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Para
os homens: O tamanho da dúvida
Se homens não se preocupam com depilação e celulite, há
algo capaz de lhes tirar o sono: o tamanho do pênis.
Entre a puberdade e a idade adulta, raros homens - muito raros mesmo - não
tiveram a cabeça invadida por uma dúvida capaz de consumir a existência,
destruir fantasias e tornar-se a mãe de todas as inseguranças:
o tamanho do documento. Haja grilo. É natural. A angústia leva
os homens à constrangedora consulta médica, questionando o tamanho
que julgam pequeno.
A quase totalidade descobre que é absolutamente normal. Mas não
em 100% das clínicas especializadas particulares. Em algumas, mesmo para
clientes com, digamos, dimensões normais, são oferecidas sedutoras
promessas de acrescentar alguns centímetros à tão valiosa
parte da anatomia.
O receituário para alongar ou alargar o órgão sexual é
variado: extensores, cirurgias, enxerto de placas de colágeno, injeções
de gordura, metacrilato ou ''gel russo''. Renomados especialistas brasileiros
e estrangeiros, no entanto, condenam esses tratamentos. ''Seus promotores são
vendedores de ilusões'', denuncia Eric Wroclawski, presidente da Sociedade
Brasileira de Urologia. Seu colega Ira Sharlip, presidente da Sociedade Americana
de Medicina Sexual, é outro que reprova: ''Não há pesquisas
científicas que autorizem um médico a usar esses tratamentos em
homens com pênis normal''.
A Sociedade Alemã de Urologia também rejeita os procedimentos.
''Eles não têm o que fazer pela saúde, são propostas
puramente comerciais'', critica o professor Klaus-Peter Jünemann, da Faculdade
de Medicina da Universidade de Heidelberg. No Brasil, os tratamentos estão
proibidos nos consultórios desde 1997 pelo Conselho Federal de Medicina,
CFM. A justificativa é de que ainda não existem técnicas
satisfatórias para a indicação estética. ''Os pacientes
continuam sendo enganados e usados como cobaias'', vai fundo Sidney Glina, presidente
da Sociedade International para a Pesquisa da Impotência e da Sexualidade.
Os falsos milagres
Extensores
Vendidos pela Internet e em sex-shops, esses aparelhos, com duas hastes
metálicas e um anel de plástico, submetem o pênis à
tração contínua de 600 a 1.500 gramas. Um tratamento condenado
pelo médico Ronaldo Damião, professor titular de Urologia da Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ). Não há um estudo sério
no mundo, mostrando que colocar peso no pênis o aumenta. Também
inexistem pesquisas sobre os benefícios e malefícios a longo prazo.
Mas uma coisa já se sabe: há risco de o pênis necrosar se
o aparelho apertar demais. O resultado pode ser desastroso. Quem buscava centímetros
a mais poderá tê-los a menos ou, até, centímetro
nenhum.
Cirurgias
Outra cilada é a operação que corta os ligamentos suspensores - precisamente as estruturas que dão sustentação à ereção. Sua ''fase de glória'' foi de 1995 a 97. Na época, o médico Alfredo Romero, de São Paulo, prescrevia: ''Se o homem tem dez ou 15cm de pênis ereto, mas o quer maior, basta seccionar os ligamentos que prendem o membro ao púbis. Em alguns casos, alonga até sete centímetros''. Atualmente, admite números menores. Só que, apesar do discurso mais comedido, médicos que fazem essa cirurgia prosseguem enganando quem os procura. Para começar, brasileiros com dez ou 11 centímetros de pênis em ereção estão dentro das medidas normais. ''Um órgão mais avantajado, às vezes, provoca dor ao tocar o colo do útero'', observa o médico Luís Otávio Torres, chefe do Serviço de Andrologia do Hospital do Servidor Público Estadual de Minas Gerais. Quanto à cirurgia, o que faz é expor a parte do pênis normalmente embutida. ''Mas o que foi aumentado - um a três centímetros - pode ser perdido com a cicatrização'', alerta o professor Arnold Melman, da Clínica de Urologia da Faculdade de Medicina Albert Einstein, em Nova York. Em conseqüência, o pênis pode ficar até menor. Pode também perder a angulação natural durante a ereção, interferindo até no ato sexual. Sem contar que os nervos responsáveis pelas sensações podem ser lesados ou comprimidos pela cicatrização.
Injeções
Quem busca
aumentar a largura encontra no caminho um arsenal muito mais variado de ciladas:
lipoescultura e injeções de metacrilato e gel russo (feito à
base de ácido hialurônico). Rolf Gemperli, professor de Cirurgia
Plástica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
(USP), combate: ''O pênis não comporta plásticas como os
seios. Devido à complexidade dos seus mecanismos, pode ter o funcionamento
comprometido''. As substâncias injetadas podem provocar cistos, cicatrizes
internas, necrose, redução da sensibilidade e comprometimento
do desempenho e da estabilidade do pênis.
É verdade...
9 cm, 12 cm, 16 cm.... Todas essas medidas estão OK. A garantia é
dos urologistas Luís Otávio Torres e Cláudio Telöken,
que pesquisaram o assunto em Belo Horizonte e no Rio Grande do Sul. A maioria
ficou nos 11 cm. ''Todos que estão dentro dessas medidas são normais'',
assegura Telöken. O que há são variações, de
acordo com a constituição física. Só que as diferenças
não são significativas.
No geral, o pênis menos avantajado cresce mais durante a ereção
do que o ''mais dotado''. Quando estão em ponto de bala, os pênis
maiores tendem a endurecer mais do que crescer. No final das contas, fica tudo
do mesmo tamanho.
Se você ainda está na adolescência e o volume das calças
é a sua maior preocupação, não esquente. Seu pênis
começou a crescer aos 11 anos e só vai parar por volta dos 17.
Masculinidade
não é proporcional aos centímetros do pênis. O que
existe é uma questão de vaidade e auto-estima.
Muitos homens acham que o documento maior é sinônimo de virilidade,
motivo de inveja e respeito por parte de outros machos.
Texto de: Conceição Lemes (no.com.br) Verdades e mentiras retirados
de: O livro do pênis, de Maggie Paley; Armando a barraca, de Nick Fisher
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