CASOS CLÍNICOS

OUTRAS DEFORMIDADES DAS ORELHAS

01. Tenho as orelhas anatomicamente normais mas são muito grandes, posso diminuí-las?

Resposta: Sim, é possível fazer-se a diminuição de orelhas proeminentes como um todo, através de ressecções bem calculadas envolvendo retirada de pele e cartilagem, mas, lembre-se existirá cicatrizes, mesmo bem posicionadas.

 


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. Por usar “brincos grandes nas orelhas” o buraco de um lado rasgou e o outro está grande. Como corrigir?

Resposta: Chama-se “coloboma” a esta fissura completa que ocorreu no lóbulo da orelha que se partiu. Tanto este quanto o outro lado, que está apenas alargado no momento podem ser corrigidos cirurgicamente através de pequena ressecção das bordas. E, suturas em linha quebrada, para evitar retrações após a cicatrização.

O uso de brincos pesados por muito tempo pode levar a essa situação e após a correção da mesma, deve ser evitado por um certo período, para não haver recidiva da lesão. Você até poderá furar novamente os lóbulos das orelhas, mas o furo não deverá ser feito no mesmo lugar. Dê preferência a brincos menores e mais leves depois.

03. Tenho 50 anos e os lóbulos das minhas orelhas estão grandes, murchos e pendentes. Tem cirurgia para corrigir isso?

Resposta: Podem-se fazer diversos tipos de ressecção, obedecendo à critérios particulares de técnica cirúrgica e de acordo com o caso, dando a forma desejada e melhor consistência ao lóbulo da orelha.

Em casos menos intensos pode-se apenas fazer aplicações das atuais soluções de preenchimento como o ácido hialurônico, que ajudam a melhorar, mesmo que temporariamente, a espessura de lóbulos auriculares muitos finos.

04. Na cirurgia de face da minha amiga observei que a cicatriz na frente da orelha ficou reta. Como estou pretendendo fazer o mesmo, não gostaria de perder “aquela meia-curvinha que faz para dentro do ouvido” que fica situada no meio dela. Como poderia preservar essa forma?

Resposta: Essa é uma característica do refinamento técnico que cada um de nós, cirurgiões plásticos, procuramos fazer para dar mais naturalidade e cicatrizes menos aparentes.

As cicatrizes retas não são boas, pois fogem das linhas naturais de tensão e tendem a sofrer retrações, ficando muito visíveis.

Na técnica da cirurgia de face procuramos seguir as curvas naturais da orelha, preservando sua anatomia e suas proeminências, sem abrir o seu orifício. Aquela “meia-curvinha” é chamada de tragus.

05. Perdi a parte superior de umas das minhas orelhas em um acidente de carro. Pode-se corrigir este defeito e deixar a orelha “igualzinha” à outra?

Resposta: Para corrigir perdas da parte superior da orelha como essa que envolveu todo o terço superior, é necessário reconstruir o arcabouço cartilaginoso com cartilagem obtida da costela do próprio paciente. Com ela modelamos cirurgicamente a parte que falta e inserimos embaixo da pele como um enxerto. Alguns meses depois, com a cartilagem já pega, levanta-se e completa-se a reconstrução com enxerto de pele na sua parte posterior. Comumente alcança-se bom resultado, o qual assemelha-se bastante à orelha contra-lateral; porém nunca será igual. No geral, quase ninguém possui uma orelha igual à outra.

06. Brincando com o meu cachorro; não sei o que deu nele, pois sempre foi um animal dócil. Ele me mordeu e arrancou a metade inferior da minha orelha esquerda. Ainda consegui pegar alguma coisa do que restou e corri para o Hospital. Lá disseram que não podiam recolocá-la no lugar e hoje tenho muita vergonha de me expor, de sair de casa. Tem alguma cirurgia que pode corrigir esse defeito.

Resposta: Você perdeu o lóbulo e a parte inferior da hélix da orelha (essa parte que contorna por fora a orelha), mas a estrutura cartilaginosa está preservada. Pode-se planejar a reconstrução através de retalhos locais, aproveitando os tecidos vizinhos da região e complementar com enxerto de pele e de cartilagem se assim houver necessidade.

Com relação aos “pedaços da orelha” que foram levados ao hospital para serem re-implantados, há dificuldades de obter-se bons resultados por fatores como infecção, tempo de exposição e outros.

Não é tão simples como parece e prefere-se suturar a lesão, postergando a reconstrução da parte perdida par depois. Pois há medidas preventivas a serem tomadas como: observar o animal por um tempo, verificar sua carteira de vacinação, evitar infecção na cartilagem que arruinaria o trabalho reconstrutivo, etc.

07. Como reconstruir uma orelha que perdi devido à queimadura e condrite (inflamação). Posso fazer uma outra e substituir a estrutura interna por uma de silicone?

Resposta: É verdade que existem moldes de silicone para reconstrução de orelha. Porém, sua utilização tem se mostrado problemática, devido às inúmeras complicações que desenvolve. A principal é a extrusão por rejeição e conseqüente necrose da pele que a envolve, dificultando depois o uso de outros recursos técnicos.

Quando a perda foi ocasionada por queimadura e infecção associada, a pele remanescente apresenta-se pobre em vascularização e é de pouca viabilidade, não sendo capaz de sustentar uma prótese de silicone.

Recomenda-se a reconstrução pelos métodos cirúrgicos estabelecidos, que utilizam tecidos do próprio indivíduo; a saber: cartilagem costal para fazer a estrutura, e seguir a rotina de dois ou três tempos cirúrgicos para completar o procedimento.

08. Tenho as orelhas anatomicamente normais, mais uma é maior que a outra. Posso equilibrá-las para que fiquem do mesmo tamanho?

Resposta: Esta é uma questão muito particular e raramente pedida. Entretanto, há meios de se reduzir o tamanho de uma orelha ou de alguma de suas proeminências se assim o paciente desejar, desde que assuma as responsabilidades devidas. Às vezes, o maior desenvolvimento de uma estrutura pode ser um fator constitucional hereditário.

O ideal é que o paciente reflita bem a sua atitude. As técnicas cirúrgicas estão ao alcance de todos, mas ainda não chegamos à “perfeição da criação divina” e sempre haverá uma cicatriz.

09. Sou modelo fotográfico e para manter a forma sempre lutei Jiu-jitsu. Mas agora tenho perdido alguns trabalhos, pois fiquei com uma orelha deformada e grossa por causa das lutas. Quero saber se tem alguma cirurgia para melhorar o aspecto dessa orelha, que muitos chamam de “couve-flor?”.

Resposta: De acordo com a extensão da deformidade pode-se fazer desde pequenos reparos modelando a cartilagem engrossada, até ter-se que partir para a reconstrução parcial ou total nos casos mais acentuados (orelhas tipo couve-flor).

A causa dessa deformidade é a sucessão de traumas ocorridos durante as lutas, que ocasiona hematomas, inflamação e consequentemente condrite. Quando há reabsorção desse processo, ocorre a deformação da cartilagem, que pode ser mais grave quando se associa à infecção.

Em casos como “o seu”, onde temos apenas espessamento da cartilagem no terço superior da orelha deformando o contorno e apagando suas reentrâncias, pode-se trabalhar refazendo esses relevos. Contudo, você deverá se proteger de novos traumas nesse local e terá que usar um curativo modelador após a cirurgia, por um período variável de um mês.

10. O que é microtia. Pode ser tratada?

Resposta: É uma orelha pequena e malformada. A orelha apresenta-se diminuída na sua altura o que faz parecer mais larga. Também pode apresentar-se bem pequena e limitar-se a algumas estruturas apenas. Sua origem é congênita e em grande número de casos está associada a uma síndrome. Sua correção é mais complexa e parte geralmente para a reconstrução total do pavilhão auricular, através das técnicas descritas com o uso de cartilagem costal. Pode-se aproveitar os remanescentes que apresente como o tragus, lóbulo ou alguma parte bem formada, para compor melhor o resultado.

11. O que é a orelha comprida?

Resposta: É um tipo de deformidade congênita da orelha, que sofre uma dobra sobre si mesma, tomando a forma parecida à de alça de xícara. Por isso também pode ser chamada de “cup ear” ou “lop ear” do inglês. Pode ser corrigida pela cirurgia, com desdobramento da cartilagem mais retalho de pele e por vezes complementação com enxerto de cartilagem obtida da outra orelha.

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