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02. Por usar brincos grandes nas orelhas o buraco
de um lado rasgou e o outro está grande. Como corrigir?
Resposta: Chama-se coloboma a esta fissura completa
que ocorreu no lóbulo da orelha que se partiu. Tanto este
quanto o outro lado, que está apenas alargado no momento
podem ser corrigidos cirurgicamente através de pequena ressecção
das bordas. E, suturas em linha quebrada, para evitar retrações
após a cicatrização.
O uso de brincos pesados por muito tempo pode levar a essa situação
e após a correção da mesma, deve ser evitado
por um certo período, para não haver recidiva da lesão.
Você até poderá furar novamente os lóbulos
das orelhas, mas o furo não deverá ser feito no mesmo
lugar. Dê preferência a brincos menores e mais leves
depois.
03. Tenho 50 anos e os lóbulos das minhas orelhas
estão grandes, murchos e pendentes. Tem cirurgia para corrigir
isso?
Resposta: Podem-se fazer diversos tipos de ressecção,
obedecendo à critérios particulares de técnica
cirúrgica e de acordo com o caso, dando a forma desejada
e melhor consistência ao lóbulo da orelha.
Em casos menos intensos pode-se apenas fazer aplicações
das atuais soluções de preenchimento como o ácido
hialurônico, que ajudam a melhorar, mesmo que temporariamente,
a espessura de lóbulos auriculares muitos finos.
04. Na cirurgia de face da minha amiga observei que a cicatriz
na frente da orelha ficou reta. Como estou pretendendo fazer o mesmo,
não gostaria de perder aquela meia-curvinha que faz
para dentro do ouvido que fica situada no meio dela. Como
poderia preservar essa forma?
Resposta: Essa é uma característica do refinamento
técnico que cada um de nós, cirurgiões plásticos,
procuramos fazer para dar mais naturalidade e cicatrizes menos aparentes.
As cicatrizes retas não são boas, pois fogem das
linhas naturais de tensão e tendem a sofrer retrações,
ficando muito visíveis.
Na técnica da cirurgia de face procuramos seguir as curvas
naturais da orelha, preservando sua anatomia e suas proeminências,
sem abrir o seu orifício. Aquela meia-curvinha
é chamada de tragus.
05. Perdi a parte superior de umas das minhas orelhas em
um acidente de carro. Pode-se corrigir este defeito e deixar a orelha
igualzinha à outra?
Resposta: Para corrigir perdas da parte superior da orelha
como essa que envolveu todo o terço superior, é necessário
reconstruir o arcabouço cartilaginoso com cartilagem obtida
da costela do próprio paciente. Com ela modelamos cirurgicamente
a parte que falta e inserimos embaixo da pele como um enxerto. Alguns
meses depois, com a cartilagem já pega, levanta-se e completa-se
a reconstrução com enxerto de pele na sua parte posterior.
Comumente alcança-se bom resultado, o qual assemelha-se bastante
à orelha contra-lateral; porém nunca será igual.
No geral, quase ninguém possui uma orelha igual à
outra.
06. Brincando com o meu cachorro; não sei o que deu
nele, pois sempre foi um animal dócil. Ele me mordeu e arrancou
a metade inferior da minha orelha esquerda. Ainda consegui pegar
alguma coisa do que restou e corri para o Hospital. Lá disseram
que não podiam recolocá-la no lugar e hoje tenho muita
vergonha de me expor, de sair de casa. Tem alguma cirurgia que pode
corrigir esse defeito.
Resposta: Você perdeu o lóbulo e a parte inferior
da hélix da orelha (essa parte que contorna por fora a orelha),
mas a estrutura cartilaginosa está preservada. Pode-se planejar
a reconstrução através de retalhos locais,
aproveitando os tecidos vizinhos da região e complementar
com enxerto de pele e de cartilagem se assim houver necessidade.
Com relação aos pedaços da orelha
que foram levados ao hospital para serem re-implantados, há
dificuldades de obter-se bons resultados por fatores como infecção,
tempo de exposição e outros.
Não é tão simples como parece e prefere-se
suturar a lesão, postergando a reconstrução
da parte perdida par depois. Pois há medidas preventivas
a serem tomadas como: observar o animal por um tempo, verificar
sua carteira de vacinação, evitar infecção
na cartilagem que arruinaria o trabalho reconstrutivo, etc.
07. Como reconstruir uma orelha que perdi devido à
queimadura e condrite (inflamação). Posso fazer uma
outra e substituir a estrutura interna por uma de silicone?
Resposta: É verdade que existem moldes de silicone
para reconstrução de orelha. Porém, sua utilização
tem se mostrado problemática, devido às inúmeras
complicações que desenvolve. A principal é
a extrusão por rejeição e conseqüente
necrose da pele que a envolve, dificultando depois o uso de outros
recursos técnicos.
Quando a perda foi ocasionada por queimadura e infecção
associada, a pele remanescente apresenta-se pobre em vascularização
e é de pouca viabilidade, não sendo capaz de sustentar
uma prótese de silicone.
Recomenda-se a reconstrução pelos métodos
cirúrgicos estabelecidos, que utilizam tecidos do próprio
indivíduo; a saber: cartilagem costal para fazer a estrutura,
e seguir a rotina de dois ou três tempos cirúrgicos
para completar o procedimento.
08. Tenho as orelhas anatomicamente normais, mais uma é
maior que a outra. Posso equilibrá-las para que fiquem do mesmo
tamanho?
Resposta: Esta é uma questão muito particular
e raramente pedida. Entretanto, há meios de se reduzir o
tamanho de uma orelha ou de alguma de suas proeminências se
assim o paciente desejar, desde que assuma as responsabilidades
devidas. Às vezes, o maior desenvolvimento de uma estrutura
pode ser um fator constitucional hereditário.
O ideal é que o paciente reflita bem a sua atitude. As
técnicas cirúrgicas estão ao alcance de todos,
mas ainda não chegamos à perfeição
da criação divina e sempre haverá uma
cicatriz.
09. Sou modelo fotográfico e para manter a forma
sempre lutei Jiu-jitsu. Mas agora tenho perdido alguns trabalhos,
pois fiquei com uma orelha deformada e grossa por causa das lutas.
Quero saber se tem alguma cirurgia para melhorar o aspecto dessa
orelha, que muitos chamam de couve-flor?.
Resposta: De acordo com a extensão da deformidade
pode-se fazer desde pequenos reparos modelando a cartilagem engrossada,
até ter-se que partir para a reconstrução parcial
ou total nos casos mais acentuados (orelhas tipo couve-flor).
A causa dessa deformidade é a sucessão de traumas
ocorridos durante as lutas, que ocasiona hematomas, inflamação
e consequentemente condrite. Quando há reabsorção
desse processo, ocorre a deformação da cartilagem,
que pode ser mais grave quando se associa à infecção.
Em casos como o seu, onde temos apenas espessamento
da cartilagem no terço superior da orelha deformando o contorno
e apagando suas reentrâncias, pode-se trabalhar refazendo
esses relevos. Contudo, você deverá se proteger de
novos traumas nesse local e terá que usar um curativo modelador
após a cirurgia, por um período variável de
um mês.
10. O que é microtia. Pode ser tratada?
Resposta: É uma orelha pequena e malformada. A orelha
apresenta-se diminuída na sua altura o que faz parecer mais
larga. Também pode apresentar-se bem pequena e limitar-se
a algumas estruturas apenas. Sua origem é congênita
e em grande número de casos está associada a uma síndrome.
Sua correção é mais complexa e parte geralmente
para a reconstrução total do pavilhão auricular,
através das técnicas descritas com o uso de cartilagem
costal. Pode-se aproveitar os remanescentes que apresente como o
tragus, lóbulo ou alguma parte bem formada, para compor melhor
o resultado.
11. O que é a orelha comprida?
Resposta: É um tipo de deformidade congênita
da orelha, que sofre uma dobra sobre si mesma, tomando a forma parecida
à de alça de xícara. Por isso também
pode ser chamada de cup ear ou lop ear do
inglês. Pode ser corrigida pela cirurgia, com desdobramento
da cartilagem mais retalho de pele e por vezes complementação
com enxerto de cartilagem obtida da outra orelha.
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