ESTOU COM PROBLEMAS - CASOS CLÍNICOS


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"EMBOLIA"


01. O QUE É?

É denominada embolia ou embolismo a obstrução de um vaso (seja ele venoso, arterial ou linfático) pelo deslocamento de um êmbolo até o local da obstrução, que pode ser um coágulo (denominando-se então tromboembolia), tecido adiposo (embolia gordurosa), ar (embolia gasosa) ou um corpo estranho (como embolias iatrogênicas por pontas de cateter).

A obstrução do vaso pode levar a complicações mais evidentes a jusante, no caso de embolias em artérias ou a montante, no caso de acometimento de veias ou vasos linfáticos.

 


HISTÓRICO - TERMINOLOGIA

Êmbolo origina-se diretamente do grego. Embole, em grego expressa a "ação de lançar, de arremessar em" e êmbolo tem o sentido de cunha, tampão.

O termo embolia foi introduzido no vocabulário médico por Virchow em seus trabalhos publicados entre 1846 a 1853, para caracterizar a oclusão de uma artéria por um coágulo que se desprende do seu local de origem e é lançado na circulação sanguínea. Os trabalhos de Virchow sobre o assunto foram reunidos em seu livro “Thrombose und Embolie”, editado em 1856.

Como a embolia pode ser causada por outro material que se introduz na corrente sanguínea, criou-se o termo tromboembolia para especificar que se trata de um coágulo sanguíneo.

Trombo é a forma vernácula da palavra grega thrómbos, que significa coágulo.
Os termos embolismo e tromboembolismo são variantes de embolia e tromboembolia.

ATENÇÃO

A embolia arterial aguda é uma das causas de obstrução súbita e total do fluxo sangüíneo em uma artéria, como conseqüência da presença de coágulos (êmbolos) originados de outro local da circulação, geralmente do coração. Os êmbolos são liberados para a circulação de forma aleatória, podendo atingir virtualmente qualquer órgão do corpo humano. Entretanto, os membros inferiores são os locais atingidos com maior freqüência.

Dependendo do órgão afetado, do tempo de evolução do quadro clínico, da rapidez do tratamento e das doenças associadas, a situação pode variar da recuperação total da função até a perda do órgão ou mesmo ao óbito.


FATORES PREDISPONENTES NA FORMAÇÃO DO COÁGULO

A causa da coagulação do sangue nas veias pode não ser identificável. Fique de olho nestes fatores:

· Procedimentos Cirúrgicos: todo médico que está envolvido com CIRURGIA têm que ter conhecimento deste evento, saber conduzir seu tratamento e, principalmente, como prevenir sua ocorrência.

· Repouso prolongado no leito ou inatividade, como no caso de permanência prolongada na posição sentada em viagens de mais de seis horas por carro ou avião. Candidatos a cirurgias nesta situação devem adiar a operação por no mínimo 48 horas e durante a viagem devem ingerir bastante líquido e evitar a inatividade.

· Obesidade: pacientes obesos devem ser bem avaliados clinicamente pelo cardiologista, que poderá indicar uma série de medidas profiláticas para serem seguidas pelo anestesiologista e cirurgião no pré-operatório, durante a cirurgia e após.

· Outros fatores: história pregressa de tromboembolismo familiar ou do próprio paciente, acidente vascular cerebral, infarto do miocárdio, fratura do quadril ou da perna; pacientes que têm tendência ao aumento da coagulação do sangue, como ocorre em certos cânceres, com o uso de contraceptivos orais ou na deficiência hereditária de um inibidor da coagulação sangüínea; também na menopausa, devido à terapia de reposição hormonal.

SINTOMATOLOGIA E PRECAUÇÃO

O diagnóstico precoce da embolia arterial e a avaliação por um cirurgião vascular é de suma importância, pois o tempo de evolução do quadro até o início do tratamento é o fator mais importante para o sucesso do mesmo.

A grande maioria dos casos de embolia arterial envolve os membros inferiores.

O aparecimento de um quadro súbito de dor, esfriamento, dormência, dificuldade de movimentação ou mesmo anestesia de parte ou de todo o membro de um paciente portador de alguma doença cardíaca como: arritmias, infarto do miocárdio e doenças das válvulas cardíacas e sem qualquer queixa prévia em relação aos membros inferiores, deve alertar para a possibilidade de um quadro de embolia arterial aguda.

O importante é saber que pode acontecer em qualquer cirurgia; por este motivo deve-se estar sempre alerta e prevenir-se com o diagnostico precoce dos pacientes que fazem parte deste grupo de risco, tais como os obesos, fumantes, sedentários e outros já relacionados. Fazer uma boa anamnese investigativa, para detectarem-se os níveis de pressão arterial, história de cardiopatias, tromboembolia pregressa etc. Não devemos nos deixar levar pela pressa e ansiedade que alguns pacientes têm em realizar uma cirurgia em algumas ocasiões. Solicitar os exames pré-operatórios e risco cirúrgico e orientação de conduta do cardiologista. A programação cirúrgica no paciente do grupo de risco deve evitar cirurgias associadas de longa duração, preparar esquema de medicação anticoagulante se necessário for, uso de meias elásticas e compressão intermitente nos membros inferiores durante a intervenção, boa hidratação e deambulação precoce. Ainda anestesia segura e bem monitorizada e controle do pós-operatório. Não custa nada solicitar um teste de gravidez, pois, as grávidas fazem parte deste grupo de risco e muitas mulheres não sabem se estão ou não grávidas quando procuram o cirurgião plástico - É verdade!

IMPORTANTÍSSIMO SABER

É fundamental que o tratamento do tromboembolismo seja individualizado. Existem atualmente várias modalidades terapêuticas disponíveis que não são indicadas para todos os casos. O tratamento pode ser clínico ou cirúrgico e a conduta conservadora ou observacional pode muitas vezes ser de grande benefício a certos subgrupos de pacientes.

O tratamento padrão consiste na remoção cirúrgica dos coágulos através da introdução de um cateter-balão até o local onde a artéria está afetada.

O paciente deverá ser tratado no hospital, onde a avaliação clínica seriada permite determinar a eficiência do tratamento proposto. Além disso, a possibilidade de realização de cirurgia e o uso de medicamentos que interferem no processo de coagulação global do paciente são fatores que indicam a necessidade da internação hospitalar.

Nós da BG, que realizamos cirurgias plásticas consideradas eletivas na maioria, seguimos todas as orientações necessárias de uso de medicamentos chamados anticoagulantes e fibrinolíticos, caso sejam indicados pelo especialista para um caso específico. Estes medicamentos devem ser usados com prudência e precisam de controle cuidadoso na aplicação e no seguimento do tratamento; pois oferecem o risco maior de sangramento; portanto, sempre é necessário avaliar seus riscos e benefícios antes de sua utilização.

 

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