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PAPO CABEÇA I:
TANOREXIA
O desejo de ter uma pele dourada de
verão o ano inteiro tornou-se quase uma prioridade imposta pelos padrões
de moda e estética que ditam que ter uma pele bronzeada é sinônimo
de saúde e sensualidade. Não bastasse às polêmicas
sobre os supostos danos que o bronzeamento artificial causa à saúde,
surge mais um problema para as usuárias: o risco da dependência.
Essa vontade incontrolável compulsiva e dependente está sendo
chamada na Inglaterra de tanorexia (tan de bronzeado, em inglês), uma
espécie de distúrbio que induz a pessoa à repetição
de determinada ação, nesse caso à exposição
exagerada aos raios ultravioletas.
Os estudos mostram que são as adolescentes que têm mais submetido,
em clínicas de beleza, a várias secções de bronzeado
artificial por semana, quando o recomendado é no máximo uma. O
comportamento, fruto da necessidade de aceitação entre grupos
de amigas ou na tentativa de se tornarem parecidas com celebridades famosas
da mídia, segundo especialistas, pode levar aos casos de tanorexia.
É sabido que em países com menos sol, os índices de depressão
são maiores. Isso ocorre porque a luz solar, artificial ou não,
estimula a produção de endorfina, relaxante natural e agente causador
de prazer. Chocolate e sexo liberam esta mesma enzima.
A comunidade médica conhece bem os efeitos da luz sobre o corpo humano.
Uma das ferramentas da medicina para combater a depressão é a
fototerapia, tratamento feito com luz, que se transforma em estímulos
elétricos que chegam até a glândula pineal. Essa glândula,
localizada no cérebro, aumenta a produção das endorfinas,
hormônios que promovem a sensação de bem-estar. O problema
é que os mesmos hormônios que conferem um efeito relaxante podem
causar dependência, fazendo com que a pessoa se exponha repetidamente
às luzes. Esses dados foram descritos por pesquisadores do National Institute
of Mental Health, em Bethesda, Estados Unidos.
Já há alguns anos os médicos têm se empenhado em
difundir entre a sociedade os problemas de saúde causados pela fotoexposição,
entre eles o envelhecimento precoce e o câncer de pele. Estima-se que
tais danos são potencializados numa cabine, seja pela falta de controle
sobre esses equipamentos, seja pela ausência de cuidados adequados por
parte dos usuários. Mas o alerta não tem surtido efeito.
Se a cama for usada de maneira contínua e freqüente pode causar
câncer de pele, principalmente as máquinas que oferecem maior quantidade
de UVB. Até agora, a pesquisa científica mais contundente foi
realizada na Suécia, há cerca de dois anos. Esse estudo concluiu
que pessoas que se expõem a mais de dez sessões de bronzeamento
artificial de 20 minutos por ano tem sete vezes mais probabilidade de desenvolver
um melanoma (o mais perigoso dos tumores) quando chegarem aos 30 anos, se comparadas
com aquelas que nunca entraram numa cabine. Projetando esses números
para este ano, estima-se que, naquele país, o risco de ter o pior tipo
de câncer de pele para aqueles que nunca fizeram bronzeamento artificial
seria de 1 para 97 habitantes, enquanto entre os usuários seria de 1
em 13!
Se a cama for usada com potência exagerada, pode causar queimaduras que
variam desde uma simples vermelhidão na pele até a formação
de bolha e, a médio prazo, envelhecimento precoce.
No Reino Unido cerca de cem pessoas morrem por ano em conseqüência
direta do bronzeado artificial e muitas outras acabam por sofrer sérios
danos na pele.
Nos Estados Unidos surgem 1,2 milhão de casos de câncer de pele
por ano, sendo 10 mil fatais.
No Brasil, estima-se o aparecimento de
100 mil casos por ano, levando-se em conta a precariedade de pesquisas e estatísticas
nessa área. O problema é tão sério e acontece em
velocidade tão rápida que foi criado o Programa Nacional de Controle
do Câncer de Pele. A intenção do projeto não é
ser a favor ou contra o sol ou as camas, e sim garantir um direito fundamental
à sociedade: o da informação. Há concordância
mundial sobre os efeitos dos raios UV, naturais ou artificiais.
Em relação ao envelhecimento, tais raios provocam ruguinhas e
manchas na pele. Esses raios, que predominam nas camas, por serem mais longos,
atingem mais profundamente a pele, penetrando na derme. Nessa camada, incidem
sobre o colágeno - proteína fibrosa responsável pela sustentação
da pele e por seu aspecto juvenil. Como resultado, a pele envelhece mais rápido.
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