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PECTUS
& MASTEC: DEFORMIDADES DO & NO TÓRAX E CIRURGIA PLÁSTICA
As deformidades da parede torácica são
denominadas de PECTUS e se traduzem pelo crescimento anormal das cartilagens
costais que empurram o osso externo para fora (CARINATUM) ou para dentro (EXCAVATUM).
Estas e outras alterações podem ser decorrentes de Síndromes
(Polland, Marfan e Jeune, por exemplo), ou de pós-operatório de
ressecção tumoral ou trauma. O PECTUS acomete em homens e mulheres;
sua provável causa seria a ocorrência de um defeito no centro de
crescimento das cartilagens costais durante a fase intra-uterina. Os entendidos
afirmam que estas deformidades não têm nenhuma relação
com a asma. Outro fator a considerar é o hereditário, devido à
repetição destes casos em uma mesma família.
O maior problema é o constrangimento que seus portadores geralmente sentem;
muitos estão sempre escondendo a deformidade com roupas, se abstêm
de práticas esportivas e até de relacionamentos afetivos, tornando
suas vidas tristes e deprimidas.
Pectus Carinatum, ou peito de pombo, ou peito de sapateiro, ou tórax
em quilha é uma deformidade da parede torácica relacionada ao
crescimento tortuoso das cartilagens nas costelas, caracterizado pela protusão
do esterno no tórax. Ocorre predominantemente no sexo masculino na proporção
de 3:1 em relação ao feminino. O defeito na maioria das vezes
se acentua com o crescimento; porém, com pouco ou nenhum sintoma clínico
além do estético. O tratamento inclui tratamento ortopédico,
fisioterapia e cirurgia torácica para reposicionar as costelas e o esterno.
Casos de pectus carinatum graves devem sempre passar por uma avaliação
e eventual correção cirúrgica prévia da estrutura
ósteo-cartilaginosa torácica com o cirurgião de tórax.
Nestes casos mais intensos a cirurgia plástica precisa que a correção
da deformidade óssea esteja efetuada pelo cirurgião torácico,
para depois trabalhar na melhoria estética do resultado, através
do uso de próteses feitas sob medida para cada paciente. Entretanto,
nos casos de pectus carinatum com menor projeção do esterno o
cirurgião plástico pode melhorar a aparência da deformidade,
através da colocação de prótese mamária na
mulher, ou com prótese de peitoral nos homens. Em ambos a colocação
das próteses cria uma visão mais regular da região e disfarça
a projeção esternal.
Pectus Excavatum consiste em uma depressão
na região anterior do tórax, devido a uma deformidade do osso
esterno, causada por um desenvolvimento desorganizado das cartilagens costais.
É mais freqüente no sexo masculino. As causas para a ocorrência
destas deformidades são desconhecidas. Sabe-se que a grande maioria dos
portadores deste defeito é assintomática; mas, alguns podem apresentar
problemas de ordem psicológica que incluem introversão, perturbação
da sociabilidade, tendência para o isolamento ou mesmo agressividade diante
das brincadeiras de mau gosto dos colegas. Outros sintomas mais raros podem
incluir queixas cardíacas, como palpitações, ou respiratórias,
como sensação de falta de ar. A gravidade da deformidade pode
ser avaliada por radiografia convencional ou tomografia computadorizada.
A correção do pectus excavatum é preferencialmente avaliada
e executada pelo cirurgião de tórax, com cirurgias para o reposicionamento
das cartilagens, costelas e do osso esterno, através das diversas técnicas
que são indicadas de acordo com avaliação desse especialista.
A atuação do cirurgião plástico no paciente com
pectus excavatum é secundária à do cirurgião de
tórax, especialmente nos casos de deformidade mais acentuados; mas, nas
depressões pequenas ou moderadas do tórax a cirurgia plástica
pode auxiliar na melhora estética do problema com o uso de próteses
ou preenchimento.
Cada caso tem suas particularidades e limitações. A cirurgia plástica
nem sempre pode corresponder com a expectativa de resultado de seus portadores,
especialmente em deformidades maiores e assimetrias marcantes.
Parece fácil dizer que basta preencher aquela "escavação".
Próteses especiais podem ser moldadas sobre o próprio defeito,
mas, não é assim que funciona; pois, muitos tecidos diferentes
estão envolvidos na deformidade e sua reparação nem sempre
comporta o mesmo material. Outro fator a ser considerado são os efeitos
colaterais das substâncias de preenchimento injetáveis, como irregularidades,
nodulações, inflamações crônicas e mobilização.
As próteses de silicone para peitoral vendidas no mercado não
servem para correção de pectus excavatum, uma vez que o problema
é originalmente ósseo e não muscular. Deste modo, costuma-se
solicitar a confecção de uma prótese especial para região
esternal, produzida com base em um molde personalizado. Estas próteses
não podem ter tamanho muito grande pela possibilidade de se tornarem
aparentes de algum modo. A prótese ficará coberta apenas pela
pele sobre o esterno, diferentemente do caso de próteses mamárias
ou de peitoral masculino que ficam cobertas por tecidos com maior espessura.
Deve-se ter em mente que nem sempre é possível a perfeição
no resultado destas cirurgias, em decorrência das limitações
impostas pela própria deformidade óssea. Aconselhamos sempre que
o paciente procure primeiramente um cirurgião de tórax conceituado
para uma avaliação.
A Síndrome de Poland: Foi descrita por
Alfred Poland em 1841. Baseado em dissecção anatômica ele
a descreveu como a associação de defeito da parede torácica
e defeito da mão. É uma anomalia congênita rara, com manifestação
clínica extremamente variável, podendo ser caracterizada pela
ausência parcial ou total do músculo peitoral maior, peitoral menor
e serrátil, da mama aréola e mamilo. Menos comumente se encontram
defeitos nas cartilagens e das costelas, redução de tecidos subcutâneos
da parede torácica, deformidade nos dedos da mão e extremidades
e falta de pêlos na região axilar e mamária. Pesquisas científicas
atuais revelam que essa síndrome pode ter caráter hereditário
do tipo autossômico dominante com penetração variável.
No entanto, a ocorrência é tipicamente um processo esporádico.
A cirurgia plástica na Síndrome de Poland pode ajudar com uso
de prótese de silicone de peitoral no sexo masculino ou próteses
de silicone mamário para o feminino. Casos onde exista ausência
de costelas devem ser avaliados em relação à possibilidade
de ter que reconstruir os seguimentos perdidos com telas, próteses metálicas
ou de outros materiais aloplásticos, enxerto ósseo, para poder
sustentar a prótese de silicone mamário ou peitoral, evitando
a compressão pulmonar nestes casos mais graves.
Existem próteses de peitoral masculino no mercado; porém, alguns
casos têm melhor resultado quando se usa uma prótese sob medida,
especialmente moldada para o homem portador desta síndrome. As mulheres
normalmente têm mais opções através dos implantes
de silicone mamário apropriados; em alguns casos há a necessidade
de primeiramente colocar um próteses expansora para distender a pele
a fim de que possa comportar a prótese definitiva.
SÍNDROME DE MARFAN (ARACNODACTILIA, DOLICOSTENOMELIA)
A síndrome de Marfan, também conhecida como Aracnodactilia, é
uma desordem do tecido conjuntivo caracterizada por membros anormalmente longos.
Seu nome vem de Antoine Marfan, o pediatra francês que primeiro a descreveu,
em 1896. Cerca de 15% dos casos têm genitores normais: nestes, a idade
paterna média aumentada sugere que são mutações
novas. Os portadores do gene podem apresentar desde nenhum sinal da doença
à síndrome plena. Estatura maior do que irmãos que não
foram afetados; distribuição sexual normal; cabeça longa;
apresentam miopia, deslocamento espontâneo da retina; membros longos e
delgados, frouxidão articular, tórax em funil, envergadura dos
braços maior que a altura. A doença cardiovascular está
presente em 60 a 80% dos pacientes com a síndrome. O tratamento é
sintomático e de apoio, intervenção cirúrgica para
o aneurisma de aorta e doença da valva aórtica e mitral.
SÍNDROME DE JEUNE (DISTROFIA TORÁCICA,
ASFIXIANTE)
Essa doença frequentemente termina em êxito letal na lactância.
A caixa torácica é bastante constringida por costelas encurtadas
e a constrição impede excursões respiratórias e
produz asfixia. Há membros relativamente curtos, asas ilíacas
quadradas hipoplásticas, acetábulo deformado e epífises
e metáfises irregulares. Polidactilia pode estar presente. Os pacientes
que sobrevivem à lactância melhoram com o relativo crescimento
do gradil costal e respiração satisfatória, mas uma doença
renal progressiva se manifesta.
Nestas situações há de se avaliar individualmente cada caso e o tratamento é multidisciplinar envolvendo várias especialidades, sendo que a atuação da cirurgia plástica é sempre final e dependente das ausências parciais ou não das estruturas do tórax comprometidas para a melhor solução de reconstrução. Há muito que ser considerado diante das limitações impostas pelos casos.
MASTECTOMIA
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