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Cada caso terá seu tratamento
particular. Outro grande questionamento está relacionado
aos riscos de uma cirurgia; razão pela qual criamos esta
sessão, para esclarecer aos prováveis candidatos às
cirurgias sobre os cuidados para evitá-los. Informe-se mais
sobre estes eventos por vezes susceptíveis de acontecer,
apesar de nenhum médico os desejarem, e de sempre trabalhar
para afastar essa possibilidade em seus pacientes. Nós médicos
estudamos anos a fio com o propósito de sabermos fazer o
diagnóstico desta eventualidade, tão logo ela apareça,
assim como intervir imediatamente quando necessário.
Necrose é o estado
de morte de um tecido ou parte dele em um organismo vivo. Pode ter
causas fisiológicas; traumatismos graves ou por agentes biológicos,
como a ação de fungos, bactérias e vírus.
A Necrose é
a manifestação final de uma célula que sofreu
lesões irreversíveis. Segundo Guidugli-Neto (1997),
o conceito de morte somática envolve a "parada definitiva
das funções orgânicas e dos processos reversíveis
do metabolismo". A necrose é a morte celular ou tecidual
acidental em um organismo ainda vivo, ou seja, que ainda conserva
suas funções orgânicas. Vale dizer que é
natural que a célula morra, para a manutenção
do equilíbrio tecidual. Nesse caso, o mecanismo de morte
é denominado de "apoptose" ou "morte programada".
CAUSAS - ETIOLOGIA:
a etiologia da necrose envolve todos os fatores relacionados às
agressões, podendo ser agrupadas em agentes físicos,
químicos e biológicos:
Agentes físicos:
Ex.: ação mecânica, temperatura, radiação,
efeitos magnéticos;
Agentes químicos:
compreendem substâncias tóxicas e não-tóxicas.
Ex.: tetracloreto de carbono, álcool, medicamentos, detergentes,
fenóis etc.
Agentes biológicos:
Ex.: infecções viróticas, bacterianas ou micóticas,
parasitas etc.
TIPOS DE NECROSE:
Coagulação ou Isquêmica: Causada por
isquemia local; ou seja, interrupção do fluxo sangúíneo
ao tecido. Histologicamente há perda da nitidez dos elementos
nucleares e manutenção do contorno celular, devido
a permanência de proteínas coaguladoras no citoplasma,
sem haver rompimento da membrana celular.
Liquefação: O tecido necrosado fica limitado a uma
região, geralmente cavitária, havendo a presença
de grande quantidade de neutrófilos e outras células
inflamatórias (piogênicas).
Caseosa: É um tipo de necrose de coagulação.
Tecido esbranquiçado, granuloso, amolecido, com aspecto de
queijo friável. O tecido exibe uma massa amorfa composta
predominantemente por proteínas (caseína - desnaturação
protéica). Na sífilis por ter consistência de
borracha, é também denominada *Necrose Gomosa.
Fibrinóide: O tecido necrótico adquire um aspecto
hialino (róseo e vítrio), acidofílico, semelhante
a fibrina.
Gangrenosa: É um tipo de necrose de coagulação
ou pode ser um tipo de necrose de liquefação. Provocada
por isquemia ou por ação de microorganismos, pode
ser úmida ou seca, dependendo da quantidade de água
presente.
Enzimática: Ocorre quando há liberação
de enzimas nos tecidos, a forma mais observada é a do tipo
Gordurosa: Os ácidos graxos se combinam com o cálcio
para produzir áreas brancas visíveis.
Hemorrágica: Quando há presença de hemorragia
no tecido necrosado, essa hemorragia pode complicar a eliminação
deste pelo organismo.
COMO ACONTECE - FISIOPATOLOGIA: As mudanças na homeostase
ainda constituem capítulo obscuro na patologia. Estudos moleculares
têm mostrado que o primeiro evento observado é a alteração
na bomba de sódio e potássio, provocando edema intracelular.
O metabolismo celular é mantido graças à glicólise.
Acabando-se a reserva de glicogênio, ácidos são
acumulados no interior da célula (principalmente ácido
lático), o que leva à diminuição do
pH. A acidez provoca a liberação de enzimas lisossomais,
o que gera a hidrólise de proteínas essenciais para
a célula (processo denominado de autólise) (Guidugli-Neto,
1997). Observa-se que a perda da homeostase envolve o sistema respiratório
celular (as mitocôndrias), o sistema enzimático (os
lisossomas) e o sistema de membranas, o qual parece ter um papel
crucial para o estabelecimento de lesões irreversíveis
na célula.
O tecido necrótico
pode evoluir para calcificação distrófica,
cicatrização ou mesmo regeneração.
FATORES QUE INFLUENCIAM
NA CICATRIZAÇÃO E QUE PODEM CAUSAR NECROSE:
· A eliminação
incompleta de tecidos desvitalizados e corpos estranhos retarda
a cicatrização, devido ao prolongamento da fase inflamatória;
· Proliferação
bacteriana oportunista;
· A hipóxia
local que ocorre naturalmente nas primeiras fases da cicatrização,
em decorrência da vasoconstricção, com ambiente
pobre em oxigênio, proporciona efeito deletério à
síntese do colágeno, pelo fato da prolina e lisina
não serem hidrolisadas, impedindo assim as fases subseqüentes
da síntese protéica;
· Hipovolemia sistêmica
e suturas muito apertadas determinam também menor aporte
de oxigênio à zona de cicatrização;
· Hemoglobina e hematócrito
baixo;
· Radioterapia, tanto
destrói células tumorais como altera a função
dos fibroblastos, impedindo a formação de colágeno
novo;
· Estado nutricional
e carência de vitamina C, como o oxigênio, são
indispensáveis na cadeia de reações bioquímicas
que levam à síntese do colágeno;
· Uso de corticóides
retarda a cicatrização por inibir a fase inflamatória
inicial;
· Uso de medicamentos
citotóxicos inibe a síntese protéica;
· Diabetes: a ação
retardadora da cicatrização ocorre através
de mecanismos múltiplos;
· Tabagismo, a nicotina
promove a vasoconstricção periférica;
· Outros...
O QUE FAZER:
· Diagnóstico
imediato que um processo de necrose está ocorrendo e identificação
de suas causas;
· Combate à
infecção local através de curativos e antibioticoterapia
inteligente (antibiograma, rotinas de curativos, etc.), via oral
ou sistêmica;
· Administração
de medicação vasodilatadora periférica;
· Sutura suave e manutenção
do regime pressórico e volêmico dentro dos padrões
de normalidade;
· Reposição
de sangue de acordo com a complexidade do caso;
· Tecidos que foram
radioterapados devem ser vistos com cautelas e muitas das vezes
substituídos com retalhos saudáveis. Retardar por
três semanas as sessões de radioterapia como, por exemplo,
no caso das mastectomias, para que a cicatrização
tenha maior oportunidade de acontecer, o que é extremamente
necessário;
· Estabilizar o quadro
de nutrição e manter as doses normais de vitamina
C; combater o escorbuto (carência de vitamina C);
· A administração
de drogas citotóxicas devem ser suspensas temporariamente
e sob acompanhamento médico;
· Solicitação
de exame de sangue para verificar dosagem normal da glicose. Controle
da glicose para níveis normais, através de medicamentos
bem orientados, dietas e exercícios;
· Cigarro faz mal a
saúde, deve ser evitado e ponto final.
COMENTÁRIO:
A necrose é um acontecimento
muito grave; um grande aborrecimento para ambos, médico
e paciente, no verdadeiro sentido da palavra. Já nos deparamos
com pequenas necroses ao longo de nossa vida profissional, que aconteceram
em pontos críticos de confluência de sutura ou de retalhos
em cirurgias reparadoras. Na maioria dos casos havia um dos agravantes
acima citados, donde destacamos o tabagismo, a diabetes, obesidade,
contaminação local, grandes retalhos(ex.:mamas grandes
ou gigantomastia), dietas de emagrecimento, paciente que escondem
transtorno bulímicos ou anoréxico , cirurgia que necessitam
grandes descolamentos de retalhos, como os mais comuns. Conduzimos
todos com sucesso, com curativos seriados e programados, desbridamento
seletivos dos tecidos desvitalizados, controle clínico, antibioticoterapia
profilática, vasodilatador periférico. Importante
lembrar que o estresse também interfere no andamento correto
da cicatrização.
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