CASOS CLÍNICOS

ORELHAS DE ABANO - Chega de Apelidos, gozações e constragimentos!

01
. Uma mãe apreensiva, chega ao consultório acompanhada de seu filho de 4 anos de idade dizendo que ele não estava mais querendo ir à escola ou descer ao playground do prédio onde morava para brincar como de costume.

 


Relatou que o menino era uma criança com um comportamento normal para a idade. Gostava de brincar com os coleguinhas, assistir desenhos na TV e as outras coisas que qualquer criança desta idade costuma fazer normalmente.
Investigando aqui e ali como qualquer mãe, ela ouviu o seguinte relato inocente do seu filho: - Mãe, ontem, durante o recreio, os meus amiguinhos fizeram uma fila na minha frente e cada um vinha e me dava uma moedinha, como se fosse uma ficha e tentavam colocar na minha orelha dizendo que queriam telefonar e aí começaram a rir e me chamar de “orelhão de telefone”. Doutor, pergunta a mãe discretamente, o senhor pode “me ajudar”?

Resposta: Senhora, o seu filho possui o que chamamos de “orelhas em abano” e tem correção através de uma cirurgia. Podemos intervir justamente a partir da idade de quatro anos, pois nesta idade o pavilhão auricular já apresenta condição de desenvolvimento adequado. Quanto aos apelidos e brincadeiras dos coleguinhas, isso é muito comum; o importante é procurar encarar de forma natural, apoiando seu filho e não como um problema, para não traumatizá-lo.

Orelha em abano é uma deformidade de origem congênita e pode apresentar-se de variadas formas. Pode até mesmo ser unilateral e comumente têm graus diferentes em cada lado.

A cirurgia tem a finalidade de remodelar o pavilhão auricular, criando as dobras que faltam e reposicionando adequadamente. Nos adolescentes e adultos fazemos a intervenção sob anestesia local e sedação, porém em crianças muito pequenas o melhor é realizar sob anestesia geral.

02. Dois irmãos adolescentes, um com 13 anos e o outro com 15 anos chegam ao consultório com o pai. O mais jovem pergunta: -Meu pai e o meu irmão têm orelhas em abano, quando eu fizer 15 anos as minhas orelhas vão ficar que nem a deles, olhando e rindo para os dois, pai e o filho de 15 anos?

Resposta: Não, as orelhas em abano têm sim um fator hereditário, mas são alterações congênitas e por isso já vêm com a pessoa logo ao nascimento. Aparecem no segundo mês de gestação segundo estudos embriológicos. Não se desenvolvem depois. Você que não as possui não desenvolverá, mas o seu pai e seu irmão podem corrigir as deles quando quiserem e ficar como você se assim desejarem. Entretanto, você (dirigindo-se ao irmão que não têm orelhas em abano) poderá passar para as suas futuras gerações o gen desta deformidade.

03. Durante um jantar em um restaurante famoso da cidade do Rio de Janeiro, fomos atendidos com muita simpatia e profissionalismo por um garçom muito educado. Porém, em uma outra mesa havia algumas pessoas que o chamaram de “orelhinha”; mesmo que de forma carinhosa, isso nos fez tomar a liberdade de perguntá-lo, ao término do nosso jantar, se as suas “orelhas em abano” lhe causavam algum constrangimento em sua vida profissional. Ele respondeu: - olha doutor, incomodar incomoda, além do mais os meus colegas do serviço sempre fazem uma piadinha. Eu já nasci assim e minha avó dizia que se a minha mãe tivesse amarrado a minha cabeça apertando as orelhas ou tivesse colado com esparadrapo, elas teriam ficado normais. Isso é verdade?

Resposta: Não é verdade. A alteração existente nas orelhas em abano é de ordem estrutural; é uma deformidade da cartilagem formadora do pavilhão da orelha e provém de um fator genético. É como uma mola muito forte feita pela cartilagem alterada, que só se corrige quando se quebra esse sistema. O fato de apertar ou colar por um tempo é apenas lenda, pois acaba voltando à situação anterior. A orelha em abano freqüentemente vem acompanhada de conchas muito grandes (hipertrofia) e isto só pode ser resolvido com a cirurgia. A cirurgia de correção das orelhas aconteceu com a equipe da BG e o paciente ficou satisfeito com o resultado e continua a trabalhar no mesmo lugar.

04. Ainda a respeito de profissional da área de prestadores de serviço de restaurante. Um “maitre” procurou o nosso consultório médico devido às suas orelhas abanadas. Só que elas, as suas orelhas em abano, apresentavam formas diferentes, ou seja, uma era mais “abanada que a outra”. E a outras não tinha aquelas dobrinhas que parece com a letra “Y” encurvada, que chamamos de hélix e anti-hélix. O maitre pergunta: -Doutor, eu não me importo com “as gracinhas dos meus colegas”, mas por trabalhar com o público fico constrangido por achar que as minhas orelhas chamam muito mais atenção do que o meu trabalho, ou seja, na hora que estou apresentando o cardápio ou apresentando uma sugestão de algum prato. Quando me retiro para fazer o pedido fico achando que os clientes ficam comentando alguma coisa a meu respeito. Disse para mim mesmo que resolveria “isso”, pedi quinze dias de licença. Será que dá para o doutor corrigir estas minhas orelhas a tempo?

Resposta: Sim. A cirurgia poderá será feita em caráter ambulatorial (Day Clinic) após o resultado dos exames de rotina pré-operatórios. Usa-se anestesia local e sedação. Uma semana depois os pontos, que ficam atrás das orelhas, serão retirados. Durante esse período de quinze dias, pedimos que use uma faixa, do tipo usado pelos tenistas, para dar conforto às orelhas. Com quinze dias de licença que você referiu nas consulta, provavelmente poderá retornar às suas atividades profissionais.

05. Uma paciente candidata à cirurgia de rejuvenescimento da face fez a seguinte observação: “-Doutor, uma amiga minha disse que vocês “Cirurgiões Plásticos” tiram as orelhas da cabeça da gente e depois colocam de novo no lugar, quando fazem a cirurgia de rosto. Se isso for verdade, será que o senhor pode, nessa hora, melhorar a forma da “concha” que elas têm? Eu acho que elas são muito afastadas da cabeça e só uso o cabelo solto. Quero usar um “rabo de cavalo” e cortar o cabelo mais curto.

Resposta: Primeiramente vamos esclarecer esse mito de tirar as orelhas; isso não é verdade nem poderia ser feito. As incisões utilizadas durante um lift de face apenas circundam em parte as orelhas, somente comprometendo a pele superficialmente, mas as orelhas permanecem em sua situação original. O cirurgião habilitado terá cuidado apenas em esconder ao máximo as cicatrizes e manter a naturalidade dos lóbulos das orelhas para não parecerem colados.

Segundo, quando a pessoa que se submeterá a uma cirurgia de face for portadora de orelhas em abano, pode-se associar a cirurgia de correção destas sem problemas. Porém, trata-se de um procedimento à parte, ou seja, não faz parte da cirurgia estética da face, a qual engloba em muitos casos o tratamento dos excessos de pele e bolsas de gorduras das pálpebras e pescoço.

06. Uma paciente que usava óculos devido à miopia, ganhou de presente de aniversário de 15 anos a cirurgia de correção de suas orelhas em abano. Na consulta fez o seguinte questionamento: -Doutor, como é o pós-operatório desta cirurgia. Dói muito. Quanto tempo terei de me ausentar da escola. Outra coisa é que não enxergo sem óculos, tem algum problema para usá-los depois da cirurgia?

Resposta: O pós-operatório dessa cirurgia não é doloroso quando a(o) paciente segue as orientações e toma a medicação prescrita. Depois de cinco dias de operada você poderá retornar à escola, usando uma faixa na cabeça do tipo que as bailarinas usam para prender o cabelo. Ela protegerá suas orelhas e dará conforto aos movimentos. Quanto ao uso de óculos, estes deverão ter suas hastes alargadas e serem colocados sobre a faixa para não machucar atrás das orelhas, onde se encontram as cicatrizes.

07. Doutor, desde criança, minha mãe sempre me fez usar aquelas fitas tipo bailarina cobrindo as orelhas para elas se juntarem à cabeça. Ela dizia que do mesmo jeito que se passa uma faixa no umbigo das crianças para eles não “estufarem” o mesmo poderia se fazer com as orelhas para não ficarem abanadas. Tenho 15 anos e já me informei que tem uma cirurgia, na qual basta tirar um pouquinho de pele atrás, dar uns pontinhos e as orelhas ficam juntas da cabeça. Posso fazer essa cirurgia com anestesia local. -“Eu prometo ao Senhor que agüento. O que não suporto mais é aquela faixa colada o tempo todo no meu rosto”.

Resposta: Como você já observou, o fato de prender as orelhas junto à cabeça não leva à correção da situação abanada que elas apresentam. Por ser uma alteração congênita com deformidade da cartilagem, só através de um trabalho sobre as cartilagens, pele, etc; é que se consegue corrigir o defeito e dar um aspecto normal quanto à forma e situação das orelhas.

A maioria dessas cirurgias é feita sob anestesia local e sedação, sem dor ou desconforto algum aos pacientes, portanto não precisa mesmo ter medo. E para que a cirurgia aconteça é imprescindível a realização dos exames pré-operatórios de rotina e que estes tenham resultados favoráveis.

voltar