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CIRURGIA PLÁSTICA DAS PÁLPEBRAS:
UMA CONCEPÇÃO ATUAL
Assim como o nariz, que por se projetar mais na face personaliza muito um indivíduo, sua raça ou ser um traço de família e a boca que anuncia uma sensualidade tão explorada na industria da beleza; os olhos são importantes para o reconhecimento individual e representam grande parte da expressão da face humana, haja visto seus diferentes formatos entre os povos ocidentais e orientais. E não raro é lermos ou ouvirmos na mídia, personalidades relatarem que a parte do rosto que mais lhes chamam atenção em uma pessoa ou nelas próprias serem os olhos. Será porque são os olhos os primeiros a denunciarem ou despirem as pessoas dos seus segredos, desejos, algum tipo de modéstia ou vaidade e quem sabe esconderijos secretíssimos, desviando para si a atenção, por serem mais simples ou quem sabe mais românticos.
As pálpebras são estruturas em número de quatro, sendo duas superiores e duas inferiores, que têm como principal função a proteção dos olhos contra traumas, corpo estranho, excesso de luz, suor, chuva, etc. Tem função na distribuição das lágrimas e através da secreção das várias glândulas ali existente, lubrifica e umedece o globo ocular (córnea) ou remove partículas de pó.
É comum na nossa rotina clínica diária ouvirmos o desejo de certos pacientes que insistem em tirar-se o máximo de pele das pálpebras durante a cirurgia, pensando que assim eliminarão qualquer tipo de ruga. Expressam-se geralmente, puxando para cima com os seus dedos na região malar ou nos cantos externos dos olhos, com a pretensão de através de dois pontinhos nas pálpebras inferiores melhorarem a face como um todo. Isto não é possível, já que a estrutura palpebral não tem capacidade de sustentar tal peso e o paciente deve conseguir fechar naturalmente os olhos ao dormir além de não perder o desenho normal das pálpebras inferiores após uma operação. No todo da face estão envolvido um complexo maravilhoso de estruturas que precisam umas das outras para demonstrar uma aparência harmoniosa. É importante manter a integridade anatômica e funcional das pálpebras durante a cirurgia, para que elas possam continuar desempenhando bem as suas funções e dar proteção ao globo ocular.
Blefaroplastia é o termo utilizado para a correção cirúrgica do excesso de pele e bolsas de gordura das pálpebras superiores e inferiores. É uma cirurgia freqüentemente executada e embora as mudanças ao redor dos olhos estejam geralmente associadas à idéia de envelhecimento, as bolsas palpebrais e o excesso de pele muitas das vezes ocorrem em pessoas mais jovens, devido à predisposição familiar ou ao tipo de pele.
A cirurgia das pálpebras pode ser indicada na sua forma completa, para a retirada de excesso de pele e de bolsas de gorduras, ou seja, ao mesmo tempo nas pálpebras superiores e inferiores. Mas pode ser de forma parcial, conforme o caso necessite. É comum sua associação a outras cirurgias plásticas como a face, nariz, etc.
O cirurgião plástico, dentro do seu conhecimento e avaliação, indicará a melhor técnica a ser utilizada em cada paciente. A boa indicação e a habilidade evitarão problemas e estigmas indesejáveis para quem se submete a esta cirurgia, além do bom entendimento do paciente quanto às sua limitações.
Sabe-se que o excesso de pele detectado ao exame clínico pré-operatório para blefaroplastia é comumente mais aparente que real. As mulheres em particular, ao chegarem para a consulta, sempre exageram na dose quando mostram esse excesso, pinçando esta região com os seus dedos. A qualidade da pele também influi na aparência e há casos em que não há tanto excesso, mas a pele encontra-se desidratada e apergaminhada.
Deve-se também observar o grau de queda da testa e das sobrancelhas, que pode criar um falso excesso cutâneo nas pálpebras, cuja correção exige outras abordagens.
Após a retirada das bolsas torna-se necessário uma pequena quantidade de pele adicional calculada cirurgicamente, para manter o contorno natural da pálpebra inferior e para permitir o fechamento do olho. Isto também ocorre em relação à cirurgia nas pálpebras superiores, principalmente em pessoas com olho fundo, ou quando têm olhos saltados, ou ainda em certos tipos de pele mais delicados que aparentam falsos excessos, os quais se retirados em demasia, ocasionarão sérios problemas para a visão. Os olhos precisam se fechar ao dormir, caso contrário podem desenvolver ulcerações na córnea com sérios danos à visão.
Outro caso que merece atenção durante o cálculo de retirada da pele é nos pacientes que sofrem de olho seco ou que têm hipertireoidismo, baseado naquele mesmo princípio acima citado.
A técnica de blefaroplastia transcutânea é indicada em pacientes com excesso de pele nas pálpebras superiores e inferiores, principalmente em pessoas de meia-idade. Na pálpebra superior é feito um desenho em forma elíptica contendo o excesso calculado de pele, por manobra de pinçamento e outros parâmetros. Após a retirada da pele e realizada a sutura, resultará uma cicatriz posicionada no sulco natural da pálpebra superior. Já na pálpebra inferior a incisão é feita a 1 ou 2 mm do bordo ciliar e é por aí que são retirados os excessos de bolsas de gordura e de pele, sem retirar cílios. A cicatrizes resultantes são imperceptíveis por serem estrategicamente bem posicionadas.
A técnica da blefaroplastia transconjuntival, feita pela conjuntiva da pálpebra inferior e sem incisão na pele, é uma excelente abordagem quando existem bolsas salientes, mas com pouco ou nenhum excesso de pele. Durante a blefaroplastia transconjuntival a gordura palpebral é alcançada através da incisão da conjuntiva, preservando o músculo orbicular e septo orbital. Com isso o pós-operatório apresenta-se com menos edema e equimose, além de evitar retrações, ectrópio (pálpebra inferior evertida), contorno arredondado da mesma, vermelhidão e mostrando a esclera ( o branco do olho).
O peeling a laser de CO2 (técnica conhecida como Laser Skin Resurfacing) não substitui a cirurgia convencional, mas auxilia na retração de pequenos excessos de pele e retirada de rugas finas e manchas. O pós-operatório do laser necessita de cuidados especiais até a completa cicatrização e é prolongado. Estes cuidados constam do uso de medicação antiviral preventiva como o aciclovir, além de cremes despigmentantes, hidratantes e bloqueador solar. Pode estar indicado em associação à blefaroplastia transconjuntival em pessoas de preferência com pele clara.
O encontro da satisfação do paciente com o resultado de uma cirurgia das pálpebras está diretamente relacionado à sua compreensão de que apenas a região palpebral será beneficiada com a cirurgia e não esperar mudanças no rosto como um todo. Muitos pensam assim e acabam se frustrando, mesmo que a cirurgia tenha sido realizada perfeitamente e o resultado tenha sido bom.
Fazer uma cirurgia plástica, seja o candidato de qualquer sexo ou idade é uma atitude livre que denota uma vontade própria de melhorar a auto-estima e querer ser bonito e feliz.
Nesta conclusão fazemos um parêntese para os homens que, apesar de toda modernidade, ainda sofrem interferência do velho machismo em conflito com o desejo de manter ou readquirir uma aparência mais jovial. Mas, não importando o motivo, a cada dia torna-se maior o número de homens que perdem o medo de assumir uma cirurgia plástica e o ponto de partida acaba quase sempre sendo a cirurgia das pálpebras. Percebe-se que no íntimo o desejo de melhorar é maior, então eles deixam de lado os comentários e brincadeiras, por vezes tendenciosas dos amigos e concretizam a idéia.
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