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Existem fatores limitantes para a realização de uma cirurgia plástica
no paciente grande obeso, ou naquele submetido previamente a uma
cirurgia de redução gástrica?
Sim, para ambos os casos existem critérios de avaliação
e preparo pré-operatórios que se não forem
seguidos, podem expor a complicações.
Que conselhos os cirurgiões
da BG dariam a quem deseja perder peso e submeter-se à cirurgia
do contorno corporal?
Primeiramente procurar profissionais competentes para oferecer-lhe
orientações e seguimento, ou entidades de classe.
O número de pacientes que experimentaram repetidos insucessos devido
à falta de orientação, dietas sem fundamento, chás
milagrosos e falsas promessas é imenso. Isto só aumenta
a frustração interior e a baixa auto-estima. Segundo, o paciente
deve procurar conscientizar-se que a obesidade mórbida é um distúrbio,
cujo tratamento envolve uma série de iniciativas, dependentes em
muito dele próprio. ...São mudanças de velhos hábitos
de vida além do acompanhamento especializado feito por endocrinologista,
psicólogo, cirurgião geral e plástico e outros
que se fizerem necessários.
O paciente deve procurar entender as limitações do
seu caso, quando existirem, sabendo que a idéia de soluções
imediatistas deve ser evitada
Quais os cuidados pré-operatórios a serem
seguidos para o paciente obeso com grande distensão abdominal
e candidato a abdominoplastia?
Inicialmente exercícios físicos e dieta balanceada
para perda de gordura e peso corporal. Perdas de 10% a 15% do peso
melhoram muito a função cárdio-respiratória,
reduzindo os riscos. Indica-se também o uso de peso sobre
o abdome, variando entre 1 kg e 5 kg em aumento progressivo, para
melhoria da função respiratória. Isto porque
a cirurgia reduzirá a distensão abdominal. Realizamos
toda a rotina de exames pré-operatórios e a cirurgia
dentro dos critérios técnicos de segurança.
No pós-operatório instituímos mobilização
precoce além de todos os cuidados de rotina.
Quais os cuidados pré-operatórios e os pós-operatórios a serem
seguidos, no seu ponto de vista, para estes pacientes?
Em conjunto com outros especialistas indico exercícios físicos supervisionados
assim como dieta balanceada para perda de gordura e peso corporal.
Perdas de 10 a 15% do peso melhoram muito a função cárdio-respiratório.
No pré-operatório de uma dermolipectomia abdominal (cirurgia que
retira pele e gordura do abdomen), é importante fazer nas duas semanas
antes da cirurgia o uso de carga (peso) sobre o abdomen, variando
de 1 à 5 kg para melhoria da função respiratória. A cirurgia reduzirá
a distenção abdominal, exigindo mais da musculatura diafragmática
durante a respiração. Toda uma avaliação clínica deve ser feita
e no pós-operatório, além dos cuidados normais exigidos em qualquer
cirurgia, deve-se dar especial atenção à mobilização precoce do
paciente, seja ativa ou passiva com fisioterapeuta. Para maior segurança,
sempre que acho necessário solicito ao hematologista a autohemotransfusão.
Este método utiliza o sangue do próprio paciente, retirado dias
antes da cirurgia, para ser reinfundido nele mesmo ao término da
intervenção; isto previne as perdas e melhora a recuperação.
Qual a programação cirúrgica em um paciente
grande obeso que perdeu muito peso e está insatisfeito com sua estética
corporal?
Varia de caso a caso, em função das alterações apresentadas e com
os anseios do paciente. A avaliação clínica e psicológica e uma
conversa clara sobre os riscos e limitações com o paciente auxiliam
o cirurgião nessa programação. Pode-se iniciar retirando os excessos
de pele e gordura remanescentes no abdomen em avental ou nas mamas,
mas em outros casos o paciente pode incomodar-se mais com os excessos
localizados nos braços, coxas, culotes ou mesmo na face e pescoço.
A cirurgia não visa a correção em um único procedimento. Mas, cada
um que tenha sido realizado poderá servir de estímulo ao paciente
na continuidade do tratamento, elevando a sua auto-estima.
Existe uma previsão de quantas cirurgias plásticas serão necessárias
para a correção dos excessos deixados pelo grande emagrecimento?
Não podemos precisar esse número com exatidão para nenhum paciente.
Cada caso deve ser avaliado e encarado individualmente, considerando
as exigências pessoais, anseios, metas, condições clínicas e a disposição
do paciente a enfrentar a vida, com posturas e hábitos diferentes
daqueles que costumava ter. O aforismo "sou gordo, mas sou feliz",
nem sempre é verdadeiro para todos que se encontram nessa condição.
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