ESTOU COM PROBLEMAS - CASOS CLÍNICOS


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"SEROMA"


01. O QUE É?

É uma coleção líquida com o aspecto e composição semelhante ao plasma, que pode se acumular em espaços abaixo da pele no pós-operatório de cirurgias. Embora contenha menos oxigênio, menos alfa e gamaglobulina e maior quantidade de radicais ácidos, se desenvolve na espessura do tecido subcutâneo determinando um abaulamento e flutuação local. Sua formação se dá através do extravazamento de plasma ou linfa. O seroma e diferente do hematoma, porque este último é constituído em sua maior parte de células vermelhas; mas pode estar associado a ele,

 

caracterizando o chamado sero-hematoma. Também difere do abscesso, que é o resultado de um líquido infectado e contém muitas células brancas do sangue com o intuito de combater aquela infecção e de microrganismos.


QUANDO APARECE?
Seu aparecimento ocorre durante as primeiras semanas de pós-operatório. É mais freqüente naquelas cirurgias plásticas que envolvem descolamentos maiores de tecidos, como as abdminoplastias, principalmente as cirurgias realizadas em paciente pós-obesos, cirurgias de inclusão de próteses, expansores cutâneos, reparadoras e outras. Poderá também acontecer em cirurgias de redução mamária, mastectomias e nas lipoaspirações mais volumosas. A radioterapia no tratamento de câncer mamário pode aumentar a incidência do seroma.

SINTOMATOLOGIA:

- abaulamento local;
- flutuação;
- sensação de deslocamento de líquido na região operada;
- ausência de sinais inflamatórios como febre, dor e vermelhidão,
- o líquido pode ser apenas seroso, de uma cor citrina suave, fluída; de acordo com a contaminação sangüínea maior ou menor poderá assumir matizes avermelhadas e densidades variadas, mas com tendência a fluidez. Em seromas cronicamente instalados podem aparentar uma tonalidade achocolatada. Nos casos com infecção a sintomatologia inflamatória poderá está presente e o líquido puncionado poderá ter odor característico.
- o seroma poderá ser expelido espontaneamente no pós-operatório imediato e causar um grande susto ao paciente pela eliminação copiosa do líquido através da ferida operatória recente.


O QUE FAZER?

- punções repetidas e programadas em curto espaço de tempo;
- realizar as punções em condições máximas de assepsia;
- fazer um ponto de anestésico local para prevenir a dor durante o manuseio da punção;
- a punção se faz através de uma agulha de grosso calibre e seringa;
- controle clínico e, se necessário, a prevenção com antibiótico, pois tal coleção é susceptível de infecção;
- se for evidenciada suspeita de infecção colher material para bacterioscopia, antibiograma e suporte clínico terapêutico; a sintomatologia inflamatória deve ser avaliada e combatida com prescrição médica adequada;
- manter o paciente sob controle médico cirúrgico observando que o objetivo do tratamento é a diminuição do volume e a compressão suave para reduzir o espaço de descolamento (loja do seroma).

COMO PREVENIR?

- realizando uma boa investigação clínica do paciente; pedidos de exames de pré-operatório;
- estar ciente desta possibilidade de evento naqueles pacientes que submetidos a cirurgias com grandes descolamentos;
- evitar espaços mortos (lojas ou espaços descolados) no fechamento do tecido celular subcutâneo;
- utilização de drenos de aspiração contínua, sob pressão negativa, enquanto houver drenagem de secreção significativa;
- utilização de curativos compressivos e cintas modeladoras; o curativo, um dos itens de extrema importância no seguimento do paciente, é feito para promover a aderência e cicatrização tecidual, prevenindo espaços para o acúmulo do seroma.


IMPORTANTÍSSIMO:
O seroma torna-se encapsulado se não for reabsorvido espontaneamente e se não for drenado. O organismo produz uma cápsula fibrosa à sua volta para isolá-lo, caso não seja drenado e permaneça assim por tempo muito prolongado. Depois da formação de cápsula envolvendo seromas antigos, as punções tornam-se ineficientes e o tratamento adequado será cirúrgico, com a finalidade de remover toda a cápsula (capsulectomia) e o seroma. Um seroma encapsulado produz aspecto abaulado, endurecido e fixo, como o de uma tumoração abaixo da pele. Por vezes apresenta retração visível na pele.


COMENTÁRIO: Nós, cirurgiões da BG Cirurgia Plástica, toda vez que suspeitamos da existência de seroma agimos prontamente na sua investigação e drenagem imediata. Em nosso serviço temos a rotina de nós mesmos fazermos os curativos dos nossos pacientes. Além de empregarmos corretamente os princípios técnicos para a punção, com cuidados de anti-sepsia, assepsia e esterilização do nosso material de trabalho, fazemos punções seriadas, quantas o caso necessitar, até que tudo esteja bem solucionado. Todo paciente por nós operados recebem ao sair do hospital a orientação para retorno ao consultório, numa freqüência que varia de acordo com o tipo de cirurgia. O paciente não deve desobedecer à freqüência pré-estabelecida.

DÚVIDAS:

01.
Pergunta: Quando ocorre o surgimento do seroma, somente a punção resolve ou teria outra maneira de retirar o líquido?

Resposta: A punção é o método mais usado para drenagem de seroma, quando ele não está drenando espontaneamente pela cicatriz. A drenagem aberta geralmente é feita pela expressão manual, quando já exista um trajeto na cicatriz vazando o líquido do seroma. Pode ser também feita a drenagem através de uma incisão na ferida operatória, realizada pelo cirurgião.

02.
Pergunta: Doutor, fiz uma mamoplastia de aumento e depois de uma semana tive um vazamento, como uma água, que saía da cicatriz e que até abriu um pouco; mas já está fechando. Na cicatriz tem um buraquinho que sai líquido. Procurei um médico que pediu um exame de sangue, uma ecomamografia e cultura do líquido. A eco não revelou presença de seroma na prótese e os outros exames forma normais, exceto uma eosinofilia no hemograma. Porém, continua a sair líquido pelo buraquinho de cor mais clara. Estou tomando antialérgico. Estou ansiosa. O que fazer?

Resposta: Pequenos seromas superficiais na cicatriz costumam desaparecer de forma espontânea; pois serão absorvidos pelo organismo ou drenam pela própria cicatriz. O mais importante nestes casos é o acompanhamento médico constante e a limpeza local para evitar
contaminação. Como você informou sobre o resultado dos exames; se a ecomamografia não revelou líquido dentro da loja da prótese, o seroma provavelmente está bem superficial na cicatriz. Mantenha os curativos e o contato com o seu cirurgião.

03.
Pergunta: Há 18 dias coloquei prótese nos seios; estava tudo bem até que, após cinco dias a mama direita começou a vazar um liquido avermelhado através da cicatriz. E um pedaço da cicatriz acabou se abrindo; mas, já esta fechando muito bem. O problema é que a mama parou de vazar por dois dias e depois voltou de novo e desta vez começou um liquido amarelado bem claro e fino. Não sinto dor, nem febre e nem a mama esta avermelhada, nem quente. Mas, ela esta um pouco inchada desde quando foi realizada a cirurgia. Estou com muito medo de ter que retirar a prótese. Estou tomando antibióticos para combater um número grande de bactérias. Gostaria de saber sua opinião.

Resposta: A drenagem de líquido sanguinolento (hematoma) ou amarelado (seroma) pode ocorrer através da cicatriz em alguns casos de implante mamário, sem maiores conseqüências, especialmente se houver o acompanhamento médico adequado e cuidados preventivos contra infecção.

O líquido de seroma pode ser avermelhado no início e com o passar do tempo tornar-se amarelado e ir clareando.

Fique calma; pois o seroma puro e simples não é motivo para retirar a prótese.
Somente no caso de infecção comprovada, com sintomas e exames laboratoriais, é que se orienta para essa conduta.


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