A indiscutível e igualmente discutível democratização da cirurgia plástica ao alcance de todos, juntamente com o massacre da mídia em suas campanhas de beleza jovem e artisticamente criada em computador nos revela a crescente idealização de modelos perfeitos que pode estar criando mitos inatingíveis e contribuindo para os distúrbios na própria maneira que as pessoas se vêem e como desejam se transformar através da cirurgia e outros procedimentos estéticos.

Muitos softwares foram desenvolvidos com o nome genérico de photoshop. Inicialmente para corrigir pequenas imperfeições ou defeitos em fotos. Entretanto, o desejo do homem de se comparar a Deus ou simplesmente movido pelos seus fetiches e insatisfações o fizeram ir mais além, fabricando ícones de beleza física irretocáveis, levando os mais ingênuos e até os modelos reais a acreditarem que são daquele jeito que aparecem nas capas das revistas.

Pois, brincar com a imagem em Photoshop abre um universo para as artes plásticas e outros serviços, mas não para a ciência como é a cirurgia plástica.

Não somos bonecos de plástico que podem se articular sem fazer dobras e que nunca envelhecem. Somos reais. Não somos criações do photoshop e não podemos correr o risco de virarmos um Frankenstein pensando que o encanto do sapo virar príncipe aconteceu.

Cirurgia Plástica Não é Brincadeira

Cirurgia Plástica é uma ciência médica a serviço dos nossos semelhantes, tratando e corrigindo seqüelas de acidentes, tumores, problemas funcionais e incompatibilidades estéticas que repercutem no emocional, meio social e no campo do trabalho.

A cirurgia plástica trabalha no corpo humano que é feito de músculos, nervos, ossos, tendões, vasos, pele e etc. E, estas estruturas trabalham e se movem seguindo padrões que a natureza determinou no universo de cada um de nós.

Não se pode pretender oferecer resultados mirabolantes com a facilidade que o photoshop bidimensional oferece. E ainda que fosse tridimensional, não estaria considerando nossa complexidade física. Seria iludir os pacientes.

O nosso próprio código de ética proíbe esse tipo de coisa: a utilização de programas de computador para previsão de resultados cirúrgicos.

Fotografia em Cirurgia Plástica serve apenas como um tipo de exame, um registro que serve para análise visual e comparativa do antes e depois de uma intervenção.



A boa e real cirurgia plástica conta com um enorme arsenal de técnicas muito bem estabelecidas e reconhecidas. Não há milagres e temos que ficar muito alertas quando nos deparamos com propagandas de técnicas novas e milagrosas.

O cirurgião plástico usa seu instrumental para desempenhar suas técnicas por meio de incisões, descolamentos, trações, rotações de tecido, etc. O processo de cicatrização, fatores individuais e ambientais podem influir no resultado final.


Não se cria um novo ser humano. Modifica-se aquilo que é preconizado através de muito estudo, ética, responsabilidade e profissionalismo. Não se pode aceitar o uso da especialidade para criar aberrações.

Nós, da BG, não utilizamos estes softwares em nossas consultas. Usamos e abusamos do conhecimento adquirido da especialidade que desempenhamos com os anos de experiência.

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