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Esclarecimentos da Sociedade Brasileira de Cirurgia
Plástica
Não acredite em tudo que está aí.
Informe-se Bem
IMPORTANTE!!!
ESCLARECIMENTOS QUE VOCÊ PRECISA SABER
Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
1. HLPA (Hidrolipoclasia Aspirativa)
O que se divulga:
Novo método para tratamento de gordura localizada pela associação
de 2 técnicas existentes: a lipoaspiração (com micro-cânulas)
e hidrolipoclasia ultra-sônica. Hidrolipoclasia ultra-sônica é
um método criado por médico italiano que consiste em aplicar uma
solução diretamente no tecido gorduroso e, em seguida aplicar
ultrassom sob a pele local fazendo com que as ondas ultrassônicas provoquem
uma ruptura na membrana das células gordurosas levando-as a explodir
e liberar a gordura que será eliminada do corpo via fezes e urina. Preconiza
ampliar as vantagens e reduzir as desvantagens de ambas. A principal indicação
para esta técnica são as gorduras localizadas de pequeno volume.
Não necessita de hospitalização e é realizada com
anestesia local. Dizem que a solução aplicada contém substâncias
que vão aumentar a lipólise e a drenagem da microcirculação
linfática regional.
Fato:
HLPA, mini-lipo, micro-lipo, lipo-light, lipomodulação etc., são
todas terminologias com apelo comercial para a lipoaspiração setorizada
ou fracionada acrescida de uma ou outra coisa. Na essência o que muda
entre uma e outra é só mesmo o nome da "técnica"
e de seu "criador", apresentando uma embalagem diferente de velhos
conhecidos. Existe uma tentativa dos profissionais que não estão
legalmente habilitados a transformar a lipoaspiração em um método
"não cirúrgico". Atualmente a maioria dos cirurgiões
plásticos utiliza cânulas de calibre entre 3 e 4 milímetros,
portanto micro-cânulas. Não existe publicação em
revistas científicas consideradas sérias de que a hidrolipoclasia
ultra-sônica seja válida tanto do ponto de vista metodológico
como científico. Sendo assim, a HLPA não tem embasamento convincente
até o momento que possa sustentá-la.
Cuidados:
Com objetivo de garantir ao paciente segurança e bem-estar e informar
aos médicos os limites e critérios de execução da
lipoaspiração, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a
Resolução n° 1.711/2003, regulamentando o assunto. Segundo
o CFM, fica determinado que o profissional que vai executá-la deve estar
habilitado a fazê-lo, tendo experiência mínima de dois anos
em cirurgia geral com residência médica reconhecida e título
de especialista. Portanto, médicos com formação em especialidades
clínicas estão impedidos de executá-la.
2. Especialista em Medicina Estética
O que se divulga:
Profissionais com dita especialização em medicina estética,
divulgando técnicas novas e dados científicos surpreendentes.
Cirurgias sem cicatrizes, indolores, sem hematomas ou edemas. Métodos
de preenchimento para esculpir corpos e faces que fariam Michelangelo morrer
de inveja e sem efeitos colaterais. Laser de última geração,
melhor do que todos até agora.
Fato:
A população em geral infelizmente apresenta falta de contato formal
com a ciência, falta de domínio do jargão científico
e principalmente uma deficiência na capacidade de análise crítica,
objetiva, que um bom observador externo necessita para avaliar a real validade
de uma técnica ou artigo científico. Cirurgias sempre deixam marcas,
algumas muito discretas, outras nem tanto, o que se consegue é que fiquem
dissimuladas ou esvaeçam com o tempo. Substâncias revolucionárias
à época como o silicone líquido e que foram injetadas sem
critério para preencher os tecidos mostraram-se bombas de efeitos devastadores
após vários anos. Recentemente o Lipostabil (fosfatidilcolina)
foi proibido pela Vigilância Sanitária devido à falta de
comprovações científicas sobre a sua efetividade e segurança
a longo prazo quando já era usado sem o menor critério em clínicas
de estética. (http://www.anvisa.gov.br/divulga/noticias/2002/301202.htm).
A evolução tecnológica dos equipamentos é muito
rápida, e geralmente sua colocação no mercado não
é precedida de avaliações cautelosas de suas qualidades
e potenciais malefícios.
Cuidados:
Medicina Estética não é reconhecida como uma especialidade
médica. Em abril de 2002 a resolução nº 1634/2002
do Conselho Federal de Medicina -CFM, estabelece quais são as especialidades
médica reconhecidas pelo CFM, Associação Médica
Brasileira-AMB e Comissão Nacional de Residência Médica
- CNRM. Posteriormente é complementada pela RESOLUÇÃO CFM
Nº 1.666/2003. Destacam-se os textos dos artigos 3° "Fica vedado
ao médico à divulgação de especialidade ou área
de atuação que não for reconhecida pelo Conselho Federal
de Medicina ou pela Comissão Mista de Especialidades" e; Art. 4º
"O médico só pode declarar vinculação com especialidade
ou área de atuação quando for possuidor do título
ou certificado a ele correspondente, devidamente registrado no Conselho Regional
de Medicina".
Apesar de a resolução ser bem clara e não reconhecer a
Medicina Estética como especialidade médica, existem diversos
profissionais que se intitulam especialistas em medicina estética e divulgam-se
como especialistas sem possuir título de especialista para tal. Além
de contrariar uma resolução do Conselho Federal de Medicina acabam
por iludir a população que acredita que existe uma especialização
denominada medicina estética.
Resolução CFM nº 1.666/2003 - Especialidades
3. Revistas para Leigos e Sites na Internet especializados em Cirurgia Plástica e Medicina Estética
O que se divulga:
Novas e revolucionárias técnicas, sorteios de cirurgias, fotos
de "antes" e "depois", divulgação de resultados
e endereço das clínicas em programas populares de televisão.
Fato:
Por se tratarem de meios de divulgação leigos, vendidos em bancas
de jornais, sabe-se que algumas revistas "especializadas" oferecem
espaço pago para que os profissionais divulguem o que bem entenderem,
seja verdadeiro ou não. Com as matérias pagas e sua tiragem prometem
um aumento na demanda dos pacientes às clínicas e consultórios.
É freqüente o uso do "antes" e "depois", sendo
todas estas práticas condenadas pelo código de ética médica.
Existem dezenas de processos em andamento nos conselhos regionais e federal
de medicina por estas práticas. As penas variam de advertência
até a cassação do diploma do médico infrator.
Cuidado:
Antes de ir a um profissional consulte a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica
e a Sociedade Brasileira de Dermatologia. Lá você saberá
se ele é um membro da sociedade, foi aprovado em suas provas, tem seu
título de especialista e se há algo que o desabone. Não
se esqueça: medicina estética não é uma especialidade
e somente as duas sociedades citadas é que podem responder por seus profissionais.
5. Bioplastia
O que se divulga:
A plástica sem cortes, que pode ser aplicada no rosto e no corpo. A Bioplastia
age restabelecendo volumes e corrigindo sulcos e rugas. Como parte do processo,
os sinais de beleza são criados ou restabelecidos, permitindo uma melhora
da aparência. A Bioplastia entre outras aplicações pode
aumentar as maçãs do rosto, redesenhar e definir a mandíbula,
retificar o nariz, aumentar os lábios, aumentar o glúteo e a panturrilha.
O Material injetado pode ser utilizado em ossos, músculos, gordura e
pele.
Fato:
A Bioplastia é realizada com injeções do PMMA, ou microesferas
de polimetilmetacrilato, uma substância biocompatível (aceita pelo
corpo), porém inabsorvível e definitiva. Ë usado na medicina
desde os anos 50 em próteses de quadril e posteriormente para implantes
intra-oculares. Só recentemente passou a ser utilizado em tratamentos
estéticos em concentrações de 2, 10 e 30 %. A Vigilância
Sanitária liberou este produto em seringas de 1 ml para a correção
de pequenos defeitos.
Cuidado:
Os médicos que tem preconizado a Bioplastia vem utilizando quantidades
absurdas como 100 ml, 200 ml ou até mesmo 500 ml como, por exemplo, no
aumento de glúteos. É sempre muito perigoso o uso inadequado de
produtos médicos que não tem respaldo cientifico suficiente e
de longo prazo e que não foram devidamente testados e autorizados para
a indicação diferente da original. Existe um grande risco de infecções
e complicações crônicas com o uso do produto que fica integrado
aos tecidos em que foi implantado. Já começam a surgir casos documentados
de grandes áreas de necrose, infecções recentes e tardias
de difícil controle local e até a cegueira. A enganosa publicidade
na facilidade e segurança do método pode trazer conseqüências
tão desastrosas como a que se viu com o uso de silicone líquido
no passado.
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA RESTRINGE A UTILIZAÇÃO
DA BIOPLASTIA
EM REUNIÃO REALIZADA NO DIA 17/03/2006, O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA
ATRAVÉS DE SUAS CÂMARAS TÉCNICAS ESTABELECEU:
-A DENOMINAÇÃO DE "BIOPLASTIA", AMPLAMENTE DIVULGADO
PELA MÍDIA, E QUE UTILIZA O PRODUTO, PMMA (POLIMETILMETACRILATO), APRESENTADO
COM DIVERSOS NOMES COMERCIAIS E SEM COMPROVAÇÃO CIENTÍFICA
DOS EFEITOS DE SUA INTRODUÇÃO NO CORPO HUMANO, RECOMENDAMOS CAUTELA
NA SUA UTILIZAÇÃO NO SENTIDO DE PROTEÇÃO AOS PACIENTES
E RESTRITA AOS PROFISSIONAIS DA ÁREA MÉDICA HABILITADOS.
*****SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIRURGIA PLÁSTICA
JÁ HAVIA SOLICITADO ESSA RESTRIÇÃO.
PARA A SBCP, ESSA LIMITAÇÃO NA UTILIZAÇÃO DA BIOPLASTIA,
MUITAS VEZES EXERCIDA POR PESSOAS NÃO HABILITADAS, CAUSANDO INCLUSIVE
MUTILAÇÕES, NECROSES, ALÉM DE SEQUELAS IRREVERSÍVEIS,
ERA ANSEIO ANTIGO DOS CIRURGIÕES PLÁSTICOS, AFIRMA OSVALDO SALDANHA,
PRESIDENTE NACIONAL DA SBCP.
DEMAIS INFORMAÇÕES: Imprensa SBCP - imprensa@cirurgiaplastica.org.br
6. Fio Russo
O que se divulga:
É um método não cirúrgico para o tratamento da flacidez
da face e pescoço em substituição ao "lifting"
tradicional. É um procedimento realizado com anestesia local e muito
menor do que a cirurgia. Um fio é implantado na camada profunda da gordura
facial não sendo visível e nem sentido pelo toque. O número
de fios utilizados dependerá das áreas tratadas e do grau de flacidez,
podendo variar de 2 a até 14 fios.
Fato:
O fio russo é um fio de polipropileno com farpas especialmente orientadas
que pretendem ser capazes de funcionar como uma âncora no tecido facial.
São aplicadas de acordo com direções que realizam o efeito
de elevação pretendido. As farpas procuram impedir que o fio se
mova mantendo a tração. Não se sabe se os resultados são
duradouros. Como todo método cirúrgico, para se evitar complicações
necessita de uma curva de aprendizado.
Cuidado:
É um método bastante novo, sem estudos de médio e longo
prazo com população determinada. Se mal aplicado ou ocorrer o
emagrecimento da face pode se tornar visível e sensível ao tato.
Existe também a possibilidade de assimetrias por trações
inadequadas. Em casos de infecções pode ser difícil de
remover.
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