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O processo inflamatório visa compensar essas alterações
de forma e de função por intermédio de reações
teciduais, principalmente vasculares, que buscam destruir o agente
agressor. A inflamação pode ser considerada, assim,
uma reação de defesa local.
É a reação de um tecido vivo vascularizado
ou defesa local. O processo inflamatório está intimamente
relacionado com o processo de reparo. A inflamação
serve para destruir, diluir ou imobilizar o agente agressor, mas,
com o tempo, ela deflagra uma série de acontecimentos que,
tanto quanto possível, curam e reconstituem o tecido lesado.
O reparo depende do tecido e extensão da lesão. Ele
pode ser feito por regeneração ou cicatrização.
Sem a inflamação as infecções ficariam
sem controle, as feridas nunca cicatrizariam. Todavia, a inflamação
e o reparo podem ser potencialmente nocivos. Essas alterações
dos componentes teciduais são resultantes de modificações
que ocorrem nas células agredidas, estas passando a adquirir
comportamentos diferentes: movimentos novos, alterações
de forma e liberação de enzimas e de substâncias
farmacológicas.
COMO É QUE OCORRE O PROCESSO DE
RESPOSTA INFLAMATÓRIA:
Inflamação ou Processo Inflamatório
é uma resposta do organismo à uma agressão
sofrida. Esta resposta padrão é comum a vários
tipos de tecidos vivos e é mediada através de substâncias
produzidas pelas celulas danificadas chamadas prostaglandinas. As
prostaglandinas aumentam a permeabilidade capilar e também
tem o poder da quimiotaxia, atraíndo células polimorfonucleadas,
neutrófilos na fase aguda e macrófagos passadas 24
horas. Os polimorfonucleados, por sua vez, fagocitam os elementos
que estão na origem da inflamação e produzem
histamina e mais prostaglandinas. Estas substâncias produzem
um aumento do calibre dos capilares responsáveis pela irrigação
sanguínea do local, resultando em uma estase vascular, caracterizando
um sintoma da inflamação, a coloração
vermelha (hiperemia) por causa da cor do sangue; aumento da temperatura
local devido à liberação de diversos mediadores
químicos presentes no sangue local e o edema ou inchaço,
devido ao extravassamento do líquido intravascular para o
espaço extracelular; consequentemente aumentando o líquido
extracelular (LEC) extravascular. Outro sintoma clássico
da inflamação é a dor, causada pela compressão
das terminações nervosas, realizada pelo edema.
INFLAMAÇÃO
& CIRURGIA:
Pode ser definida como sendo uma resposta local do tecido vascularizado
agredido, caracterizada por alterações do sistema
vascular, dos componentes líquidos e celulares, bem como
por adaptações do tecido conjuntivo vizinho; desta
forma as incisões cirúrgicas desencadearam um processo
inflamatório natural que deve ser bem acompanhado e controlado
pelo cirurgião. Para tornar-se um agente inflamatório
(o bisturi, por exemplo), ou seja, um estímulo que desencadeie
esses fenômenos de transformação nos tecidos,
o agente lesivo tem que ser suficientemente intenso para provocar
tais reações e ultrapassar as barreiras de defesa
externas (como o derma, por exemplo), sem, contudo alterar a vitalidade
do tecido em que atua. Portanto, qualquer causa de agressão
é, potencialmente, um agente flogístico.
É bom enfatizar que toda essa transformação
morfológica e funcional do tecido, característica
dos processos inflamatórios, visa destruir, diluir ou isolar
o agente lesivo, sendo, portanto, uma reação de defesa
e de reparação do dano tecidual. No caso das feridas
operatórias, o combate se faz contra agentes potencialmente
estranhos (exemplo: bactérias que se encontram na pele) defendendo,
reparando a solução de continuidade do tecido agredida
pela incisão do bisturi e dando início ao processo
de cicatrização que se faz necessário.
INFLAMAÇÃO - TEMPO DE DURAÇÃO
Podem ser agudas ou crônicas; as primeiras tendo um curso
rápido (entre 1 a 2 semanas) e as outras constituindo processos
mais demorados (superam 3 meses).
INFLAMAÇÃO
AGUDA
A inflamação aguda é
dita imediata por se desenvolver no instante da ação
do agente lesivo e inespecífica por ser sempre qualitativamente
a mesma, independentemente da causa que a provoque. É de
duração relativamente curta e suas características
principais são a exsudação de líquido
e de proteínas plasmáticas (edema) e a emigração
de leucócitos, predominantemente neutrófilos.
A inflamação aguda é mediada por eventos vasculares
e exsudativos.
SINAIS CLÍNICOS OU CARDINAIS DA
INFLAMAÇÃO AGUDA:
1. Calor: é oriundo da fase
vascular, em que se tem hiperemia arterial e, conseqüentemente,
aumento da temperatura local. O rubor ou vermelhidão também
é decorrente desse mesmo fenômeno.
2. Rubor: modificações
morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem
a liberação de mediadores químicos, estes desencadeantes
das demais fases inflamatórias e das alterações
hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade
vascular no local da agressão.
3. Tumefação ou Tumor:
é causado principalmente pela fase exsudativa e produtiva-reparativa,
representadas pelo aumento de líquido (edema inflamatório)
e de células.
4. Dor adicionada à perda da função:
é originada de mecanismos mais complexos que incluem compressão
das fibras nervosas locais, devido ao acúmulo de líquidos
e de células, agressão direta às fibras nervosas
e ações farmacológicas sobre as terminações
nervosas.
Portanto, os sinais clínicos acima
descritos geralmente englobam pelo menos uma ou duas ou as três
fases da inflamação (irritativa, vascular e exsudativa).
INFLAMAÇÃO CRÔNICA
A inflamação crônica é
sempre precedida pela inflamação aguda, processo em
que se desenvolvem as fases inflamatórias anteriormente citadas
com o intuito de eliminar o agente agressor. Reação
tecidual caracterizada pelo aumento dos graus de celularidade e
de outros elementos teciduais mais próximos da reparação,
diante da permanência do agente agressor.
Clinicamente, nas inflamações
crônicas não de observam os sinais cardinais característicos
das reações agudas. Porém, todas as alterações
vasculares e exsudativas que originam esses sinais clínicos
continuam acontecendo, culminando com o destaque da última
fase inflamatória, a fase produtiva-reparativa.
INFLAMAÇÃO - TIPOS
Inflamação adesiva
inflamação na qual existe uma quantidade de fibrina
que provoca a aderência de tecidos adjacentes.
Inflamação aguda inflamação
de aparecimento súbito e de evolução muito
rápida e grave, mas de curta duração.
Inflamação alérgica inflamação
que é desencadeada por mecanismos alérgicos, como
sucede, por exemplo, na asma e na urticária.
Inflamação atrófica ou Esclerosante
inflamação que evolui para a organização
do exsudado inflamatório de que resulta cicatrização
e atrofia da região afetada pelo agente patogênico.
Inflamação catarral processo inflamatório
que é mais frequente na mucosa do aparelho respiratório,
mas que pode atingir outras mucosas. É caracterizada, fundamentalmente,
por hiperemia dos vasos, edema tissular e secreção
de muco de consistência viscosa.
Inflamação crônica processo inflamatório
de evolução arrastada e com sintomatologia pouco exuberante,
mas com neoformação de tecido conjuntivo.
Inflamação crupal inflamação
fibrinosa com produção de falsas membranas não
diftéricas.
Inflamação eritematosa inflamação
congestiva da pele.
Infecção Oportunista ou Oportunística
infecção que surge por diminuição
das defesas orgânicas.
Inflamação estênica forma de inflamação
aguda com fenômenos circulatórios e calor intensos.
Inflamação fibrinosa forma de inflamação
exsudativa em que existe uma grande quantidade de fibrina coagulável.
Inflamação granulomatosa inflamação
crônica proliferativa com formação de tecido
granuloso ou granulomas.
Inflamação hiperplásica ou Hipertrófica
inflamação com neoformação de
fibras de tecido conjuntivo.
Inflamação intersticial inflamação
na qual as reações inflamatórias se localizam
preferencialmente no estroma e no tecido conjuntivo de suporte de
um órgão.
Inflamação necrótica processo
inflamatório de grande intensidade e muito grave, com produção
de um foco de necrose mais ou menos extenso.
Inflamação parenquimatosa inflamação
que atinge primordialmente a estrutura nobre e principal de um tecido.
Inflamação proliferativa inflamação
em que o aspecto mais característico é o aumento intenso
de células macrofágicas reticuloendoteliais, com neoformação
tecidual.
Inflamação purulenta ou Supurativa inflamação
em que se forma exsudado purulento.
Inflamação reativa inflamação
que surge à volta de um corpo estranho.
Inflamação reumática inflamação
que surge como resposta à existência de reumatismo.
Inflamação serosa inflamação
em que a exsudação é essencialmente serosa
ou de aspecto semelhante ao soro.
Inflamação térmica inflamação
provocada pelo calor.
Inflamação tóxica inflamação
devida a um tóxico ou veneno.
Inflamação traumática inflamação
que surge como consequência de um traumatismo.
INFLAMAÇÃO - MEDICAMENTOS
Existem drogas capazes de minimizar este processo
reacional de defesa do organismo, de modo a minimizar o dano (agressão
por parte dos próprios tecidos frente ao agente injuriante)
e dando maior conforto ao paciente; ou seja, modulando a resposta
de defesa do paciente. Estes medicamentos são denominados
antiinflamatórios, podendo estes serem de natureza hormonal
ou não hormonal.
Os corticóides são antiinflamatórios
hormonais ou esteróides e têm sido considerados como
agentes inibidores da produção de prostaglandinas,
pela ação inibitória que exercem sobre a fosfolipase
A2, por meio da liberação de lipocortina-1 (mediador
protéico antiinflamatório). O resultado final da ação
destes antiinflamatórios é a parcial ou total redução
da liberação dos mediadores pró-inflamatórios.
A lipocortina-1 atua por seqüestrar o substrato fosfolipídico
e/ou inibir diretamente a enzima. Qualquer um desses mecanismos
poderia contribuir para a redução na produção
tanto do fator ativador de plaquetas quanto dos eicosanóides,
observada na presença de corticóides.
COMENTÁRIO
Nós que fazemos parte da equipe médica
da BG e que trabalhamos com a cirurgia propriamente dita, sabemos
que o bisturi causa injúria tecidual; que por sua vez desencadeia
a inflamação importante no processo da cicatrização
natural. Aprendemos que a cicatrização só ocorre
se houver o que nós médicos chamamos de reação
inflamatória ao trauma. Não tem o mesmo significado
do termo leigo que denota algo ruim. Como profissionais experimentados
que somos, cuidamos da inflamação bem de perto, tal
como o jardineiro que sabe que alguns insetos podem ajudar no crescimento
de uma rosa, enquanto outros não. Assim fazemos com os nossos
pacintes e com as nossas cirurgias. Todo cuidado é pouco.
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