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DESINFECÇÃO: é um
processo que elimina microrganismos patogênicos de seres inanimados,
sem atingir necessariamente os esporos. Pode ser de alto nível,
intermediário ou baixo.
- Desinfectantes da pele e das mucosas (anti-sépticos):
a sua concentração não pode ser tóxica
para as células. São exemplos o álcool etílico
(70º), peróxido de hidrogénio (10 volumes), eosina
(para Gram-positivos), permanganato de potássio, hipoclorito
de sódio (0,48%) e iodopovidona (derivado do iodo, altamente
eficaz, exceto no caso da hepatite B).
- Desinfectantes do ambiente: são usados para a desinfecção
de bancadas e em blocos operatórios; exemplo: os aldeídos
(como o formaldeído) e o hipoclorito de sódio(lexívia:pode
mesmo ser um esterilizador, se usado puro).
- Desinfectantes de instrumentos: existem uma variedade de
soluções. Estas soluções são seletivas
para detriminado fim, exemplo: os aldeídos, usados em estetoscópios
e termómetros, o hipoclorito de sódio, usado só
em material não oxidável, como as pinças e tesouras,
ou o óxido de etileno, que em mistura com o CO2 é usado
em câmaras, esterilizando tudo o que seja sensível à
temperatura (batas, toucas, material descartável
).
QUEM TRABALHA NA ÁREA DA SAÚDE JÁ SE DEPAROU
COM ESTES PRODUTOS:
Os anti-sépticos e desinfectantes podem também ser agrupados
de acordo com a sua natureza química:
1. Fenol e compostos fenólicos: (ex. hexaclorofeno)
- o Eficaz contra Gram-positivos;
- Pouco activo contra Gram-negativos;
- Ineficaz na presença de sangue.
2. Halogéneos:
- o Derivados do cloro (hipoclorito de sódio) - actuam inibindo
a actividade das proteínas celulares e a síntese de
DNA;
- o Derivados do Iodo (iodopovidona) - interagem com enzimas e proteínas
inibindo-as por reacção de oxidação de
grupos -SH e por ligação do iodo ao grupo -NH dos aminoácidos.
3. Sais metálicos:
- Compostos mercuriais (mertiolato): combinam-se com -SH de enzimas
e inibem a sua actividade;
- Sais de prata (nitrato de prata);
- Compostos de zinco (matam fungos);
- Compostos de cobre (matam algas).
4. Oxidantes (peróxido de hidrogénio, permanganato de
potássio):
- Oxidam lípidos de membrana e DNA.
5. Álcoois (etanol):
- Coagulam proteínas e lípidos de membrana.
6. Compostos de amónia quaternária (Cetrimina a 1%,
Benzalcónio)
- Inactivados pela presença de material orgânico.
7. Clorexidina:
- Promove a desorganização estrutural e funcional da
membrana citoplasmática.
8. Óxido de etileno:
- Agente alquilante que inactiva enzimas e proteínas;
- Usado em mistura não explosiva com CO2 ou com hidrocarbonetos
halogenados.
9. Aldeídos (formaldeído (muito tóxico) e glutaraldeído):
- Inactivação de proteínas e ácidos nucleicos.
10. Beta-propriolactona:
- Possui características cancerígenas, mas os seus vapores
são usados na esterilização.
LIMPEZA: é a remoção da sujidade de qualquer
superfície, reduzindo o número de microrganismos presentes.
Esse procedimento deve obrigatoriamente ser realizado antes da desinfecção
e/ou esterilização.
ESTERILIZAÇÃO: é um processo que elimina
todos os microrganismos: esporos, bactérias, fungos e protozoários.
Os meios de esterilização podem ser físicos ou
químicos.
- Preparo do instrumental para esterilização:
(1) Pré-lavagem: remoção da sujidade.
(2) Ultra-som: com solução enzimática
ou desencrostante (2 à10 min.);
(3) Mecânica: o instrumental deve ficar imerso em solução
enzimática (2 a 10 min) e depois lavado em água corrente.
(4) Secagem: toalha ou ar.
(5) Embalagem: de acordo com o método de esterilização.
- Métodos de Esterilização
(1) Calor Úmido (Autoclave): vapor sob pressão
(1 a 2 atmosferas). Tempo de 15 a 30 minutos. Temperatura de 121 a
132 °C.
(2) Calor Seco (Estufa): tempo de 1 hora a 170°C ou 2 horas
a 160°C, sem a abertura da mesma durante o processo.
(3) Processos Químicos: óxido de etileno por
4 horas; glutaraldeído 2% por 10 horas e solução
de formaldeído 38% por 18 horas.
Classificação dos Instrumentos
-Instrumentos críticos: são instrumentos de corte
ou ponta que penetram nos tecidos subepiteliais. Devem ser obrigatoriamente
esterilizados.
-Instrumentos semicríticos: são instrumentos
que entram em contato com a mucosa ou pele íntegra (moldeiras,
espelhos, instrumentais para restaurações). Podem ser
desinfetados, mas quando possível e preferencialmente esterilizados.
- Instrumentos não críticos: entram em contato
apenas com a pele íntegra ou não entram em contato com
o paciente. (pinça perfuradora de lençol de borracha,
arco de Young, mufla). Devem ser desinfetados.
Equipamento de Proteção Individual - Barreiras
1. Gorro (tipo touca): deve recobrir todo o cabelo e orelhas,
protegendo-os principalmente dos aerossóis. Deve ser de uso
único e descartável; colocado em lixo contaminado após
seu uso.
2. Avental: evita o contato da pele e roupas pessoais com os
microrganismos do campo de trabalho. Seu uso deve ser restrito ao
local de trabalho. Podem ser: não cirúrgico - para procedimentos
semicríticos. Devem ser trocados diariamente ou quando apresentarem
contaminação visível por sangue ou fluidos. Cirúrgico
estéril - para procedimentos críticos. É vestido
após a paramentação do profissional e degermação
das mãos.
3. Máscara: proteção das vias aéreas
superiores (3 camadas) - descartável.
4. Óculos de Proteção: proteção
biológica e mecânica. Devem ser fechados lateralmente.
Devem ser lavados e desinfetados.
5. Luvas: as mãos devem ser lavadas antes de calçar
as luvas que devem ser descartadas a cada procedimento em lixo contaminado.
COMO DESCARTAR O LIXO CHAMADO HOSPITALAR:
- Não contaminado: lixo comum, saco preto.
- Contaminado: contém sangue e secreções,
saco branco identificado.
- Pérfuro-cortante: descartex.
SAIBA AGORA, O QUE É INFECÇÃO: : É
a colonização de um organismo hospedeiro por uma espécie
estranha. Em uma infecção, o organismo infectante procura
utilizar os recursos do hospedeiro para se multiplicar (com evidentes
prejuízos para o hospedeiro). O organismo infectante, ou patógeno,
interfere na fisiologia normal do hospedeiro e pode levar a diversas
conseqüências. A resposta do hospedeiro é a inflamação.
Os agentes infecciosos, na maioria das vezes, são seres microscópicos
tais como vírus, bactérias, fungos, parasitas (muitos
macroscópicos), virions e príons. Os príons estão
associados a várias doenças, como por exemplo, a Encefalopatia
Espongiforme Bovina, uma doença que acomete o gado conhecida
como "doença da vaca-louca" ou a sua variante humana
a doença de Creutzfeldt-Jakob. Desta definição
conclui-se que em todas as infecções existe uma inflamação,
mas nem todas as inflamações são infecções.
A inflamação é definida como a presença
de edema (inchaço), hiperemia (vermelhidão), hiperestesia
(dor ao toque), aumento da temperatura no local e, às vezes,
perda de função. Assim, uma simples queimadura de sol
já produz uma inflamação, pois a pele fica vermelha,
ardida, quente e inchada. Mas, em princípio, não existe
infecção pois não há bactérias
ou vírus causando esta inflamação. Já
uma amigdalite aguda, vulgarmente chamada de dor de garganta, apresenta
na garganta todos os aspectos da inflamação e mais a
presença de bactérias ou vírus que produziram
esta inflamação. A infecção pode levar
a formação de pus, num processo conhecido por supuração.
ATENÇÃO: Infecção é a simples
colonização; quando esta agride o organismo caracteriza-se
como doença infecciosa.
Infecção hospitalar: é toda infecção
(pneumonia, infecção urinária, infecção
cirúrgica, etc) adquirida dentro de um ambiente hospitalar.
A maioria das infecções hospitalares são de origem
endógena, isto é, são causadas por microrganismos
do próprio paciente. Isto pode ocorrer por fatores inerentes
ao próprio paciente (ex: diabetes, tabagismo, obesidade, imunossupressão,
etc.) ou pelo fato de, durante a hospitalização, o paciente
ser submetido a procedimentos invasivos diagnósticos ou terapêuticos
(cateteres vasculares, sondas vesicais, ventilação mecânica,
etc.). As infecções hospitalares de origem exógena
geralmente são transmitidas pelas mãos dos profissionais
de saúde ou outras pessoas que entrem em contato com o paciente.
No Brasil, para reduzir os riscos de ocorrência de infecção
hospitalar, um hospital deve constituir uma Comissão de Controle
de Infecção Hospitalar (CCIH), que é responsável
por uma série de medidas como o incentivo da correta higienização
das mãos dos profissioanis de saúde; o controle do uso
de antimicrobianos, a fiscalização da limpeza e desinfecção
de artigos e superfícies, etc.
Tipos de infecções
- Infecção Aérea - infecção microbiana
adquirida através do ar e dos agentes infectantes nele contidos.
- Infecção Critogénica - infecção
de porta de entrada desconhecida.
- Infecção Direta - infecção adquirida
por contacto com um indivíduo doente.
- Infecção Endógena - infecção
devido a um microorganismo já existente no organismo, e que,
por qualquer razão, se torna patogénico.
- Infecção Exógena - infecção provocada
por microorganismos provenientes do exterior.
- Infecção Focal - infecção limitada a
uma determinada região do organismo.
- Infecção Indireta - infecção adquirida
através da água, dos alimentos ou por outro agente infectante,
e não de indivíduo para indivíduo.
- Infecção Nosocomial - infecção adquirida
em meio hospitalar.
- Infecção Oportunista ou Oportunística - infecção
que surge por diminuição das defesas orgânicas.
- Infecção Puerperal - infecção surgida
na mulher debilitada e com defesas diminuídas, logo após
o parto.
- Infecção Secundária - infecção
consecutiva a outra e provocada por um microorganismo da mesma espécie.
- Infecção Séptica ou Septicemia - infecção
muito grave em que se verifica uma disseminação generalizada
por todo o organismo dos agentes microorgânicos infecciosos.
- Infecção Terminal - infecção muito grave
que, em regra, é causa de morte.
Resistência Bacteriana
A importância da resistência bacteriana aos antibióticos
deve-se ao fato das bactérias que constituem a microbiota hospitalar
estarem "acostumadas" a muitos antibióticos, ou melhor:
os antibióticos usados no hospital em grande quantidade e diariamente
vão matando as bactérias mais sensíveis, deixando
que as bactérias que tem resistência ao antibiótico
usado sem concorrência e livres para se multiplicarem, ocupando
o espaço daquelas que morreram. Quando as bactérias
resistentes causarem uma infecção, os antibióticos
normalmente usados não surtirão efeito e será
necessário utilizar antibióticos cada vez mais tóxicos,
selecionando também bactérias cada vez menos sensíveis
a este, e criando um círculo vicioso. O grande problema atual
é a necessidade do uso racional destes antibióticos,
tentando romper este ciclo.
IMPORTANTÍSSIMO: INFECÇÃO E CIRURGIA
Esta é sem dúvida o evento indesejável ou complicação
mais importante de toda e qualquer ferida cirúrgica. Sua instalação
depende de uma série de fatores predisponentes e desencadeantes,
locais e sistêmicos. Pode assumir diferentes formas clínicas,
de maior ou menor gravidade.
Toda e qualquer ferida traumática é, por definição,
contaminada; mesmo aquelas produzidas em sala de cirurgia. Esta contaminação
provém de germes albergados na própria pele e glândulas
anexas do paciente, ou do ar ambiente. Tais germes deparam-se com
sistema de defesa local representado por fagócitos e linfócitos
portadores de anticorpos etc, que impedem a sua proliferação
e o seu estabelecimento. Quando o este equilíbrio se altera,
permitindo ou estimulando a multiplicação de agentes
invasores é que nos defrontamos com o problema da infecção.
Classificação das feridas operatórias de acordo
com o seu risco de contaminação:
1. LIMPAS: são aquelas feridas de natureza não
traumática, nas quais se observaram as regras de ténica
cirúrgica e anti-sepsia, em que não houve penetração
dos tratos respiratório, digestivo ou genituruinário.
2. LIMPAS-CONTAMINADAS: são aquelas nas quais houve
penetração do trato respiratório, digestivo ou
geniturinário, porém na ausência dos mesmos se
enquadram aquelas cirurgias nas quais houvera infrações
de técnica cirúrgica, mesmo sendo mínimas.
3. CONTAMINADAS: são todas as intervenções
nas quais existe uma grande contaminação a partir do
trato gastinstestinal. A este grupo pertecem os ferimentos traumáticos
recentes e aquelas cirurgias que houvera falha na técnica cirúrgica
ou das regras de assepsia.
4. SUJAS OU INFECTADAS: incluem as feridas traumáticas
antigas e as que envolvem infecções clínicas
ou perfurações intestinais e as transecções
de tecido limpo para ter acesso a coleções purulentas.
A própria definição desta classificação
sugere que os microorganismo causadores da infecção
pós-operatória se encontravam no campo operatório
antes ou por ocasião da intervenção.
FATORES PREDISPNENETES DA INFECÇÃO:
- Tipo e local da incisão: ferimentos traumáticos
com esmagamento de partes moles que levam aà formação
de tecido necrótico; ferimentos sujos; lesões produzidas
por agentes uímicos ou térmicos; proximidades com áreas
normalmente mais contaminadas aumentam o risco de infecção.
- População bacteriana invasora: a virulência
assim como a quantidade debactérias invasoras em uma área
momentaneamente exposta poderá influir decsivamente no índice
de infecção local.
- Fatores sistêmicos: determinadas condições
sistêmicas podem facilitar oaparecimento de infecção
cirúrgica através de mecanismos variados, exemplos:
choue, uremia, pacientes fazendouso de corticóide em grandes
doses, leucemias, queimaduras extensa, pacientes que estão
fazendo uso de medicação imunossupressora, doenças
consumptivas, etc.
SINTOMATOLOGIA: dor, calor, rubor, tumor, febre, taquicardia,
sinais indefinidos de fraqueza e mal-estar, edema local tenso na linha
de sutura, etc.
TEMPO DE APARECIMENTO: geralmente a infecção
se desenvolve entre o 5º. e o 10º. dia de pós-operatório.
O QUE FAZER: fazer o diagnóstico imediato, manter o
paciente sob controle médico, se houver necessidade internar
o paciente para acompnhá-lo com mais cautela e segurança;
coleta de material para exame bacteriológico e antibiograma,
hemograma; inspeção cuidadosa da incisão e da
cirurgia como um todo; drenagem e/ou descompresão de material
purulento via punção ou através de uma abertura
na linha de sutura com uma tentacânula, ou liberação
de 2 ou 3 pontos; desbridamento de tecido necrótico ou fibrina;
curativos com o intuíto de manter a ferida limpa; saber que
hematoma e seroma podem infectar-se assim cuidados e vigilância
redobrada para estes casos, retirada de próteses imediata e
só recolocá-las após um periíodo de 6
meses.
PROFILAXIA: a profilaxia das infecções cirurgicas
repousa na técnica cirúrgica cuidadosa e atraumática,
redução de contaminação ou seja correta
asspsia e anti-sepsia, estimulação das defesas do paciente
e o uso correto e consciente dos antibióticos.
COMENTÁRIO: É o evento ou complicação
mais indesejável para qualquer médico, seja ele clínico
ou cirurgião. Os cirurgiões plásticos da BG tem
a felicidade de relatar que esta situação é muito
rara no serviço; pois, seguimos todas as normas pré-estabelecidas
de técnica cirúrgica utilizadas, assim como a correta
anti-sepsia e assepsia. Sabemos da resistência bacteriana crescente
e por esta razão somos precavidos ao lidar com a pele, nosso
principal substrato de trabalho, no manuseio de um grande retalho
cutâneo, fáscio-cutâneo, miocutâneo, próteses,
naturalmente contaminados. Nos valemos de imediato dos princípios
de ëxcelência" no emprego correto das "técnicas
cirúrgicas" ensinadas e preconizadas pelos melhores manuais
de ensino da medicina segundo as normas estabelecidas e supervisionada
pelos orgãos responsáveis (ANVISA), da antibioticoterapia
profilática ou terapêutica, monitorando nossos pacientes.
Orientamos sobre a higiene pessoal, a frequência dos curativos,
os quais nós mesmos realizamos em nossas instalações.
Deste modo, estamos sempre na vanguarda do aparecimento de qualquer
infecção oportunista, que na eventualidade de aparecimento,
seguimos os procedimentos de praxe;isto é: coleta imediata
do material para exame bacteriológico e antibiograma, curativos
seriados, prescrição de medicação adequada,
punção ou drenagem de secreções, exame
laboratorial, retirada de próteses se for o caso. Mantemo-nos
em estado de alerta até que o quadro seja debelado.
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