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VALE A PENA TER CICATRIZES?
01. Quais as cirurgias que deixam mais cicatrizes? Qual o tamanho
médio em cada tipo de cirurgia: abdominoplastia, lipoaspiração,
mamaplastia de redução e aumento, lifting facial, blefaroplastia,
entre outras.
Resposta: Qualquer cirurgia, em qualquer especialidade, deixará
alguma cicatriz que poderá ser menos ou mais visível. O mais importante
é a qualidade e o local em que a cicatriz ficará posicionada.
Em cirurgias estéticas, considera-se que a abdominoplastia e a mamaplastia
com incisão em T invertido são as que possuem cicatrizes mais
extensas em comprimento. Apesar da extensão destas cicatrizes, elas se
apresentam pouco visíveis, já que sua localização
segue as linhas naturais de menor tensão da pele e ficam em regiões
pouco visíveis, compensando o resultado da correção.
Não há uma medida exata para a extensão da cicatriz,
pois dependerá muito do maior ou menor grau de flacidez, do volume do
abdome ou das mamas, da necessidade técnica para o caso em particular
e do biótipo da pessoa. Isto também se aplica às outras
cirurgias. As cicatrizes resultantes de um lifting de face também são
longas, circundeiam as orelhas, aparecem no couro cabeludo, mas sua localização
as torna imperceptíveis.
Cirurgias plásticas reparadoras podem apresentar cicatrizes múltiplas
e de tamanhos variados, que perdem importância quando o melhor a fazer
é devolver a função de um membro ou parte do corpo e propiciar
a volta do indivíduo ao meio social e trabalho.
2. Como é possível amenizá-las?
Quais são os cuidados no pós-operatório?
Resposta: A preparação
do cirurgião plástico o faz reeducar a mão, tornando seus
movimentos mais delicados e precisos no trato com a pele do paciente. Ensinam-o
a planejar a localização preferencial para as cicatrizes, de acordo
com as linhas naturais de menor tensão, aspectos anatômicos e funcionais,
os quais propiciam cicatrizes menos visíveis e com possibilidades de
melhor resultado. O conhecimento da fisiologia do processo de cicatrização
ajuda-o a fazer ressecções menos traumáticas, respeitando
menores tensões sobre as suturas.
A qualidade estética de uma cicatriz depende de muitos fatores relacionados
ao próprio paciente, da região a ser operada, da cicatrização
e da técnica em si. Contudo, é algo imprevisível na maioria
dos casos.
Como cuidados gerais no pós-operatório, recomendamos fazer compressão
suave sobre a cicatriz utilizando placas adesivas de silicone ou mesmo espuma,
massagem, hidratação e protetor solar. No entanto estas orientações
podem variar com o caso e outras medidas poderão ser necessárias
em casos especiais. Somente o especialista poderá decidir quais os cuidados
indicados para cada situação.
03. Existe tratamento para quelóide?
Qual?
Resposta: O tratamento do quelóide conta com o uso de vários
procedimentos clínicos (compressão, massagem, aplicação
de corticosteróide local), radioterapia superficial, betaterapia e cirurgia.
Somente o especialista poderá decidir quais medidas serão instituídas
e em que seqüência será feito o tratamento. O risco de recidiva
está sempre presente apesar de qualquer terapia, pois existem características
individuais e regiões mais propensas no corpo, especialmente em nosso
povo tão miscigenado. Não é só o negro que pode
desenvolver quelóide; sabe-se que os ingleses, os judeus e outros povos
de pele branca também podem desenvolver quelóide. Portanto, todos
devem ter em mente os cuidados com a prevenção.
04. Se o paciente apresenta tendência
a ter cicatrizes inestéticas, então não se deve operar?
O que fazer se ele quer operar de qualquer jeito?
Resposta: Quando a pessoa apresenta história de má cicatrização
em cirurgia anterior, como quelóide, cicatriz alargada, alteração
de cor para escuro (hipercromia) ou despigmentada (hipocromia), é importante
investigar-se em que condições isto aconteceu. Uma cirurgia de
emergência como a apendicectomia, hérnias, etc. podem apresentar
cicatrizes desagradáveis pela condição em si. Cicatrizes
em região de articulações, ombro, área central do
tórax são mais propensas a alargamento e quelóide. Porém,
isto não impede que estas pessoas se submetam a uma cirurgia plástica.
O cirurgião tomará medidas preventivas durante a cirurgia e no
pós-operatório na tentativa de evitá-las. Nunca se deve
esquecer que as cicatrizes são imprevisíveis, apesar da história
pregressa de cicatrização boa ou não em outra localização
por outra cirurgia. O processo de cicatrização tem fases que se
estendem por seis meses a um ano, por isso os cuidados com a cicatriz devem
ser tomados por tempo prolongado.
05. Uma pessoa pode se arrepender de fazer
a cirurgia por causa da cicatriz?
Resposta: Isto pode acontecer em situações diversas. Depende
muito da concepção individual com relação à
cicatriz. É comum encontrarmos pessoas com cicatrizes imperceptíveis,
mas que falam delas como se fossem verdadeiras deformidades e até esquecem
dos benefícios que obtiveram com a cirurgia. Há outras pessoas
que, mesmo insatisfeitas com sua aparência, preferem disfarçar
com procedimentos cosméticos em vez de partirem para uma cirurgia, pois
no seu íntimo pensam que ela denunciaria não serem mais jovens
e jogam a culpa na cicatriz, que nem é perceptível na maioria
dos casos.
Também há o caso inverso, quando algumas pessoas procuram a cirurgia
pelo tamanho da cicatriz e não pelo resultado final. Chegam a mudar de
cirurgião quando este lhe oferece opção técnica
diferente da que têm em mente e iludem-se com propagandas de pequenas
cicatrizes/grandes resultados. Arrependem-se pela cicatriz e pela cirurgia neste
caso, devido ao equivoco na indicação e acabam concluindo que
o custo/benefício foi negativo. Como exemplo, existe o caso de mulheres
com mamas muito grandes ou muito flácidas que insistem em diminuí-las
por cicatrizes somente ao redor das aréolas. Não compreendem que
esta cicatriz não suportará a grande tensão e que não
possibilita a redução e ajuste necessário ao caso. Outra
situação é a indicação equivocada de prótese
em mamas já grandes e muito caídas, crendo que levantarão
as mesmas.
06. O que leva uma pessoa a decidir fazer uma cirurgia, mesmo sabendo que pode
ficar com uma grande cicatriz?
Resposta: A insatisfação com seu
corpo, o desejo de se harmonizar consigo mesmo e com seu grupo. Faz parte da
natureza humana a sua insatisfação pessoal, basta observarmos
as mulheres com seus cabelos. Também por necessidades profissionais,
caso comum entre os artistas, políticos, advogados, modelos, vendedores
e outros que precisam, de certo modo, da aparência física para
manterem-se em atividade. Também não é justo que somente
as elites sejam privilegiadas dos benefícios da cirurgia plástica,
logo elas as formadoras de opinião que estimulam tanto tal desejo nas
pessoas mais simples de também serem belas e de estarem na moda.
Não devemos esquecer dos casos de cirurgias reparadoras, essenciais para
a devolução da função normal ao indivíduo,
possibilitando-os inserir-se no mercado de trabalho e na sociedade.
07. Quais os riscos? Algum tipo de pele ou raça
tem maior probabilidade de desenvolver quelóide?
Resposta: Os riscos de surgimento de quelóide não podem ser
afastados em nenhuma cicatriz, pois dependem mais de características
individuais e do processo de cicatrização que da técnica
utilizada. Um quelóide não aparece imediatamente após a
cirurgia; pois sua formação depende da deposição
anômala e exagerada de fibras colágenas na cicatriz. Isto leva
em torno de seis meses para acontecer. Por isso a necessidade de tratamento
preventivo precoce para evitá-lo.
Sabe-se que pessoas de pele negra, morena, orientais ou miscigenados têm
maior propensão à formação de quelóides.
Porém isto não é uma regra imutável. Há também
pessoas de pele branca que desenvolvem quelóides igualmente.
08. A cicatriz pode ser totalmente eliminada ou apenas
amenizada?
Resposta: Uma cicatriz pode ser amenizada em graus variados, de acordo
com seu tipo e localização, porém sempre existirá,
por mais que se consiga torná-la imperceptível. A cirurgia plástica
tem um grande arsenal técnico para melhoria de cicatrizes. O cirurgião
poderá utilizar procedimentos cirúrgicos isolados ou combinados
entre si. Os mais comuns são a revisão de cicatriz com ressecção
e sutura e a dermoabrasão cirúrgica. Muitas vezes associam-se
tratamentos clínicos para melhoria do resultado, tais como peeling superficial,
creme despigmentante, protetor solar, compressão, massagem, fisioterapia
e radioterapia.
09. O médico deve alertar ao paciente sobre
o tamanho da cicatriz e os riscos de não ter uma boa cicatrização?
Resposta: O médico deve sempre conscientizar o paciente sobre
a existência da cicatriz em qualquer cirurgia, explicando sua localização,
tamanho e cuidados rotineiros para obter o resultado desejado de uma boa cicatriz.
O paciente, por sua vez, não deve se apavorar; deve procurar informar-se
bem, retirar suas dúvidas e avaliar se na sua própria concepção
valerá a pena submeter-se à cirurgia proposta.
10. Existem outras formas de cicatrização que não são
visíveis como em uma incisão?
Resposta: A cicatrização é um processo biológico
de defesa do organismo contra as injúrias sofridas e acontece a todo
tempo, seja externamente como é possível de ver através
de um corte ou ferimento, ou dentro do organismo desencadeados por doenças
como a fibrose no fígado, ou ainda na colocação de uma
prótese, seja ela qual for, resultando em um invólucro onde ficará
tal prótese. O mesmo ocorre numa lipoaspiração, numa abdominoplastia
e em outras cirurgias plástica. Em todos estes casos e nos demais procedimentos
cirúrgicos o processo de cicatrização atua unindo ou aderindo
suas estruturas.
11. Uma lipoaspiração pode ter uma cicatrização
ruim e alterar seu resultado? Quais os cuidados para evitar esses problemas?
Resposta: Independente da cicatriz na pele, ou seja, da incisão
que pode sofrer alguma alteração estética do tipo quelóide;
a aparência irregular e com depressões na pele pode surgir devido
a problemas cicatriciais como as aderências. Obviamente o processo natural
de cicatrização não poderá ser culpado de todos
os casos de irregularidades na pele após uma lipoaspiração.
Com relação aos cuidados preventivos, deve-se considerar inicialmente
a indicação correta para a cirurgia. A lipoaspiração
não tem finalidade emagrecedora. A relação pele e gordura,
ou seja, se há sobra de pele; então, lipoaspirar menos para não
acentuar a flacidez cutânea. Lipoaspirar na camada mais profunda do tecido
celular subcutâneo, deixando um coxim de gordura protetor. Entre os cuidados
no pós-operatório está o repouso, uso de cinta modeladora
e a fisioterapia (drenagem linfática, por exemplo).
12. O que é orelha de couve-flor de lutador de jiu-jitsu? Tem alguma
coisa a ver com má-cicatrização?
Resposta: Orelha em couve-flor é um termo usado pelo leigo para
esse tipo de alteração sofrido pela orelha, decorrente de traumas
repetidos, com inflamação e por vezes infecção sobre
ela. É o resultado de um trauma direto sobre a orelha, tendo como conseqüência
uma coleção sanguinolenta (hematoma), que determina um processo
inflamatório na cartilagem (condrite), cujo processo de cicatrização
resulta em uma fibrose desorganizada que deforma a orelha.
13. Por que, às vezes, as cicatrizes ficam com cor escura e outras
vezes branca?
Resposta: Isto se chama de discromia. O pigmento normal da pele é
a melanina, produzida na camada basal da epiderme pelos melanócitos.
A hiperpigmentação (escurecimento) pode acontecer mais nas pessoas
de pele mais escura, mas não é regra geral. Sabe-se ainda que
a exposição precoce ao sol possa causar hiperpigmentação
permanente. O efeito contrário é hipopigmentação
ou falta de pigmentação, esta, mais difícil de tratamento.
Contudo, habitualmente a quantidade inicial maior do pigmento vai diminuindo
a partir do terceiro mês até desaparecer. Nos casos resistentes
torna-se necessário tratamento clínico específico.
14. Qual a diferença entre uma cicatriz hipertrófica e o quelóide?
Resposta: Cicatrizes hipertróficas e quelóides são
histologicamente parecidas e se caracterizam pela formação excessiva
de colágeno dispostos em espirais ou nódulos. É difícil
estabelecer critérios para determinar a quantidade de colágeno
que seria considerada normal numa cicatriz.
A cicatriz hipertrófica é elevada, tensa, avermelhada, podendo
ser dolorosa e pruriginosa (coça muito), mas não ultrapassa os
limites laterais da cicatriz e com o tempo mostra tendência à regressão.
O quelóide, por sua vez, ultrapassa lateralmente o seu limite inicial
da cicatriz, crescendo de forma tumoral, podendo apresentar-se de forma pediculada
ou aplanada. É doloroso, coça muito, pode ter a cor avermelhado-amarronzada
ou violácea e não tem tendência à regressão.
Mostra-se resistente à excisão isolada, podendo recidivar com
muita freqüência.
15. O que é cicatrização por segunda intenção?
Resposta: É uma cicatrização que se faz sem a interferência
do cirurgião ou de outro fator externo. O organismo diante de uma ferida
ou trauma age no sentido de fechá-la através de mecanismos de
contração cicatricial, deposição de colágeno,
afluxo de sangue e células de defesa. Entretanto, devemos levar em consideração
o agente causal (ferimento corto-contuso ou uma queimadura), a região
afetada (a face, articulações, as pálpebras, pescoço)
e a perda de substância considerada (pequena ou extensa). Todos estes
fatores interagem entre si e são importantes para o seu resultado final
estético e de função.
16. Por que a cicatriz alarga e o que é deiscência de cicatriz?
Resposta: Para que uma cicatriz se mantenha fina é necessário
que as bordas da ferida fiquem bem unidas pela sutura. Também é
necessário que ela desenvolva resistência à tensão
no processo natural de cicatrização. Isto se faz através
de vários elementos, mas são as fibras colágenas as mais
efetivas. Cicatrizes que foram suturadas com fios inadequados ou com absorção
precoce dos mesmos, antes que se desenvolva a resistência cicatricial
ideal, tendem ao alargamento posterior ou mesmo deiscência (quando os
pontos se soltam e a cicatriz se abre). Deve-se entender que a pele é
um órgão de reparação lenta e o nível de
colágeno ideal para que esta resistência seja segura chega a levar
42 dias. Outros fatores são: a rejeição individual aos
fios de suturas; o cigarro, cujas suas substâncias causam vasoconstrição,
resultando em menor aporte de colágeno àquela região; falta
de repouso no pós-operatório, cicatrizes localizadas em áreas
de articulações e em locais de movimento.
17. Por que ocorre retração em certas cicatrizes?
Resposta: Na realidade é necessário explicarmos os termos
contração e contratura. Na prática a contração
pode ser benéfica ou prejudicial. A contração é
um processo biológico normal que tem por finalidade a cicatrização
de uma ferida na qual houve perda de substância. Contratura é o
resultado final da contração de uma ferida. A contratura pode
ser produzida pela perda de elasticidade do tecido por fibrose. Nas regiões
em que a pele é frouxa e móvel, a contração se processa
normalmente sem deformidades. Se a pele for tensa e aderente a planos profundos,
a contração se processa com dificuldade, podendo haver contraturas
e distorções com prejuízos funcionais. Um exemplo que deve
ser evitado é o de cirurgia de pálpebras inferiores, nas quais
muitas mulheres exigem a retirada "exagerada" de pele. A retirada
excessiva desta pele, que é frouxa e que tem tudo para uma boa cicatrização,
culminará com contratura, arredondamento da borda palpebral inferior
e problema de esclera aparente. As rinoplastias repetidas ou resecções
excessivas resultarão uma cicatrização ruim com excesso
de fibrose e retrações sérias.
18. O que é uma brida cicatricial e quais os casos em que ela mais
aparece?
Resposta: São cicatrizes retráteis, que limitam a função;
geralmente localizadas em áreas de movimento, articulações,
pescoço, membros e face. Os pacientes que sofreram queimaduras são
os mais acometidos por essas seqüelas.
19. A cicatrização em um peeling tem alguma semelhança
com a cicatrização em uma queimadura?
Resposta: Existem algumas semelhanças no processo de reparo dos
tecidos em ambos os casos, principalmente nos casos de queimadura de primeiro
grau ou de segundo grau superficial, porém a intensidade da reação
e o resultado final dependerão do tipo de agente causal, da profundidade
em que afetou os tecidos e dos cuidados tomados no sentido de evitar complicações.
O peeling é um procedimento controlado pelo cirurgião, podendo
ser feito através da dermoabrasão, laser ou agentes químicos,
com a finalidade de remover manchas, cicatrizes superficiais e regularizar a
pele. A cicatrização nestes casos se faz através da reepitelização.
Determinadas queimaduras desencadeiam um processo mais intenso de deposição
de colágeno, podendo causar retrações, cicatrizes hipertróficas
e discromias devido ao trauma térmico e por atingirem os tecidos de forma
irregular e com maior profundidade.
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