de melhorar é maior, então
eles deixam de lado os comentários e brincadeiras, por vezes
tendenciosas dos amigos e concretizam a idéia.
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