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| A
mama desenvolve-se a partir de anexos cutâneos na região peitoral
do embrião, na chamada "linha do leite", que se estende da axila
à região inguinal, podendo persistir como mamas acessórias
ao longo dessa linha na vida adulta, em alguns indivíduos.
Cada
mama ocupa, normalmente, a face ântero-lateral do tórax, da segunda
a sexta costelas. O parênquima mamário tem como limites a borda medial
do esterno, o músculo grande dorsal, a clavícula e, inferiormente,
o sulco submamário, podendo, às vezes, atingir a parede abdominal
superior.
Na porção súpero-externa, a glândula
se insinua até o andar inferior da axila, constituindo a cauda de Spence
ou prolongamento axilar. |
O
parênquima é envolvido por revestimento cutâneo semelhante,
em textura, ao do resto do corpo. Existem dois planos: as fáscias superficial
e profunda, sendo a primeira acoplada à derme e a segunda facilmente identificada
junto à aponeurose do grande peitoral. Trabéculas conjuntivas unem
as duas fáscias, chamadas de ligamentos suspensores de Cooper, não
existindo plano definido entre esses ligamentos e a derme.
O principal
suprimento sangüíneo vem das artérias mamárias interna
(60% da mama) e torácica lateral (30% da mama). O restante do suprimento
sangüíneo é realizado pelo ramo peitoral da artéria
toracoacromial, ramificação lateral das 3a, 4a e 5a artérias
intercostais e as artérias subescapular e toracodorsal juntas.
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 | O
tecido glandular é entremeado de estroma conjuntivo e de gordura, cuja
proporção relativa varia de acordo com a idade e as características
biológicas individuais (como por exemplo, o índice de massa corporal
e o volume da mama), estando constituído em média por 48% de tecido
gorduroso. A tendência, com o passar dos anos, é de o parênquima
se atrofiar e ser substituído por tecido adiposo, processo conhecido por
lipo-substituição fisiológica da mama, que se inicia em torno
dos 35 anos. A unidade anátomo-funcional da mama é o lobo mamário,
havendo cerca de 15 - 20 deles, representados por 20 ductos terminais que se exteriorizam
pelo mamilo. Cada ducto drena um lobo formado por 20 a 40 lóbulos. Cada
lóbulo consiste de 10 a 100 alvéolos. |
A
rede linfática é complexa e bem desenvolvida, drenando, preferencialmente,
para a axila. A linfa move-se centrifugamente dos vasos linfáticos intramamários
e subcutâneos profundos em direção aos linfáticos mamários
internos (3% da linfa) e axilares (97% da linfa). Existe, ainda, a via transpeitoral
que desemboca nos linfonodos de Rotter. Uma forma alternativa de delinear a anatomia
patológica dos linfonodos axilares é dividi-los em níveis,
conforme a classificação de Berg:
Nível I
- linfonodos localizados lateralmente à borda lateral do músculo
peitoral menor;
Nível II - linfonodos localizados atrás
do peitoral menor;
Nível III - linfonodos localizados medialmente
à borda medial do peitoral menor. A disseminação linfática
do carcinoma usualmente é ascendente, atingindo primeiro o nível
I e, por fim, o nível III (grupo subclavicular).
Os músculos
importantes na região da mama são os peitorais maior e menor, o
serrátil anterior, o músculo grande dorsal, bem como, a aponeurose
dos músculos oblíquo e reto abdominal. A inervação
é, basicamente, dos nervos intercostais laterais (do terceiro ao sexto).
| Do
ponto de vista da anatomia cirúrgica, tem especial interesse os seguintes
nervos: o intercostobraquial (segundo nervo intercostal), que atravessa a axila
e, se for seccionado durante a linfadenectomia, produz área de anestesia
na face interna do braço. O longo torácico (nervo de Bell), que
corre paralelo ao gradeado costal e inerva o serrátil anterior, músculo
que estabiliza a escápula (acidentes com esse nervo ocasionam a "escápula
alada" e a perda de força no ombro), o nervo de Bell marca o limite
posterior da dissecção da fáscia profunda, o tóraco-dorsal,
que vem do plexo braquial, cruza a fossa subescapular e inerva o grande dorsal,
sendo importante a sua preservação quando se pretendem reconstruções
com esse músculo. | |
O
QUE É E O QUE SE PODE FAZER

 | HIPOMASTIA:
mamas que não se desenvolvem e permanecem com pequeno volume. Pode ser
uni ou bilateral e não causa outros transtornos à saúde,
exceto o estético para algumas mulheres. Costuma não responder a
tratamento hormonal.
CONDUTA: Pode ser corrigida cirurgicamente
através da inclusão de próteses de silicone, ou simplesmente,
não fazendo nada, respeitando-se a vontade daquelas que não se incomodam
com isto. | | | | | | |  | HIPERTROFIA:
mamas de grande volume, podendo ser uni ou bilateral. Quando o volume é
exageradamente grande denomina-se "gigantomastia" e se o processo ocorre
no início da adolescência se chama de "hipertrofia virginal".
Atualmente a hipertrofia mamária pode ser adquirida artificialmente pela
inclusão de próteses mamárias de considerável volume
e por vontade da própria paciente.
CONDUTA: O tratamento
cirúrgico consiste na mastoplastia redutora, a qual se realiza com técnicas
variadas, conforme a indicação para o caso, sempre considerando
a relação conteúdo-continente da mama, para se obter um melhor
resultado. Deve-se avaliar a idade da paciente, a predominância glandular,
gordurosa ou mista da mama e o desejo da paciente. | | | | | | |  | GINECOMASTIA:
É a hipertrofia de uma ou de ambas as mamas no homem. Na adolescência
e na senectude pode assumir caráter transitório. Em boa parte dos
casos é induzida pelo uso de drogas como anabolizantes, estrogênios,
digitálicos, isoniazida, espironolactona, reserpina e metildopa. Também
pode estar vinculada a doenças orgânicas como lesões testiculares
e hepáticas, carcinoma adrenocortical, adenoma de hipófise ou hipertireoidismo.
A ginecomastia de causa desconhecida é chamada de idiopática. Afastadas
iatrogenia e alterações endócrinas, a conduta geralmente
é cirúrgica. No adolescente, pode-se esperar regressão espontânea
por um período de 1 a 2 anos, mas os prejuízos emocionais dessas
mamas anômalas obrigam, geralmente, a intervenção cirúrgica
precoce.
CONDUTA: Correção cirúrgica e dependendo
do volume e grau de flacidez de pele as cicatrizes resultantes poderão
variar, desde a cicatriz Peri-areolar, lateral na mama ou em T invertido.
| | | | | | |  | SIMASTIA:
É a confluência medial das mamas, ou seja, uma ponte de tecido
na linha média, unindo as duas mamas. Naturalmente sua origem é
congênita e está associada a mamas hipertróficas, geralmente
simétricas. Contudo, a simastia pode surgir após a colocação
de próteses mamárias com volume exagerado em relação
ao tórax e descolamento cirúrgico excessivo na linha do esterno.
Isto tem se tornado mais freqüente, na medida em que mais mulheres desejam
ter próteses muito grandes e nem sempre o fazem com cirurgiões bem
treinados, tendo como resultado a elevação da pele do esterno pelo
implante e um aspecto de junção das duas mamas na frente do tórax.
Mas, há casos em que a simastia independe do tamanho ou da habilidade do
cirurgião e ocorrem mesmo assim, devido à fragilidade tecidual,
flacidez, traumatismo, seroma ou hematoma. O tratamento cirúrgico é
difícil, complexo e limitante em alguns casos.
CONDUTA: Cirúrgica,
podendo ser realizada através de diferentes abordagens técnicas
que serão avaliadas conforme a apresentação e complexidade
do caso. Os métodos utilizados poderão acrescentar incisões
para ressecção de excesso de pele, troca das próteses para
o plano retro-peitoral, capsulectomia, se possível, e redução
da área de descolamento com pontos para proporcionar a aderência
da pele. | | | | | | |  | AMASTIA:
É a ausência total da glândula mamária, uni ou bilateral.
É rara e, pode estar acompanhada de hipotrofia ou agenesia do grande peitoral,
constituindo a síndrome de Poland. (o quadro completo inclui sindactilia).
CONDUTA:
Nos casos de amastia uni ou bilateral, a indicação é
cirúrgica, utilizando-se de implantes mamários se for bilateral,
ou nos casos unilaterais se pode utilizar a prótese de silicone mamário
associada às técnicas de mastoplastia para a mama oposta, se necessário.
Nas outras anomalias, deve-se fazer uma investigação clínica
e o tratamento cirúrgico poderá ser multidisciplinar. Nestes, a
cirurgia plástica poderá colaborar com o uso de expansores cutâneos
ou dos implantes confeccionados especialmente para o caso.
| | | | | | |  | AMASIA:
Constitui a ausência congênita ou adquirida do tecido mamário
com ou sem a presença do complexo aréolo-mamilar. As causas adquiridas
mais comuns são (iatrogênicas (por cirurgias), traumas ou queimaduras
sobre o botão mamário.
CONDUTA: Cirúrgica
e a técnica para reconstrução dependerá do tipo de
perda apresentada e complexidade do caso, ou seja: falta de pele, decorrente de
ressecção ou devido à cicatrização por segunda
intenção nas seqüelas de queimadura, perda de estroma mamário
e/ou da aréola ou do mamilo. A reparação poderá ser
feita de várias formas, desde o uso dos retalhos, passando pelo uso de
expansores cutâneos e implantes mamários, enxerto de pele, associados
com técnicas próprias para o caso. | | | | | | |  | ATELIA:
é a ausência do complexo aréolo-mamilar. Quando de origem
congênita é de extrema raridade; mas, poderá ser adquirida
em decorrência de mastectomia por tumor, queimaduras, mastoplastia, etc.
CONDUTA: Cirúrgica. Existem várias técnicas
de reconstrução através de retalhos e enxertos cutâneos.
É importante frisar que o resultado de uma reparação é
diferente daquilo que Deus realmente criou.
| | | | | | |  | POLIMASTIA:
É a presença de mais de duas glândulas mamárias, podendo
ser completa, isto é, com aréola e mamilo ou, apenas o estroma (glândula,
tecido gorduroso, etc). A forma mais comum é a mama axilar, que se torna
mais evidente em muitas mulheres durante a gravidez e que muitas depois se queixam
como se fosse uma gordura próxima da axila. Mas, lembrando da "linha
do leite", que se estende da axila à região inguinal; pois
bem, nesta linha podem persistir brotos mamários, como mamas acessórias,
ao longo da vida adulta.
CONDUTA: Cirúrgica; porém,
não esqueça que toda cirurgia tem uma incisão que resultará
em uma cicatriz.
| | | | | | |  | POLITELIA:
É a presença de mamilo acessório fora da aréola mamária.
Comumente aparece na região torácica inferior e no abdome superior
e, em geral, passam despercebidos pelas mulheres, que acham ser somente um "sinal".
CONDUTA: Cirúrgica, se for o desejo da paciente retirá-lo.
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