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Relatou que o menino era uma criança com um comportamento
normal para a idade. Gostava de brincar com os coleguinhas, assistir
desenhos na TV e as outras coisas que qualquer criança desta
idade costuma fazer normalmente.
Investigando aqui e ali como qualquer mãe, ela ouviu o seguinte
relato inocente do seu filho: - Mãe, ontem, durante o recreio,
os meus amiguinhos fizeram uma fila na minha frente e cada um vinha
e me dava uma moedinha, como se fosse uma ficha e tentavam colocar
na minha orelha dizendo que queriam telefonar e aí começaram
a rir e me chamar de orelhão de telefone. Doutor,
pergunta a mãe discretamente, o senhor pode me ajudar?
Resposta: Senhora, o seu filho possui o que chamamos de
orelhas em abano e tem correção através
de uma cirurgia. Podemos intervir justamente a partir da idade de
quatro anos, pois nesta idade o pavilhão auricular já
apresenta condição de desenvolvimento adequado. Quanto
aos apelidos e brincadeiras dos coleguinhas, isso é muito
comum; o importante é procurar encarar de forma natural,
apoiando seu filho e não como um problema, para não
traumatizá-lo.
Orelha em abano é uma deformidade de origem congênita
e pode apresentar-se de variadas formas. Pode até mesmo ser
unilateral e comumente têm graus diferentes em cada lado.
A cirurgia tem a finalidade de remodelar o pavilhão auricular,
criando as dobras que faltam e reposicionando adequadamente. Nos
adolescentes e adultos fazemos a intervenção sob anestesia
local e sedação, porém em crianças muito
pequenas o melhor é realizar sob anestesia geral.
02. Dois irmãos adolescentes, um com 13 anos e o
outro com 15 anos chegam ao consultório com o pai. O mais
jovem pergunta: -Meu pai e o meu irmão têm orelhas
em abano, quando eu fizer 15 anos as minhas orelhas vão ficar
que nem a deles, olhando e rindo para os dois, pai e o filho de
15 anos?
Resposta: Não, as orelhas em abano têm sim
um fator hereditário, mas são alterações
congênitas e por isso já vêm com a pessoa logo
ao nascimento. Aparecem no segundo mês de gestação
segundo estudos embriológicos. Não se desenvolvem
depois. Você que não as possui não desenvolverá,
mas o seu pai e seu irmão podem corrigir as deles quando
quiserem e ficar como você se assim desejarem. Entretanto,
você (dirigindo-se ao irmão que não têm
orelhas em abano) poderá passar para as suas futuras gerações
o gen desta deformidade.
03. Durante um jantar em um restaurante famoso da cidade
do Rio de Janeiro, fomos atendidos com muita simpatia e profissionalismo
por um garçom muito educado. Porém, em uma outra mesa
havia algumas pessoas que o chamaram de orelhinha; mesmo
que de forma carinhosa, isso nos fez tomar a liberdade de perguntá-lo,
ao término do nosso jantar, se as suas orelhas em abano
lhe causavam algum constrangimento em sua vida profissional. Ele
respondeu: - olha doutor, incomodar incomoda, além do mais
os meus colegas do serviço sempre fazem uma piadinha. Eu
já nasci assim e minha avó dizia que se a minha mãe
tivesse amarrado a minha cabeça apertando as orelhas ou tivesse
colado com esparadrapo, elas teriam ficado normais. Isso é
verdade?
Resposta: Não é verdade. A alteração
existente nas orelhas em abano é de ordem estrutural; é
uma deformidade da cartilagem formadora do pavilhão da orelha
e provém de um fator genético. É como uma mola
muito forte feita pela cartilagem alterada, que só se corrige
quando se quebra esse sistema. O fato de apertar ou colar por um
tempo é apenas lenda, pois acaba voltando à situação
anterior. A orelha em abano freqüentemente vem acompanhada
de conchas muito grandes (hipertrofia) e isto só pode ser
resolvido com a cirurgia. A cirurgia de correção das
orelhas aconteceu com a equipe da BG e o paciente ficou satisfeito
com o resultado e continua a trabalhar no mesmo lugar.
04. Ainda a respeito de profissional da área de prestadores
de serviço de restaurante. Um maitre procurou
o nosso consultório médico devido às suas orelhas
abanadas. Só que elas, as suas orelhas em abano, apresentavam
formas diferentes, ou seja, uma era mais abanada que a outra.
E a outras não tinha aquelas dobrinhas que parece com a letra
Y encurvada, que chamamos de hélix e anti-hélix.
O maitre pergunta: -Doutor, eu não me importo com as
gracinhas dos meus colegas, mas por trabalhar com o público
fico constrangido por achar que as minhas orelhas chamam muito mais
atenção do que o meu trabalho, ou seja, na hora que
estou apresentando o cardápio ou apresentando uma sugestão
de algum prato. Quando me retiro para fazer o pedido fico achando
que os clientes ficam comentando alguma coisa a meu respeito. Disse
para mim mesmo que resolveria isso, pedi quinze dias
de licença. Será que dá para o doutor corrigir
estas minhas orelhas a tempo?
Resposta: Sim. A cirurgia poderá será feita
em caráter ambulatorial (Day Clinic) após o resultado
dos exames de rotina pré-operatórios. Usa-se anestesia
local e sedação. Uma semana depois os pontos, que
ficam atrás das orelhas, serão retirados. Durante
esse período de quinze dias, pedimos que use uma faixa, do
tipo usado pelos tenistas, para dar conforto às orelhas.
Com quinze dias de licença que você referiu nas consulta,
provavelmente poderá retornar às suas atividades profissionais.
05. Uma paciente candidata à cirurgia de rejuvenescimento
da face fez a seguinte observação: -Doutor,
uma amiga minha disse que vocês Cirurgiões Plásticos
tiram as orelhas da cabeça da gente e depois colocam de novo
no lugar, quando fazem a cirurgia de rosto. Se isso for verdade,
será que o senhor pode, nessa hora, melhorar a forma da concha
que elas têm? Eu acho que elas são muito afastadas
da cabeça e só uso o cabelo solto. Quero usar um rabo
de cavalo e cortar o cabelo mais curto.
Resposta: Primeiramente vamos esclarecer esse mito de tirar
as orelhas; isso não é verdade nem poderia ser feito.
As incisões utilizadas durante um lift de face apenas circundam
em parte as orelhas, somente comprometendo a pele superficialmente,
mas as orelhas permanecem em sua situação original.
O cirurgião habilitado terá cuidado apenas em esconder
ao máximo as cicatrizes e manter a naturalidade dos lóbulos
das orelhas para não parecerem colados.
Segundo, quando a pessoa que se submeterá a uma cirurgia
de face for portadora de orelhas em abano, pode-se associar a cirurgia
de correção destas sem problemas. Porém, trata-se
de um procedimento à parte, ou seja, não faz parte
da cirurgia estética da face, a qual engloba em muitos casos
o tratamento dos excessos de pele e bolsas de gorduras das pálpebras
e pescoço.
06. Uma paciente que usava óculos devido à
miopia, ganhou de presente de aniversário de 15 anos a cirurgia
de correção de suas orelhas em abano. Na consulta
fez o seguinte questionamento: -Doutor, como é o pós-operatório
desta cirurgia. Dói muito. Quanto tempo terei de me ausentar
da escola. Outra coisa é que não enxergo sem óculos,
tem algum problema para usá-los depois da cirurgia?
Resposta: O pós-operatório dessa cirurgia
não é doloroso quando a(o) paciente segue as orientações
e toma a medicação prescrita. Depois de cinco dias
de operada você poderá retornar à escola, usando
uma faixa na cabeça do tipo que as bailarinas usam para prender
o cabelo. Ela protegerá suas orelhas e dará conforto
aos movimentos. Quanto ao uso de óculos, estes deverão
ter suas hastes alargadas e serem colocados sobre a faixa para não
machucar atrás das orelhas, onde se encontram as cicatrizes.
07. Doutor, desde criança, minha mãe sempre
me fez usar aquelas fitas tipo bailarina cobrindo as orelhas para
elas se juntarem à cabeça. Ela dizia que do mesmo
jeito que se passa uma faixa no umbigo das crianças para
eles não estufarem o mesmo poderia se fazer com
as orelhas para não ficarem abanadas. Tenho 15 anos e já
me informei que tem uma cirurgia, na qual basta tirar um pouquinho
de pele atrás, dar uns pontinhos e as orelhas ficam juntas
da cabeça. Posso fazer essa cirurgia com anestesia local.
-Eu prometo ao Senhor que agüento. O que não suporto
mais é aquela faixa colada o tempo todo no meu rosto.
Resposta: Como você já observou, o fato de
prender as orelhas junto à cabeça não leva
à correção da situação abanada
que elas apresentam. Por ser uma alteração congênita
com deformidade da cartilagem, só através de um trabalho
sobre as cartilagens, pele, etc; é que se consegue corrigir
o defeito e dar um aspecto normal quanto à forma e situação
das orelhas.
A maioria dessas cirurgias é feita sob anestesia local
e sedação, sem dor ou desconforto algum aos pacientes,
portanto não precisa mesmo ter medo. E para que a cirurgia
aconteça é imprescindível a realização
dos exames pré-operatórios de rotina e que estes tenham
resultados favoráveis.
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