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Não há uma medida exata para a extensão da
cicatriz, pois dependerá muito do maior ou menor grau de
flacidez, do volume do abdome ou das mamas, da necessidade técnica
para o caso em particular e do biótipo da pessoa. Isto também
se aplica às outras cirurgias. As cicatrizes resultantes
de um lifting de face também são longas, circundeiam
as orelhas, aparecem no couro cabeludo, mas sua localização
as torna imperceptíveis.
Cirurgias plásticas reparadoras podem apresentar cicatrizes
múltiplas e de tamanhos variados, que perdem importância
quando o melhor a fazer é devolver a função
de um membro ou parte do corpo e propiciar a volta do indivíduo
ao meio social e trabalho.
02. Como é possível amenizá-las? Quais são
os cuidados no pós-operatório?
Resposta: A preparação do cirurgião
plástico o faz reeducar a mão, tornando seus movimentos
mais delicados e precisos no trato com a pele do paciente. Ensinam-o
a planejar a localização preferencial para as cicatrizes,
de acordo com as linhas naturais de menor tensão, aspectos
anatômicos e funcionais, os quais propiciam cicatrizes menos
visíveis e com possibilidades de melhor resultado. O conhecimento
da fisiologia do processo de cicatrização ajuda-o
a fazer ressecções menos traumáticas, respeitando
menores tensões sobre as suturas.
A qualidade estética de uma cicatriz depende de muitos fatores
relacionados ao próprio paciente, da região a ser
operada, da cicatrização e da técnica em si.
Contudo, é algo imprevisível na maioria dos casos.
Como cuidados gerais no pós-operatório, recomendamos
fazer compressão suave sobre a cicatriz utilizando placas
adesivas de silicone ou mesmo espuma, massagem, hidratação
e protetor solar. No entanto estas orientações podem
variar com o caso e outras medidas poderão ser necessárias
em casos especiais. Somente o especialista poderá decidir
quais os cuidados indicados para cada situação.
03. Existe tratamento para quelóide? Qual?
Resposta: O tratamento do quelóide conta com o
uso de vários procedimentos clínicos (compressão,
massagem, aplicação de corticosteróide local),
radioterapia superficial, betaterapia e cirurgia. Somente o especialista
poderá decidir quais medidas serão instituídas
e em que seqüência será feito o tratamento. O
risco de recidiva está sempre presente apesar de qualquer
terapia, pois existem características individuais e regiões
mais propensas no corpo, especialmente em nosso povo tão
miscigenado. Não é só o negro que pode desenvolver
quelóide; sabe-se que os ingleses, os judeus e outros povos
de pele branca também podem desenvolver quelóide.
Portanto, todos devem ter em mente os cuidados com a prevenção.
04. Se o paciente apresenta tendência a ter cicatrizes
inestéticas, então não se deve operar? O que
fazer se ele quer operar de qualquer jeito?
Resposta: Quando a pessoa apresenta história de má
cicatrização em cirurgia anterior, como quelóide,
cicatriz alargada, alteração de cor para escuro (hipercromia)
ou despigmentada (hipocromia), é importante investigar-se
em que condições isto aconteceu. Uma cirurgia de emergência
como a apendicectomia, hérnias, etc. podem apresentar cicatrizes
desagradáveis pela condição em si. Cicatrizes
em região de articulações, ombro, área
central do tórax são mais propensas a alargamento
e quelóide. Porém, isto não impede que estas
pessoas se submetam a uma cirurgia plástica. O cirurgião
tomará medidas preventivas durante a cirurgia e no pós-operatório
na tentativa de evitá-las. Nunca se deve esquecer que as
cicatrizes são imprevisíveis, apesar da história
pregressa de cicatrização boa ou não em outra
localização por outra cirurgia. O processo de cicatrização
tem fases que se estendem por seis meses a um ano, por isso os cuidados
com a cicatriz devem ser tomados por tempo prolongado.
05. Uma pessoa pode se arrepender de fazer a cirurgia
por causa da cicatriz?
Resposta: Isto pode acontecer em situações
diversas. Depende muito da concepção individual com
relação à cicatriz. É comum encontrarmos
pessoas com cicatrizes imperceptíveis, mas que falam delas
como se fossem verdadeiras deformidades e até esquecem dos
benefícios que obtiveram com a cirurgia. Há outras
pessoas que, mesmo insatisfeitas com sua aparência, preferem
disfarçar com procedimentos cosméticos em vez de partirem
para uma cirurgia, pois no seu íntimo pensam que ela denunciaria
não serem mais jovens e jogam a culpa na cicatriz, que nem
é perceptível na maioria dos casos.
Também há o caso inverso, quando algumas pessoas procuram
a cirurgia pelo tamanho da cicatriz e não pelo resultado
final. Chegam a mudar de cirurgião quando este lhe oferece
opção técnica diferente da que têm em
mente e iludem-se com propagandas de pequenas cicatrizes/grandes
resultados. Arrependem-se pela cicatriz e pela cirurgia neste caso,
devido ao equivoco na indicação e acabam concluindo
que o custo/benefício foi negativo. Como exemplo, existe
o caso de mulheres com mamas muito grandes ou muito flácidas
que insistem em diminuí-las por cicatrizes somente ao redor
das aréolas. Não compreendem que esta cicatriz não
suportará a grande tensão e que não possibilita
a redução e ajuste necessário ao caso. Outra
situação é a indicação equivocada
de prótese em mamas já grandes e muito caídas,
crendo que levantarão as mesmas.
06. O que leva uma pessoa a decidir fazer uma cirurgia, mesmo
sabendo que pode ficar com uma grande cicatriz?
Resposta: A insatisfação com seu corpo, o
desejo de se harmonizar consigo mesmo e com seu grupo. Faz parte
da natureza humana a sua insatisfação pessoal, basta
observarmos as mulheres com seus cabelos. Também por necessidades
profissionais, caso comum entre os artistas, políticos, advogados,
modelos, vendedores e outros que precisam, de certo modo, da aparência
física para manterem-se em atividade. Também não
é justo que somente as elites sejam privilegiadas dos benefícios
da cirurgia plástica, logo elas as formadoras de opinião
que estimulam tanto tal desejo nas pessoas mais simples de também
serem belas e de estarem na moda.
Não devemos esquecer dos casos de cirurgias reparadoras,
essenciais para a devolução da função
normal ao indivíduo, possibilitando-os inserir-se no mercado
de trabalho e na sociedade.
07. Quais os riscos? Algum tipo de pele ou raça tem maior
probabilidade de desenvolver quelóide?
Resposta: Os riscos de surgimento de quelóide não
podem ser afastados em nenhuma cicatriz, pois dependem mais de características
individuais e do processo de cicatrização que da técnica
utilizada. Um quelóide não aparece imediatamente após
a cirurgia; pois sua formação depende da deposição
anômala e exagerada de fibras colágenas na cicatriz.
Isto leva em torno de seis meses para acontecer. Por isso a necessidade
de tratamento preventivo precoce para evitá-lo.
Sabe-se que pessoas de pele negra, morena, orientais ou miscigenados
têm maior propensão à formação
de quelóides. Porém isto não é uma regra
imutável. Há também pessoas de pele branca
que desenvolvem quelóides igualmente.
08. A cicatriz pode ser totalmente eliminada ou apenas amenizada?
Resposta: Uma cicatriz pode ser amenizada em graus variados,
de acordo com seu tipo e localização, porém
sempre existirá, por mais que se consiga torná-la
imperceptível. A cirurgia plástica tem um grande arsenal
técnico para melhoria de cicatrizes. O cirurgião poderá
utilizar procedimentos cirúrgicos isolados ou combinados
entre si. Os mais comuns são a revisão de cicatriz
com ressecção e sutura e a dermoabrasão cirúrgica.
Muitas vezes associam-se tratamentos clínicos para melhoria
do resultado, tais como peeling superficial, creme despigmentante,
protetor solar, compressão, massagem, fisioterapia e radioterapia.
09. O médico deve alertar ao paciente sobre o tamanho
da cicatriz e os riscos de não ter uma boa cicatrização?
Resposta: O médico deve sempre conscientizar o paciente
sobre a existência da cicatriz em qualquer cirurgia, explicando
sua localização, tamanho e cuidados rotineiros para
obter o resultado desejado de uma boa cicatriz. O paciente, por
sua vez, não deve se apavorar; deve procurar informar-se
bem, retirar suas dúvidas e avaliar se na sua própria
concepção valerá a pena submeter-se à
cirurgia proposta.
10. Existem outras formas de cicatrização que não
são visíveis como em uma incisão?
Resposta: A cicatrização é um processo
biológico de defesa do organismo contra as injúrias
sofridas e acontece a todo tempo, seja externamente como é
possível de ver através de um corte ou ferimento,
ou dentro do organismo desencadeados por doenças como a fibrose
no fígado, ou ainda na colocação de uma prótese,
seja ela qual for, resultando em um invólucro onde ficará
tal prótese. O mesmo ocorre numa lipoaspiração,
numa abdominoplastia e em outras cirurgias plástica. Em todos
estes casos e nos demais procedimentos cirúrgicos o processo
de cicatrização atua unindo ou aderindo suas estruturas.
11. Uma lipoaspiração pode ter uma cicatrização
ruim e alterar seu resultado? Quais os cuidados para evitar esses
problemas?
Resposta: Independente da cicatriz na pele, ou seja, da incisão
que pode sofrer alguma alteração estética do
tipo quelóide; a aparência irregular e com depressões
na pele pode surgir devido a problemas cicatriciais como as aderências.
Obviamente o processo natural de cicatrização não
poderá ser culpado de todos os casos de irregularidades na
pele após uma lipoaspiração.
Com relação aos cuidados preventivos, deve-se considerar
inicialmente a indicação correta para a cirurgia.
A lipoaspiração não tem finalidade emagrecedora.
A relação pele e gordura, ou seja, se há sobra
de pele; então, lipoaspirar menos para não acentuar
a flacidez cutânea. Lipoaspirar na camada mais profunda do
tecido celular subcutâneo, deixando um coxim de gordura protetor.
Entre os cuidados no pós-operatório está o
repouso, uso de cinta modeladora e a fisioterapia (drenagem linfática,
por exemplo).
12. O que é orelha de couve-flor de lutador de jiu-jitsu?
Tem alguma coisa a ver com má-cicatrização?
Resposta: Orelha em couve-flor é um termo usado pelo
leigo para esse tipo de alteração sofrido pela orelha,
decorrente de traumas repetidos, com inflamação e
por vezes infecção sobre ela. É o resultado
de um trauma direto sobre a orelha, tendo como conseqüência
uma coleção sanguinolenta (hematoma), que determina
um processo inflamatório na cartilagem (condrite), cujo processo
de cicatrização resulta em uma fibrose desorganizada
que deforma a orelha.
13. Por que, às vezes, as cicatrizes ficam com cor escura
e outras vezes branca?
Resposta: Isto se chama de discromia. O pigmento normal da
pele é a melanina, produzida na camada basal da epiderme
pelos melanócitos. A hiperpigmentação (escurecimento)
pode acontecer mais nas pessoas de pele mais escura, mas não
é regra geral. Sabe-se ainda que a exposição
precoce ao sol possa causar hiperpigmentação permanente.
O efeito contrário é hipopigmentação
ou falta de pigmentação, esta, mais difícil
de tratamento. Contudo, habitualmente a quantidade inicial maior
do pigmento vai diminuindo a partir do terceiro mês até
desaparecer. Nos casos resistentes torna-se necessário tratamento
clínico específico.
14. Qual a diferença entre uma cicatriz hipertrófica
e o quelóide?
Resposta: Cicatrizes hipertróficas e quelóides
são histologicamente parecidas e se caracterizam pela formação
excessiva de colágeno dispostos em espirais ou nódulos.
É difícil estabelecer critérios para determinar
a quantidade de colágeno que seria considerada normal numa
cicatriz.
A cicatriz hipertrófica é elevada, tensa, avermelhada,
podendo ser dolorosa e pruriginosa (coça muito), mas não
ultrapassa os limites laterais da cicatriz e com o tempo mostra
tendência à regressão. O quelóide, por
sua vez, ultrapassa lateralmente o seu limite inicial da cicatriz,
crescendo de forma tumoral, podendo apresentar-se de forma pediculada
ou aplanada. É doloroso, coça muito, pode ter a cor
avermelhado-amarronzada ou violácea e não tem tendência
à regressão. Mostra-se resistente à excisão
isolada, podendo recidivar com muita freqüência.
15. O que é cicatrização por segunda intenção?
Resposta: É uma cicatrização que se
faz sem a interferência do cirurgião ou de outro fator
externo. O organismo diante de uma ferida ou trauma age no sentido
de fechá-la através de mecanismos de contração
cicatricial, deposição de colágeno, afluxo
de sangue e células de defesa. Entretanto, devemos levar
em consideração o agente causal (ferimento corto-contuso
ou uma queimadura), a região afetada (a face, articulações,
as pálpebras, pescoço) e a perda de substância
considerada (pequena ou extensa). Todos estes fatores interagem
entre si e são importantes para o seu resultado final estético
e de função.
16. Por que a cicatriz alarga e o que é deiscência
de cicatriz?
Resposta: Para que uma cicatriz se mantenha fina é necessário
que as bordas da ferida fiquem bem unidas pela sutura. Também
é necessário que ela desenvolva resistência
à tensão no processo natural de cicatrização.
Isto se faz através de vários elementos, mas são
as fibras colágenas as mais efetivas. Cicatrizes que foram
suturadas com fios inadequados ou com absorção precoce
dos mesmos, antes que se desenvolva a resistência cicatricial
ideal, tendem ao alargamento posterior ou mesmo deiscência
(quando os pontos se soltam e a cicatriz se abre). Deve-se entender
que a pele é um órgão de reparação
lenta e o nível de colágeno ideal para que esta resistência
seja segura chega a levar 42 dias. Outros fatores são: a
rejeição individual aos fios de suturas; o cigarro,
cujas suas substâncias causam vasoconstrição,
resultando em menor aporte de colágeno àquela região;
falta de repouso no pós-operatório, cicatrizes localizadas
em áreas de articulações e em locais de movimento.
17. Por que ocorre retração em certas cicatrizes?
Resposta: Na realidade é necessário explicarmos
os termos contração e contratura. Na prática
a contração pode ser benéfica ou prejudicial.
A contração é um processo biológico
normal que tem por finalidade a cicatrização de uma
ferida na qual houve perda de substância. Contratura é
o resultado final da contração de uma ferida. A contratura
pode ser produzida pela perda de elasticidade do tecido por fibrose.
Nas regiões em que a pele é frouxa e móvel,
a contração se processa normalmente sem deformidades.
Se a pele for tensa e aderente a planos profundos, a contração
se processa com dificuldade, podendo haver contraturas e distorções
com prejuízos funcionais. Um exemplo que deve ser evitado
é o de cirurgia de pálpebras inferiores, nas quais
muitas mulheres exigem a retirada "exagerada" de pele.
A retirada excessiva desta pele, que é frouxa e que tem tudo
para uma boa cicatrização, culminará com contratura,
arredondamento da borda palpebral inferior e problema de esclera
aparente. As rinoplastias repetidas ou resecções excessivas
resultarão uma cicatrização ruim com excesso
de fibrose e retrações sérias.
18. O que é uma brida cicatricial e quais os casos em
que ela mais aparece?
Resposta: São cicatrizes retráteis, que limitam
a função; geralmente localizadas em áreas de
movimento, articulações, pescoço, membros e
face. Os pacientes que sofreram queimaduras são os mais acometidos
por essas seqüelas.
19. A cicatrização em um peeling tem alguma semelhança
com a cicatrização em uma queimadura?
Resposta: Existem algumas semelhanças no processo
de reparo dos tecidos em ambos os casos, principalmente nos casos
de queimadura de primeiro grau ou de segundo grau superficial, porém
a intensidade da reação e o resultado final dependerão
do tipo de agente causal, da profundidade em que afetou os tecidos
e dos cuidados tomados no sentido de evitar complicações.
O peeling é um procedimento controlado pelo cirurgião,
podendo ser feito através da dermoabrasão, laser ou
agentes químicos, com a finalidade de remover manchas, cicatrizes
superficiais e regularizar a pele. A cicatrização
nestes casos se faz através da reepitelização.
Determinadas queimaduras desencadeiam um processo mais intenso de
deposição de colágeno, podendo causar retrações,
cicatrizes hipertróficas e discromias devido ao trauma térmico
e por atingirem os tecidos de forma irregular e com maior profundidade.
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