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O maior problema é o constrangimento que seus portadores geralmente
sentem; muitos estão sempre escondendo a deformidade com roupas,
se abstêm de práticas esportivas e até de relacionamentos
afetivos, tornando suas vidas tristes e deprimidas.
Pectus Carinatum, ou peito de pombo, ou peito de sapateiro,
ou tórax em quilha é uma deformidade da parede torácica
relacionada ao crescimento tortuoso das cartilagens nas costelas,
caracterizado pela protusão do esterno no tórax. Ocorre
predominantemente no sexo masculino na proporção de
3:1 em relação ao feminino. O defeito na maioria das
vezes se acentua com o crescimento; porém, com pouco ou nenhum
sintoma clínico além do estético. O tratamento
inclui tratamento ortopédico, fisioterapia e cirurgia torácica
para reposicionar as costelas e o esterno. Casos de pectus carinatum
graves devem sempre passar por uma avaliação e eventual
correção cirúrgica prévia da estrutura
ósteo-cartilaginosa torácica com o cirurgião
de tórax. Nestes casos mais intensos a cirurgia plástica
precisa que a correção da deformidade óssea esteja
efetuada pelo cirurgião torácico, para depois trabalhar
na melhoria estética do resultado, através do uso de
próteses feitas sob medida para cada paciente. Entretanto,
nos casos de pectus carinatum com menor projeção do
esterno o cirurgião plástico pode melhorar a aparência
da deformidade, através da colocação de prótese
mamária na mulher, ou com prótese de peitoral nos homens.
Em ambos a colocação das próteses cria uma visão
mais regular da região e disfarça a projeção
esternal.
Pectus Excavatum consiste em uma depressão na região
anterior do tórax, devido a uma deformidade do osso esterno,
causada por um desenvolvimento desorganizado das cartilagens costais.
É mais freqüente no sexo masculino. As causas para a
ocorrência destas deformidades são desconhecidas. Sabe-se
que a grande maioria dos portadores deste defeito é assintomática;
mas, alguns podem apresentar problemas de ordem psicológica
que incluem introversão, perturbação da sociabilidade,
tendência para o isolamento ou mesmo agressividade diante
das brincadeiras de mau gosto dos colegas. Outros sintomas mais
raros podem incluir queixas cardíacas, como palpitações,
ou respiratórias, como sensação de falta de
ar. A gravidade da deformidade pode ser avaliada por radiografia
convencional ou tomografia computadorizada.
A correção do pectus excavatum é preferencialmente
avaliada e executada pelo cirurgião de tórax, com
cirurgias para o reposicionamento das cartilagens, costelas e do
osso esterno, através das diversas técnicas que são
indicadas de acordo com avaliação desse especialista.
A atuação do cirurgião plástico no paciente
com pectus excavatum é secundária à do cirurgião
de tórax, especialmente nos casos de deformidade mais acentuados;
mas, nas depressões pequenas ou moderadas do tórax
a cirurgia plástica pode auxiliar na melhora estética
do problema com o uso de próteses ou preenchimento.
Cada caso tem suas particularidades e limitações.
A cirurgia plástica nem sempre pode corresponder com a expectativa
de resultado de seus portadores, especialmente em deformidades maiores
e assimetrias marcantes.
Parece fácil dizer que basta preencher aquela "escavação".
Próteses especiais podem ser moldadas sobre o próprio
defeito, mas, não é assim que funciona; pois, muitos
tecidos diferentes estão envolvidos na deformidade e sua
reparação nem sempre comporta o mesmo material. Outro
fator a ser considerado são os efeitos colaterais das substâncias
de preenchimento injetáveis, como irregularidades, nodulações,
inflamações crônicas e mobilização.
As próteses de silicone para peitoral vendidas no mercado
não servem para correção de pectus excavatum,
uma vez que o problema é originalmente ósseo e não
muscular. Deste modo, costuma-se solicitar a confecção
de uma prótese especial para região esternal, produzida
com base em um molde personalizado. Estas próteses não
podem ter tamanho muito grande pela possibilidade de se tornarem
aparentes de algum modo. A prótese ficará coberta
apenas pela pele sobre o esterno, diferentemente do caso de próteses
mamárias ou de peitoral masculino que ficam cobertas por
tecidos com maior espessura. Deve-se ter em mente que nem sempre
é possível a perfeição no resultado
destas cirurgias, em decorrência das limitações
impostas pela própria deformidade óssea. Aconselhamos
sempre que o paciente procure primeiramente um cirurgião
de tórax conceituado para uma avaliação.
A Síndrome de Poland: Foi descrita por Alfred Poland
em 1841. Baseado em dissecção anatômica ele
a descreveu como a associação de defeito da parede
torácica e defeito da mão. É uma anomalia congênita
rara, com manifestação clínica extremamente
variável, podendo ser caracterizada pela ausência parcial
ou total do músculo peitoral maior, peitoral menor e serrátil,
da mama aréola e mamilo. Menos comumente se encontram defeitos
nas cartilagens e das costelas, redução de tecidos
subcutâneos da parede torácica, deformidade nos dedos
da mão e extremidades e falta de pêlos na região
axilar e mamária. Pesquisas científicas atuais revelam
que essa síndrome pode ter caráter hereditário
do tipo autossômico dominante com penetração
variável. No entanto, a ocorrência é tipicamente
um processo esporádico.
A cirurgia plástica na Síndrome de Poland pode ajudar
com uso de prótese de silicone de peitoral no sexo masculino
ou próteses de silicone mamário para o feminino. Casos
onde exista ausência de costelas devem ser avaliados em relação
à possibilidade de ter que reconstruir os seguimentos perdidos
com telas, próteses metálicas ou de outros materiais
aloplásticos, enxerto ósseo, para poder sustentar
a prótese de silicone mamário ou peitoral, evitando
a compressão pulmonar nestes casos mais graves.
Existem próteses de peitoral masculino no mercado; porém,
alguns casos têm melhor resultado quando se usa uma prótese
sob medida, especialmente moldada para o homem portador desta síndrome.
As mulheres normalmente têm mais opções através
dos implantes de silicone mamário apropriados; em alguns
casos há a necessidade de primeiramente colocar um próteses
expansora para distender a pele a fim de que possa comportar a prótese
definitiva.
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Como falamos inicialmente nas síndromes
(síndrome em medicina quer dizer o conjunto de sinais
e sintomas que acometem e particularizam determinados casos
patológicos), veja o que é e fique ligado. Isto
serve para pacientes e para os cirurgiões plásticos,
que antes de tudo são médicos. |
SÍNDROME DE MARFAN (ARACNODACTILIA, DOLICOSTENOMELIA)
A síndrome de Marfan, também conhecida como Aracnodactilia,
é uma desordem do tecido conjuntivo caracterizada por membros
anormalmente longos. Seu nome vem de Antoine Marfan, o pediatra
francês que primeiro a descreveu, em 1896. Cerca de 15% dos
casos têm genitores normais: nestes, a idade paterna média
aumentada sugere que são mutações novas. Os
portadores do gene podem apresentar desde nenhum sinal da doença
à síndrome plena. Estatura maior do que irmãos
que não foram afetados; distribuição sexual
normal; cabeça longa; apresentam miopia, deslocamento espontâneo
da retina; membros longos e delgados, frouxidão articular,
tórax em funil, envergadura dos braços maior que a
altura. A doença cardiovascular está presente em 60
a 80% dos pacientes com a síndrome. O tratamento é
sintomático e de apoio, intervenção cirúrgica
para o aneurisma de aorta e doença da valva aórtica
e mitral.
SÍNDROME DE JEUNE (DISTROFIA TORÁCICA, ASFIXIANTE)
Essa doença frequentemente termina em êxito letal na
lactância. A caixa torácica é bastante constringida
por costelas encurtadas e a constrição impede excursões
respiratórias e produz asfixia. Há membros relativamente
curtos, asas ilíacas quadradas hipoplásticas, acetábulo
deformado e epífises e metáfises irregulares. Polidactilia
pode estar presente. Os pacientes que sobrevivem à lactância
melhoram com o relativo crescimento do gradil costal e respiração
satisfatória, mas uma doença renal progressiva se
manifesta.
Nestas situações há de se avaliar individualmente
cada caso e o tratamento é multidisciplinar envolvendo várias
especialidades, sendo que a atuação da cirurgia plástica
é sempre final e dependente das ausências parciais
ou não das estruturas do tórax comprometidas para
a melhor solução de reconstrução. Há
muito que ser considerado diante das limitações impostas
pelos casos.
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MASTECTOMIA
Consideramos as mastectomias neste artigo como deformidade causada
no tórax em decorrência da remoção
parcial ou completa da mama, além das estrutura envolventes
como pele e musculatura local, devido a remoção
cirúrgica de um câncer.
As mastectomias propriamente ditas são realizadas normalmente
por mastologistas, ginecologistas e por alguns cirurgiões
plásticos voltados para a área de oncologia mamária.
A cirurgia plástica em geral trabalha as mamas esteticamente
aumentando, diminuindo, simetrizando, elevando ou reconstruindo
as mesmas.
Mastectomia é o nome da cirurgia de remoção
completa da mama. É um dos tipos de tratamento cirúrgico
para o câncer de mama.
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Tipos de mastectomia:
Mastectomia radical a Halsted consiste na retirada da glândula
mamária, associadas à retirada dos músculos
peitorais e a linfadenectomia axilar completa. Atualmente é
um procedimento incomum, devido à alta morbidade a ela associada
e a resultados bastante satisfatórios das técnicas
mais conservadoras.
Mastectomia radical modificada consiste na retirada da glândula
mamária e na linfadenectomia axilar, com preservação
de um ou ambos os músculos peitorais. Constitui o procedimento
cirúrgico realizado na maioria das pacientes com câncer
de mama nos estádios I, II e III. Este procedimento é
indicado: na presença de tumor acima de três cm, sem
fixação à musculatura; em pacientes com recidiva
após tratamento conservador; ou que apresentem qualquer condição
que as tornem inelegíveis ao tratamento conservador; e em
pacientes que não concordem com a preservação
da mama. É denominada de mastectomia radical modificada Patey,
quando ocorre a preservação do músculo grande
peitoral. Quando os dois músculos peitorais são preservados,
é chamada mastectomia radical modificada Madden.
Mastectomia total (simples): consiste na retirada da glândula
mamaria, incluindo o complexo areolar e aponeurose do músculo
peitoral. Os linfonodos axilares são preservados. É
indicada nos casos de: carcinoma ductal in situ; recidiva após
cirurgia conservadora; lesões ulcerativas em pacientes com
metástases a distância onde o controle local promove
melhor qualidade de vida; pacientes idosas com risco cirúrgico
elevado ou que não possuem adenopatias axilares palpáveis
ou evidência de doença a distância; e em pacientes
selecionadas para tratamento profilático.
Mastectomia subcutânea: Consiste na retirada da glândula
mamária, conservando os músculos peitorais e suas
aponeuroses, pele e complexo aréolo-papilar. Por deixar tecido
mamário residual com possibilidade de alterações
hiperplásicas e degeneração maligna, seu uso
é bastante questionado. Segundo Marchant (1997) uma série
de complicações são associadas a este procedimento,
incluindo hematoma e subseqüente fibrose, não devendo
ser empregado no tratamento do câncer de mama. É utilizada
como tratamento profilático e, alguns estudiosos acham que
seus resultados são inferiores ao da mastectomia simples.
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Cirurgia Plástica & o Tórax
O campo das reconstruções relativas à
região do tórax envolve muitas vezes mais que
nós especialistas em cirurgia plástica, especialmente
quando nos deparamos com casos de deformidades congênitas
envolvendo maiores alterações morfológicas
das costelas e do osso esterno, como as decorrnetes do pectus
excavatum, pectus carinatum ou pela ausência de alguns
segmentos costais em determinados casos ou síndromes.
Aqui o papel do especialista em cirurgia de tórax é
crucial para promover cirurgicamente o reposicionamento dessas
estruturas de suporte, realinhando as costelas e o esterno no
máximo possível, antes que nós cirurgiões
plásticos possamos intervir com a confecção
e colocação de próteses moldadas sobre
o defeito remanescente, melhorando a aspecto estético
final. |
As próteses de peitoral masculino servem para fins estéticos
na região do tórax masculino; porém, nos casos
reparadores de deformidades congênitas pode haver necessidade
de se confeccionar prórteses sob medida, em virtude da multiplicidade
de diferenças encontradas e em alguns pela inexistência
de algum grupo muscular. Nestes casos a prótese é
colocada por baixo da pele e da gordura e não por baixo do
músculo, como fazemos nos casos estéticos. Em alguns
casos a necessidade de reforço com uma tela a qual denominamos
de Marlex se faz necessário.
A Cirurgia Plástica reconstroe as deformidades adquidridas
após as mastectomias através de uma grande variedade
de técnicas, aplicadas de acordo com o grau de perda de substância
por elas geradas. Há vários tipos de mastectomia como
já vimos acima e a opção da ténica para
sua reparação pode ser desde a colocação
de prótese de silicone, isoladamente ou com auxílio
de um expansor cutâneo que é previamente inserido para
aumentar a quantidade de pele, até a utilização
dos diversos tipos de retalhos miocutâneos como o retalho
do músculo reto abdominal, do músculo grande dorsal,
retalhos locais ou a distância.
É verdade também que as estruturas do tórax
servem de substrato para a reconstrução de outras
partes de corpo, seja como área doadora de retalhos miocutâneos
e fáscio-cutâneos para regiões vizinhas, pescoço
e face, ou como área doadora de enxerto de cartilagem costal
para reparar deformidades da orelhas e nariz. Ressaltamos que cada
caso é um caso e deve ser avaliado criteriosamente para que
se obtenha um bom resultado.
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