CASOS CLÍNICOS

MASTOPLASTIA REDUTORA

REDUÇÃO DE MAMAS: conteúdo-(glândula/gordura) versus continente-(pele)


01
. Entre as minhas três irmãs fui a que menstruou mais cedo, aos 11 anos de idade. Agora estou com 15 anos e tenho as mamas grandes demais. Incomoda muito a postura, mas o constrangimento que sinto é maior porque sempre acho que estou chamando atenção. Não estou indo mais à praia e tenho muita dificuldade de encontrar sutiã e blusinhas.

 


Resposta
: Apesar da sua pouca idade, sua história e queixas mostram que você desenvolveu o que se chama de Hipertrofia Virginal das Mamas. O aumento rápido e excessivo das mamas vem acompanhado do aparecimento de estrias na pele devido ao estiramento, além de vício de postura provocado pelo maior peso mamário. Normalmente espera-se até os dezoito anos de idade para fazer uma cirurgia de redução mamária; porém, nestes casos, pode-se antecipar a cirurgia para evitar problemas de ordem física e psicológica na paciente. Entretanto, é bom saber que as mamas ainda podem sofrer alguma mudança no tamanho após a redução, uma vez que seu desenvolvimento pode ainda não estar completado nessa idade. É importante a participação dos seus pais para dar a autorização.

02. Tenho 62 anos e sempre tive mamas fartas. Há mais ou menos uns 30 anos atrás algumas amigas minhas fizeram a cirurgia plástica das mamas. Era moda naquela época ter seios pequenos, mas nunca dei bola para isso. Agora, já com esta idade e mesmo sabendo que a moda atual é ter mamas grandes, gostaria de diminuir as minhas porque o peso delas incomoda muito a coluna; também com esta idade acho que não tem sentido ter as mamas tão grandes.

Resposta: A sua idade não é impedimento para a realização dessa cirurgia, desde que seus exames pré-operatórios e saúde assim os permitirem. O peso excessivo das mamas pode realmente agravar problemas da coluna, pois altera o ponto de equilíbrio do corpo e sobrecarrega a musculatura paravertebral. Há também o problema das irritações da pele nos sulcos mamários ou eczema. Mamas muito grandes e flácidas fazem com que as alças do sutiã provoquem a formação de sulcos profundos nos ombros e às vezes até chegam a ferir. Com relação ao modismo, realmente há algum tempo atrás o desejo das mulheres era o de ter mamas pequenas, entretanto o ideal é que a paciente sempre tenha consciência daquilo que deseja fazer com o seu corpo, independentemente dos modismos. A moda é passageira e o que é bom para outros, às vezes não é bom para si mesmo.

03. Tenho 19 anos e a tendência de tamanho das minhas mamas sempre foi para maior e mais durinha e gostava muito. Há um ano atrás a minha menstruação ficou irregular, tinha mês que vinha até duas vezes, em outro mês falhava. Depois que fiz um tratamento com anticoncepcional notei que elas aumentaram muito de tamanho, apareceram estrias e elas ficaram caídas. Tenho muito peito e sobra para todo lado. A minha menstruação agora está normalizada.

Resposta: Na sua história você relacionou o aumento repentino das mamas ao uso de uma medicação hormonal, para tratamento de alguma disfunção no seu ciclo menstrual. Porém, não se pode afirmar esta relação, uma vez que outros fatores de caráter familiar ou constitucional devem ser considerados. Já que a menstruação está regularizada e o que a incomoda é o volume aumentado e a flacidez resultante nas mamas, a indicação é a cirurgia clássica de redução mamária com incisão final em "T" invertido pela técnica de Pitanguy, que preserva a unidade anatômico-funcional das mamas, permitindo a amamentação posteriormente, preservando a sensibilidade local. Com relação às estrias, o dano já foi causado e sairão apenas aquelas que estiverem contidas na área de incisão e ressecção, segundo a técnica cirúrgica empregada.

04. Antes de engravidar as minhas mamas eram de um tamanho médio. Quando engravidei os meus seios ficaram lindos, era a parte do meu corpo que mais gostava. Após a amamentação eles diminuíram um pouco, mas ficaram caídos. Não têm mais a mesma beleza e não quero colocar próteses, nem aquela cicatriz que parece um T invertido.

Resposta: A maioria das pacientes relata essa mesma experiência durante a gravidez. Isto porque a glândula mamária sofre ação hormonal durante a gestação com o fim de produzir leite para o bebê. Assim, há um aumento de volume mamário em seu conteúdo, dando um aspecto túrgido, bastante apreciado pelas mulheres. Após o nascimento do bebê e do período de amamentação ocorre uma regressão da glândula mamária ao seu estado anterior à gravidez, mas o continente, ou seja a pele que a envolve, não acompanha esta involução na sua totalidade, pois ocorreu um aumento real dela durante esse período. No seu caso, onde relata pouca queda e ainda um volume razoável de tecido mamário, pode-se fazer uma remodelagem das mamas através da técnica com incisão vertical abaixo das aréolas e reposicionando as mesmas adequadamente. Mesmo sabendo do seu desinteresse pelo implante mamário de silicone, é o nosso dever informar que a colocação de uma prótese, associada ou não a esta técnica cirúrgica, também poderia ser uma outra solução para preencher o volume perdido.

05. O meu caso é o seguinte: durante a amamentação, não sei se porque o meu filho mamava mais em um peito, o resultado é que agora tenho um peito mais caído que o outro. Quando me olho no espelho fico desapontada comigo mesma, porque acho-os feios e fico pensando se o meu marido acha a mesma coisa.

Resposta: A assimetria das mamas é mais freqüente do que se pensa. Não há mamas exatamente iguais, pois o nosso corpo apresenta naturalmente diferenças entre um lado e outro, algumas destas observadas nos pés, mãos, face, etc. Essa assimetria pode acentuar-se e passar a ser mais visível após as alterações sofridas com a gravidez e amamentação.
A cirurgia visa equilibrar os volumes e melhorar a forma das mamas, tornando-as o mais semelhantes possível. As opções cirúrgicas ficam em aberto para a melhor técnica que estiver em acordo com o aspecto que se encontram as mamas, o seu desejo e as possibilidades; por exemplo: você quer manter o mesmo tamanho das mamas apenas equilibrando-as em volume? Ou além disso, você quer também aumentá-las? Nós, os cirurgiões plásticos, precisamos de um aval e entender bem a vontade de quem quer se submeter a uma cirurgia para decidir qual o procedimento mais apropriado.
Quanto ao que pensa seu marido, nada melhor que perguntar sua opinião e pedir seu apoio se a cirurgia for a sua escolha.

06. Sou muito objetiva. Já vi algumas amigas minhas que fizeram plástica de mamas. Ficaram bonitas, mas não quero cicatriz. Li em uma revista que tem uma técnica que reduz o peito através da aréola. Tenho os seios grandes e não gosto. Queria deixar de usar sutiã 46 e passar para 42.

Resposta: Sim, a técnica de mamaplastia por incisão peri-areolar foi descrita há muitos anos e teve um período em que foi abandonada devido às suas complicações, mas voltou a ser divulgada recentemente com a pretensão de não deixar cicatriz. Isto é um equívoco, pois a cicatriz resultante em volta das aréolas é feita sob grande tensão e franzimento da pele, ocasionando posteriormente, alargamento desta e aspecto inestético em grande número de casos. Também não se trata de uma técnica que possa ser aplicada a todos os casos, principalmente quando se pretende fazer maiores reduções de volume, o que é o seu caso. Já vimos muitos casos para dizer que o resultado tardio dessa técnica produz mamas que tendem a ficar achatadas e com aréolas deformadas; além do perigo de perda de sensibilidade, ocasionado pelos grandes descolamentos de pele necessários durante a sua realização.
Aconselhamos que você repense quanto às outras possibilidades cirúrgicas e as vantagens de seus resultados aplicados ao seu caso em particular. Não há cirurgia sem cicatriz.

07. Tenho os seios grandes e o tórax largo. Sei que as cicatrizes resultantes são: uma no meio do peito e a outra no sulco que fica logo embaixo. Não quero que as cicatrizes se unam no meio do tórax. O doutor poderia poupar essa região e fazer uma técnica que resultasse numa cicatriz tipo a letra "L" maiúscula.

Resposta: A técnica de escolha para a redução do volume mamário está relacionada ao maior ou menor volume e grau de flacidez apresentados pelas mamas. Por exemplo: quanto maior e mais flácida for a mama e maior a redução desejada, também maiores serão as cicatrizes necessárias. Não obstante à técnica empregada, quando realizada segundo critérios adequados, visa manter as cicatrizes resultantes dentro dos limites da implantação mamária, sem unir-se na linha média ou ultrapassar a linha axilar anterior.
A técnica com cicatriz em "L" voltado para a lateral das mamas pode ser empregada em casos menores ou limítrofes, porém sua cicatriz costuma sofrer alargamento devido ao nível de tensão que se concentra em uma só direção e por vezes, ao longo do tempo, pode fazer com que as mamas pareçam rodadas para o centro. Isto é passível de ocorrer principalmente em mamas com maior volume e mais flacidez. O ideal em cada caso é fazer-se uma avaliação cuidadosa, levando em consideração o desejo individual e as possibilidades existentes, para então decidir-se qual será o melhor procedimento


08. Quando eu tinha 22 anos fiz uma plástica de mamas que resultou numa cicatriz em "T" invertido. Amamentei normalmente. Hoje tenho 42 anos e as mamas estão murchas e caídas. Posso fazer uma outra plástica para melhorar?

Resposta: A possibilidade de uma reoperação existe e o procedimento de escolha dependerá também do que você pretende como resultado. A remodelagem das mamas poderá ser feita de acordo com o volume e a quantidade de tecido mamário remanescente e seguir dois caminhos: o primeiro seria apenas a remodelagem, mantendo todo o volume interior existente e retirando-se o excesso de pele pelas cicatrizes apresentadas. O segundo seria a remodelagem mamária associada ao aumento de seu volume através da colocação de prótese de silicone.

09. Passados três anos que fiz a minha plástica de mama, tive momentos difíceis na minha vida. Sofri depressão e engordei muito. Como resultado as cicatrizes das minhas mamas ficaram alargadas e elas também não estão nada bonitas. Posso consertar?

Resposta: A remodelagem de mamas previamente operadas é prática relativamente comum. As alterações da forma mamária e das cicatrizes geralmente estão relacionadas a distúrbios metabólicos, hormonais ou psicológicos que levem ao aumento repentino de peso ou posterior perda excessiva do mesmo. A cicatriz se alarga devido à grande tensão exercida pelo crescimento do volume interno da mama.Lembramos que a mama é constituída por uma parte glandular e outra de tecido gorduroso. Muitas vezes ocasiona também o surgimento de estrias e perda da forma deixada pela cirurgia inicial. Vale dizer que cicatriz alargada não é a mesma coisa que quelóide. Caso suas mamas apresentem volume aumentado, além da correção de cicatrizes, a remodelagem necessitará de redução adequada do seu conteúdo, devolvendo uma relação conteúdo-continente apropriada.

10. Doutor, sou negra e tenho os seios grandes e caídos, sei que uma cirurgia plástica poderá resolver a vontade de ter as mamas mais harmônicas comigo. Mas tenho medo de fazer quelóide. O meu marido não me apóia, diz apenas que "está bom assim". O resultado é que fico com muito medo de tudo.

Resposta: Ouve-se sempre dizer que pessoas de pele escura têm constitucionalmente maior tendência à formação de quelóide. Entretanto, a regra não é geral para todos. Há muitos casos de pessoas de pele escura que fizeram tal cirurgia e não desenvolveram posteriormente o quelóide. Estão ainda propensos à formação de quelóide os judeus, os ingleses e toda nossa sociedade miscigenada. A formação de quelóide é um assunto bastante complexo.
Antes de qualquer cirurgia, investigamos se há história pessoal ou familiar de quelóide, para que as devidas providências preventivas sejam tomadas de imediato. Esse tratamento deve ser instituído já nas primeiras 24h após a realização da cirurgia, através de radioterapia superficial sobre as cicatrizes, feito em serviço especializado. Outras medidas são instituídas de rotina como: massagem das cicatrizes e compressão, quando achar necessário.
"A opinião do marido": é comum na nossa rotina de consultório ouvirmos a queixa de falta de apoio do marido ou de familiares e até de outras pessoas. O que comentamos é que a paciente tem que ter a noção individual do que lhe proporcionará o bem estar consigo mesma, valorizando o que quer fazer perante seus familiares. A nossa obrigação é informar e tornar claro tudo que estiver ao nosso alcance, inclusive solicitando a presença do companheiro em nova consulta. Observe que temos um site que auxilia nesse objetivo. O marido, os familiares e os amigos são fatores de sua responsabilidade. Converse com eles e mostre o seu ponto de vista.

11. Sou casada, tenho 33 anos, 2 filhos e os seios grandes e caídos. Já estive por duas vezes prestes a fazer a cirurgia plástica da minhas mamas, mas desisti porque sou uma mulher extremamente medrosa. Tenho medo da anestesia e sempre fico pensando nas complicações de uma cirurgia. Desejo muito fazer a cirurgia e além do mais o meu marido me apóia muito. Como poderia resolver este dilema?

Resposta: Realmente não se pode pensar em cirurgia quando o paciente se encontra neste estágio de insegurança e medo. Estes são fatores agravantes para qualquer cirurgia eletiva. Aconselhamos um apoio psicológico para tentar resolver este dilema , já que o apoio do seu marido é um ponto a favor.
"Medo da anestesia", a maioria dos nossos pacientes o têm, mas nós cirurgiões precisamos e dependemos muito da anestesia para a realização de nossas cirurgias, por "N" motivos. A nossa equipe é composta por profissionais gabaritados e de extrema experiência e profissionalismo. A anestesia mais utilizada nas cirurgias das mamas é a geral, pela maior segurança que oferece ao paciente e à equipe, apesar de poder-se optar por outras formas de anestesia em casos particulares. É sempre bom pensar no melhor, pois ninguém acha que o avião pode cair quando se faz uma viagem e utiliza-se este meio de transporte, mesmo correndo este risco.
Com relação às complicações, uma elevação de pressão arterial não controlada pode predispor à formação de um hematoma; a falta de repouso e o não seguimento das recomendações médicas pode causar cicatrizes inestéticas, por exemplo: faxinas pesadas, ginástica que force o abrir e fechar o braço em repetidas vezes, direção precoce de automóvel. A má cicatrização poderá ocorrer em fumantes. A rejeição de pontos internos, que só pode ser detectada depois da cirurgia realizada, é um agravante a se considerar. Riscos há em qualquer cirurgia e na vida; mas procuramos estar sempre alerta para evitá-los e controlá-los.

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