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"INFLAMAÇÃO"
É bom frisar que medicina não se faz da noite para o dia,
são exatamente seis anos de muito estudo e dedicação. Para
chegar a ser cirurgião plástico, mais seis anos de especialização
cirúrgica entre cirurgia geral cirurgia plástica; além
da Vocação. A inflamação é um fenômeno
que todo médico deve ter conhecimento, seja ele clínico, cirurgião,
anestesiologista, etc.
Inflamação ou Flogose (derivado
de "flogístico" que, em grego, significa "queimar")
está sempre presente nos locais que sofreram alguma forma de agressão
e que, portanto, perderam sua homeostase e morfostase.
O processo inflamatório visa compensar essas alterações
de forma e de função por intermédio de reações
teciduais, principalmente vasculares, que buscam destruir o agente agressor.
A inflamação pode ser considerada, assim, uma reação
de defesa local.
É a reação de um tecido vivo vascularizado ou defesa
local. O processo inflamatório está intimamente relacionado com
o processo de reparo. A inflamação serve para destruir, diluir
ou imobilizar o agente agressor, mas, com o tempo, ela deflagra uma série
de acontecimentos que, tanto quanto possível, curam e reconstituem o
tecido lesado. O reparo depende do tecido e extensão da lesão.
Ele pode ser feito por regeneração ou cicatrização.
Sem a inflamação as infecções ficariam sem controle,
as feridas nunca cicatrizariam. Todavia, a inflamação e o reparo
podem ser potencialmente nocivos. Essas alterações dos componentes
teciduais são resultantes de modificações que ocorrem nas
células agredidas, estas passando a adquirir comportamentos diferentes:
movimentos novos, alterações de forma e liberação
de enzimas e de substâncias farmacológicas.
COMO É QUE OCORRE O PROCESSO DE RESPOSTA INFLAMATÓRIA:
Inflamação ou Processo Inflamatório é uma resposta do organismo à uma agressão sofrida. Esta resposta padrão é comum a vários tipos de tecidos vivos e é mediada através de substâncias produzidas pelas celulas danificadas chamadas prostaglandinas. As prostaglandinas aumentam a permeabilidade capilar e também tem o poder da quimiotaxia, atraíndo células polimorfonucleadas, neutrófilos na fase aguda e macrófagos passadas 24 horas. Os polimorfonucleados, por sua vez, fagocitam os elementos que estão na origem da inflamação e produzem histamina e mais prostaglandinas. Estas substâncias produzem um aumento do calibre dos capilares responsáveis pela irrigação sanguínea do local, resultando em uma estase vascular, caracterizando um sintoma da inflamação, a coloração vermelha (hiperemia) por causa da cor do sangue; aumento da temperatura local devido à liberação de diversos mediadores químicos presentes no sangue local e o edema ou inchaço, devido ao extravassamento do líquido intravascular para o espaço extracelular; consequentemente aumentando o líquido extracelular (LEC) extravascular. Outro sintoma clássico da inflamação é a dor, causada pela compressão das terminações nervosas, realizada pelo edema.
INFLAMAÇÃO & CIRURGIA:
Pode ser definida como sendo uma resposta local do tecido vascularizado agredido, caracterizada por alterações do sistema vascular, dos componentes líquidos e celulares, bem como por adaptações do tecido conjuntivo vizinho; desta forma as incisões cirúrgicas desencadearam um processo inflamatório natural que deve ser bem acompanhado e controlado pelo cirurgião. Para tornar-se um agente inflamatório (o bisturi, por exemplo), ou seja, um estímulo que desencadeie esses fenômenos de transformação nos tecidos, o agente lesivo tem que ser suficientemente intenso para provocar tais reações e ultrapassar as barreiras de defesa externas (como o derma, por exemplo), sem, contudo alterar a vitalidade do tecido em que atua. Portanto, qualquer causa de agressão é, potencialmente, um agente flogístico.
É bom enfatizar que toda essa transformação morfológica e funcional do tecido, característica dos processos inflamatórios, visa destruir, diluir ou isolar o agente lesivo, sendo, portanto, uma reação de defesa e de reparação do dano tecidual. No caso das feridas operatórias, o combate se faz contra agentes potencialmente estranhos (exemplo: bactérias que se encontram na pele) defendendo, reparando a solução de continuidade do tecido agredida pela incisão do bisturi e dando início ao processo de cicatrização que se faz necessário.
INFLAMAÇÃO - TEMPO DE DURAÇÃO
Podem ser agudas ou crônicas; as primeiras tendo um curso rápido (entre 1 a 2 semanas) e as outras constituindo processos mais demorados (superam 3 meses).
INFLAMAÇÃO AGUDA
A inflamação aguda é
dita imediata por se desenvolver no instante da ação do agente
lesivo e inespecífica por ser sempre qualitativamente a mesma, independentemente
da causa que a provoque. É de duração relativamente curta
e suas características principais são a exsudação
de líquido e de proteínas plasmáticas (edema) e a emigração
de leucócitos, predominantemente neutrófilos.
A inflamação aguda é mediada por eventos vasculares e exsudativos.
SINAIS CLÍNICOS OU CARDINAIS DA INFLAMAÇÃO AGUDA:
1. Calor: é oriundo da fase vascular, em que se tem hiperemia arterial e, conseqüentemente, aumento da temperatura local. O rubor ou vermelhidão também é decorrente desse mesmo fenômeno.
2. Rubor: modificações morfológicas e funcionais dos tecidos agredidos que promovem a liberação de mediadores químicos, estes desencadeantes das demais fases inflamatórias e das alterações hemodinâmicas da circulação e de permeabilidade vascular no local da agressão.
3. Tumefação ou Tumor: é causado principalmente pela fase exsudativa e produtiva-reparativa, representadas pelo aumento de líquido (edema inflamatório) e de células.
4. Dor adicionada à perda da função: é originada de mecanismos mais complexos que incluem compressão das fibras nervosas locais, devido ao acúmulo de líquidos e de células, agressão direta às fibras nervosas e ações farmacológicas sobre as terminações nervosas.
Portanto, os sinais clínicos acima descritos geralmente englobam pelo menos uma ou duas ou as três fases da inflamação (irritativa, vascular e exsudativa).
INFLAMAÇÃO CRÔNICA
A inflamação crônica é sempre precedida pela inflamação aguda, processo em que se desenvolvem as fases inflamatórias anteriormente citadas com o intuito de eliminar o agente agressor. Reação tecidual caracterizada pelo aumento dos graus de celularidade e de outros elementos teciduais mais próximos da reparação, diante da permanência do agente agressor.
Clinicamente, nas inflamações
crônicas não de observam os sinais cardinais característicos
das reações agudas. Porém, todas as alterações
vasculares e exsudativas que originam esses sinais clínicos continuam
acontecendo, culminando com o destaque da última fase inflamatória,
a fase produtiva-reparativa.
INFLAMAÇÃO - TIPOS
Inflamação adesiva
inflamação na qual existe uma quantidade de fibrina que
provoca a aderência de tecidos adjacentes.
Inflamação aguda inflamação de aparecimento
súbito e de evolução muito rápida e grave, mas de
curta duração.
Inflamação alérgica inflamação
que é desencadeada por mecanismos alérgicos, como sucede, por
exemplo, na asma e na urticária.
Inflamação atrófica ou Esclerosante inflamação
que evolui para a organização do exsudado inflamatório
de que resulta cicatrização e atrofia da região afetada
pelo agente patogênico.
Inflamação catarral processo inflamatório
que é mais frequente na mucosa do aparelho respiratório, mas que
pode atingir outras mucosas. É caracterizada, fundamentalmente, por hiperemia
dos vasos, edema tissular e secreção de muco de consistência
viscosa.
Inflamação crônica processo inflamatório
de evolução arrastada e com sintomatologia pouco exuberante, mas
com neoformação de tecido conjuntivo.
Inflamação crupal inflamação fibrinosa
com produção de falsas membranas não diftéricas.
Inflamação eritematosa inflamação
congestiva da pele.
Infecção Oportunista ou Oportunística infecção
que surge por diminuição das defesas orgânicas.
Inflamação estênica forma de inflamação
aguda com fenômenos circulatórios e calor intensos.
Inflamação fibrinosa forma de inflamação
exsudativa em que existe uma grande quantidade de fibrina coagulável.
Inflamação granulomatosa inflamação
crônica proliferativa com formação de tecido granuloso ou
granulomas.
Inflamação hiperplásica ou Hipertrófica
inflamação com neoformação de fibras de tecido conjuntivo.
Inflamação intersticial inflamação
na qual as reações inflamatórias se localizam preferencialmente
no estroma e no tecido conjuntivo de suporte de um órgão.
Inflamação necrótica processo inflamatório
de grande intensidade e muito grave, com produção de um foco de
necrose mais ou menos extenso.
Inflamação parenquimatosa inflamação
que atinge primordialmente a estrutura nobre e principal de um tecido.
Inflamação proliferativa inflamação
em que o aspecto mais característico é o aumento intenso de células
macrofágicas reticuloendoteliais, com neoformação tecidual.
Inflamação purulenta ou Supurativa inflamação
em que se forma exsudado purulento.
Inflamação reativa inflamação que
surge à volta de um corpo estranho.
Inflamação reumática inflamação
que surge como resposta à existência de reumatismo.
Inflamação serosa inflamação em que
a exsudação é essencialmente serosa ou de aspecto semelhante
ao soro.
Inflamação térmica inflamação
provocada pelo calor.
Inflamação tóxica inflamação
devida a um tóxico ou veneno.
Inflamação traumática inflamação
que surge como consequência de um traumatismo.
INFLAMAÇÃO - MEDICAMENTOS
Existem drogas capazes de minimizar este processo reacional de defesa do organismo, de modo a minimizar o dano (agressão por parte dos próprios tecidos frente ao agente injuriante) e dando maior conforto ao paciente; ou seja, modulando a resposta de defesa do paciente. Estes medicamentos são denominados antiinflamatórios, podendo estes serem de natureza hormonal ou não hormonal.
Os corticóides são antiinflamatórios hormonais ou esteróides e têm sido considerados como agentes inibidores da produção de prostaglandinas, pela ação inibitória que exercem sobre a fosfolipase A2, por meio da liberação de lipocortina-1 (mediador protéico antiinflamatório). O resultado final da ação destes antiinflamatórios é a parcial ou total redução da liberação dos mediadores pró-inflamatórios. A lipocortina-1 atua por seqüestrar o substrato fosfolipídico e/ou inibir diretamente a enzima. Qualquer um desses mecanismos poderia contribuir para a redução na produção tanto do fator ativador de plaquetas quanto dos eicosanóides, observada na presença de corticóides.
COMENTÁRIO
Nós que fazemos parte da equipe médica da BG e que trabalhamos com a cirurgia propriamente dita, sabemos que o bisturi causa injúria tecidual; que por sua vez desencadeia a inflamação importante no processo da cicatrização natural. Aprendemos que a cicatrização só ocorre se houver o que nós médicos chamamos de reação inflamatória ao trauma. Não tem o mesmo significado do termo leigo que denota algo ruim. Como profissionais experimentados que somos, cuidamos da inflamação bem de perto, tal como o jardineiro que sabe que alguns insetos podem ajudar no crescimento de uma rosa, enquanto outros não. Assim fazemos com os nossos pacintes e com as nossas cirurgias. Todo cuidado é pouco.
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